Continuando os seus esforços para trazer de volta à ribalta algumas obras esquecidas para as quais adquiriu os direitos de publicação, a THQ Nordic trouxe para as atuais plataformas uma versão remasterizada de The Raven - Legacy of a Master Thief, obra lançada originalmente no Steam em 2013. Terminada a sua campanha, percebemos que existem boas razões para voltar a dar algum tempo de antena à obra da King Art Games, muito para lá dos benefícios financeiros que daí pudessem advir.

Claramente inspirado pelos clássicos títulos de aventura do passado - que é como quem diz, da época dourada da LucasArts -, The Raven coloca-nos no centro de uma trama de mistério e investigação envolvendo o mítico ladrão que dá nome à obra e que muitos julgam ter sido morto numa operação policial há vários anos. Assumindo o controlo de Jakob Zellner, um modesto polícia suíço à procura de provar o seu valor enquanto detetive, o jogador terá de interagir com um grupo de personagens e resolver quebra-cabeças - alguns deles secundários - com o objetivo final de descobrir a identidade do ladrão que pretende roubar os Eyes of the Sphinx.

Se me perguntassem a meio do segundo dos três capítulos se a narrativa era interessante, responderia com um sim seguido de várias reticências. Terminada a aventura na sua totalidade, fica claro que The Raven tem na sua história um dos seus principais trunfos, embora demore demasiado tempo a revelar-se como tal. Sem entrar em território de spoilers, digo apenas que apreciei bastante o truque que o título utilizou para dar mais relevo a eventos e personagens que numa fase inicial estavam longe de o ter.

É óbvio que isso não desculpa o ritmo lento e o tempo que o jogo leva para nos captar verdadeiramente a atenção, mas é sempre bom descobrir que a obra tem um trunfo na manga para nos recompensar pelo investimento de tempo. Obviamente, um jogo de aventura pautado por inúmeros quebra-cabeças que requerem vários passos para serem concluídos terá sempre uma progressão pouco acelerada, porém, esse facto aliada à demora da narrativa para começar a desenrolar o novelo poderá levar muitos jogadores a desistir antes da obra ter realmente mostrado as suas qualidades.

Os próprios quebra-cabeças, apesar de serem longos e requerem a utilização da vossa cinzenta, raramente se revelam obtusos e mesmo que fiquem presos, o jogo permite-vos sempre pedir umas dicas para vos apontar no caminho correto. Para além de necessitarem de vários passos, geralmente realizados numa sequência específica, estes puzzles podem também envolver a obtenção, utilização e combinação de itens. Felizmente o número de itens à disposição em qualquer momento nunca é exagerado, pelo que mesmo que tenham de recorrer a um processo de tentativa e erro, dificilmente ficarão muito tempo presos no mesmo puzzle.

Embora se trate de uma versão remasterizada, The Raven Remastered está longe da perfeição técnica. Sim, existem melhorias visuais em relação ao lançamento original, mas continuam a ser visíveis texturas simples, animações faciais estranhas e uma modelagem que torna todas as suas personagens algo plásticas. Já a banda sonora ajuda a adensar a atmosfera de mistério que caracteriza a campanha, enquanto a qualidade do trabalho de vozes mostra-se algo inconstante.

Mesmo não sendo uma obra de grande orçamento, existem razões válidas para o relançamento de The Raven - Legacy of a Master Thief. Com uma história contada de forma bastante interessante e eficaz e quebra-cabeças altamente satisfatórios, The Raven Remastered apenas peca por apresentar um ritmo lento que se estende à própria forma como a sua narrativa nos é entregue. Dito isto, se são fãs do género, The Raven merece a vossa atenção.