Quando se inicia The Procession to Calvary vê-se claramente para onde é que a experiência do jogo se vai direcionar. Se jogaram Four Last Things, então sabem que esta sequela também foi criada a partir de pinturas da época do Renascimento. O jogo é interessante na medida em que oferece uma perspetiva divergente sobre este tipo de arte renascentista, que inclui obras de Rembrandt, Botticelli, Miguel Ângelo. É bom podermos jogar algo que conhecemos num tom tão sério.

É difícil não se gostar dos cenários deste jogo, visto terem sido criados por famosos pintores e, por isso, incluírem algumas das mais conhecidas pinturas da nossa História. O criador do jogo copiou e colou as pessoas representadas nas tais pinturas renascentistas para serem personagens em The Procession to Calvary.

Isto obriga a que o jogo seja bidimensional e também que as personagens tenham um movimento tosco: imaginem que recortaram a fotografia de uma pessoa e que fizeram cortes nas articulações para movê-las de livre vontade. Não é natural, mas é algo que acaba por transformar esta proposta num jogo bastante engraçado, dando-lhe o seu próprio charme.

Se olharmos para a obra em termos de jogabilidade, The Procession to Calvary não reinventou nada que outro jogo de apontar e clicar tenha feito antes da sua chegada ao mercado. Quem já está familiarizado com este tipo de jogo, vai encontrar todas as mecânicas e ações que se habituou a fazer ao longo das últimas décadas.

Será necessário falar com as diferentes personagens que vão encontrar, assim como apanhar objetos para resolver e, mais tarde, resolver alguns puzzles. Felizmente, a lógica dos puzzles faz sentido e é rara a vez em que temos de adotar uma perspectiva diferente em relação ao problema apresentado. Há algumas mecânicas que são introduzidas para sublinhar o tom cómico do jogo, como é o caso da espada do nosso protagonista. Felizmente, são esporádicos os quebra-cabeças que exigem o manejo da espada, uma temporização que evita o cansaço precoce desta mecânica.

Porém, é a descoberta daquilo que podemos fazer com a espada que é surpreendente. Se precisarem de um objeto que uma personagem possui e não conseguem obtê-lo pacificamente, podem brandir a vossa espada e pôr termo à sua vida. É uma forma de contornar um puzzle que se pode revelar complicado, pois há consequências graves para este tipo de ato e descobri-las é parte da diversão.

O humor do jogo de Joe Richardson é obsceno, imaturo e, por vezes, nonsense. Não foram poucas as ocasiões em que o jogo exibiu os seus momentos cómicos comparáveis com os britânicos Monty Python. Nem todas as piadas que The Procession to Calvary tenta fazer acertam em cheio, porque este tipo de humor imaturo pode parecer uma idiotice, algo sem substância. Porém, esta combinação da animação característica do jogo dos diálogos hilariantes, do tom surrealista e do aproximar do trabalho feito pelos Monty Python, faz deste título uma excelente escolha para quem procura por um bom jogo de apontar e clicar.