por - Jul 19, 2021

The Legend of Zelda: Skyward Sword HD – Análise

The Legend of Zelda: Skyward Sword foi o primeiro jogo da série a ter sido desenhado especificamente para a Wii e, por isso, um dos títulos que mais conseguiu alienar os seus fãs. Em vez dos controlos tradicionais, que a Nintendo 64 e a GameCube permitiam, a casa de Quioto decidiu implementar o uso integral do Wiimote em Skyward Sword, o que significaria usar controlos por movimentos. Agora, a Nintendo entrega-nos uma obra tecnicamente mais consistente, mesmo com os seus defeitos, que é muito mais fácil de apreciar e aplaudir os seus valores.

Tal como nos relançamentos de Twilight Princess e The Wind Waker para a Wii U, Skyward Sword também inclui alguns melhoramentos que nos facilitam a vida para um progresso mais fluído e natural. Claro que as mudanças não são profundas, nem estruturais ao ponto de termos algo notavelmente diferente – a experiência Skyward Sword está intacta. Para citar alguns exemplos mais notórios, os tutoriais já não são obrigatórios de resolver, assim como poderem acelerar os diálogos em texto e algumas sequências de vídeo.

Quem jogou a versão original, vai certamente notar que Fi, o espírito da vossa espada que vos guiará pela aventura, sofreu também algumas mudanças. Nos jogos anteriores tínhamos Navi e Midna a servirem de guias espirituais, Fi é uma homóloga que serve de companheira durante uma grande parte da aventura, pois intervirá várias vezes com informações relativas à história de Skyward Sword, assim como algumas dicas para conseguirem progredir suavemente. Fi é bastante conhecida por fazer interrupções bastante frequentes ao jogo, tal como o que tinha para dizer ser óbvio, sem nos dar nenhum novidade substancial que fosse alterar o que já tínhamos planeado fazer. Felizmente, esta parte foi retificada, mesmo que continue a falar pelos cotovelos em Skyward Sword HD, muitos dos diálogos são opcionais, o que a torna menos chata como personagem e melhora significativamente o ritmo do jogo.

A maior mudança em Skyward Sword HD, sem sombra de dúvidas, é o novo esquema de controlos poder ser feito através dos botões e analógicos dos Joy-Con, o que possibilita a quem tem uma Nintendo Switch Lite poder jogar esta obra. Esta nova forma de controlo pode ser ativada ou desligada a qualquer altura do jogo, caso tenham uma Nintendo Switch original, para assim poderem, ou não, jogar com os sensores de movimentos. Infelizmente, não funciona da melhor forma, a intenção de incluírem a versão Lite da consola é a única justificação para estes controlos existirem. É muito mais fácil e intuitivo gesticular os braços com os Joy-Con nas mãos do que tentar replicar esta funcionalidade através dos analógicos.

Praticamente todas as ações, que usam controlos de movimentos, foram transferidas para o analógico do Joy-Con direito, por isso terá de haver uma certa habituação ao novo esquema de controlos. Em vez de fazer um movimento da esquerda para direita com o braço para usarem a vossa espada, os golpes são feitos com o analógico a ser movimentado rapidamente no mesmo sentido. Já para lançar bombas, terão de empurrar o analógico para a frente e carregar ainda no ZR. No papel isto pode parecer simples, mas muitas das vezes isto é mais complicado do que o que parece.

A câmara também acaba por ser problemática com o novo esquema de controlos. Se usarem o sistema antigo de controlos por movimentos, basta usarem o analógico do Joy-Con direito para utilizarem a câmara livremente, o que é um notável melhoramento em relação ao jogo original. Contudo, o novo esquema de controlos utiliza também o analógico direito, o mesmo que é utilizado para dar golpes de espada. Para controlar a câmara tem de carregar no L, para controlar a espada ou carregam no ZL (para fixar a câmara num inimigo), ou não carregam em nada e fazem apenas os movimentos que precisam com o analógico direito. Enquanto não se habituarem a este esquema, vão dar golpes de espada quando queriam virar a câmara e vice-versa, é um bocado confuso, principalmente se já temos o hábito de jogar títulos de ação na terceira pessoa.

Contudo, este esquema de controlos não está só pejado de defeitos, também tem as suas virtudes e uma delas é o controlo muito mais fácil do Beetle – o drone em forma de escaravelho – que tem de ser pilotado em algumas partes da aventura. Nadar debaixo da água também funciona melhor, visto que Link também passa a ser controlado com o analógico, em vez de mexermos os Joy-Con como fazíamos com o Wiimote. No entanto, apesar destes melhoramentos, é sempre o esquema original que é preferível usar, a não ser que sejam obrigados a terem de o usar caso tenham uma consola Lite.

Estes pequenos ajustes aos controlos ajudam-nos a ter uma melhor experiência, especialmente se usarmos o esquema com controlos por movimentos – mas a experiência original de Skyward Sword continua aqui, nada foi alterado. Embora jogar esta obra seja mais aprazível, a linearidade do jogo é pontualmente interrompida para regressarem a pontos já visitados para recolherem itens ou realizar uma determinada tarefa para progredirem. Tal como no jogo original da Wii, isto é mais trabalhoso do que deveria ser.

O pior são as tear hunts, que vos vão exigir recolher quinze lágrimas sagradas enquanto têm de evitar inimigos invencíveis que vos podem derrotar num único golpe. Se um destes temíveis inimigos vos apanhar e acertar em cheio com um dos seus poderosos golpes terão de recomeçar o desafio do início e recolher novamente qualquer lágrima que tinham amealhado até terem sucumbido. Esta dura penalização faz com que estas tear hunts sejam muito mais frustrantes do que as que há em Twilight Princess. Isto poderia ser tolerável se a produção tivesse reduzido o número de lágrimas à recolher, tal como aconteceu com o remaster de Twilight Princess. Infelizmente, afinar estes momentos frustrantes não passou pela cabeça de ninguém durante a produção de Skyward Sword HD.

Apesar destes pontos negativos, Skyward Sword HD não deixa de ter momentos verdadeiramente fantásticos. A banda sonora é genial (foi a primeira que foi totalmente tocada por uma orquestra), assim como uma narrativa emocional onde conhecemos as origens de Hyrule e da Master Sword. Um dos pontos fortes é um que piorou consideravelmente em Breath of the Wild, as dungeons. As masmorras são verdadeiros testes às nossas habilidades e são um ponto alto do design da série The Legend of Zelda. É bastante agradável podermos constatar o que são um dos elementos bem integrados com o que Skyward Sword tem para oferecer e não um elemento externo ao que foi idealizado. As dungeons são um estímulo agradável à massa cinzenta, que vai fazer trabalhar muitas sinapses entre os neurónios de modo a solucionar os puzzles originais e cheios de criatividade que só se pode encontrar num jogo com o selo Nintendo.

Isto tudo pesa muito mais do que os elementos negativos do jogo, assim a aventura vale a pena ser vivida apesar da jogabilidade, por vezes, romba. O grafismo é bonito e tem um bom equilíbrio entre o estilo de Twilight Princess e Wind Waker. E tudo o que Skywrd Sword HD melhora torna a experiência mais fácil de ser apreciada. Infelizmente, não é tão fácil recomendar esta versão do jogo a quem tem uma Lite ou para quem prefere jogar no modo portátil, terão é de passar por um período de habituação e uma vez ultrapassado essas dificuldades a experiência brilha.

veredito

Um bom jogo da série Zelda com uma nova jogabilidade romba, mas que permite a quem tem a consola Lite poder jogar este diamante em bruto.
8 História emocionante. Melhoramentos que nos facilitam a vida. Jogabilidade com analógicos romba. Habituação necessária à nova jogabilidade.

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The Legend of Zelda: Skyward Sword HD

para Nintendo Switch
The Legend of Zelda: Skyward Sword HD

Ascendam aos céus, empunhem a vossa espada, e experienciem a nova história…

Lançado originalmente:

16 de julho, 2021