por - Oct 26, 2016

The Silver Case HD Análise

No domínio dos videojogos de autor, onde um indivíduo responsável por uma série de obras é reconhecido e louvado pelos apreciadores do seu trabalho, Goichi “Suda51” Suda é uma das figuras predominantes. O seu labor em No More Heroes, Killer7 e Shadows of the Damned na Grasshopper Manufacture, onde assume papel de diretor, destacou-o pelo uso de violência gráfica, assim como a abordagem e criação de títulos com temáticas no mínimo bizarras.

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Por isso, não será de estranhar que quem conhece a carreira de Suda51 tenha reparado na ausência fundamental no catálogo disponível nos mercados ocidentais: o seu primeiro título enquanto produtor independente na Grasshopper Manufacture, The Silver Case, lançado em 1999 no Japão para a primeira PlayStation. Este já se encontra disponível para PC e será mais tarde adaptado para a PlayStation 4.

Se já jogaram algum título mencionado no parágrafo anterior é bem possível que venham a adorar The Silver Case; se são apreciadores do que Suda51 já fez até hoje, será igualmente possível que venham a detestar esta adaptação do título com mais de uma década. A temática de violência está lá, mas a vossa interação enquanto interpretadores de uma personagem na terceira pessoa está ausente. Será correto afirmar que esta foi uma fase experimental para o futuro do ícone que é Goichi Suda e da marca que é a sua produtora.

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A narrativa proposta faz regressar um serial killer que se julgava morto, Kamui Uehara, que volta a espalhar o terror numa cidade japonesa. Vocês jogam do lado da lei, na parte Transmition, enquanto que em Placebo encarnam um jornalista. Dois modos distintos, mas interligados no argumento. Enquanto que no primeiro modo jogam literalmente na primeira pessoa, além de terem uma visão nesta perspetiva, são vocês que determinam o nome da personagem, em Placebo seguem a história de Tokio Morishima, um jornalista especializado na investigação forense.

Tanto num caso como no outro, The Silver Case tem mais de visual novel do que características típicas dos jogos mais recentes do autor japonês. Aqui serão lançadas autênticas paredes de texto no vosso ecrã. É assim que a trama tem que ser absorvida por quem joga, ainda com alguns elementos visuais para dar um toque gore tradicional de um título assinado por Suda51. Quem não está habituado a jogar obras em que o exercício da leitura é o seu cerne, The Silver Case não será o mais adequado para começar a serem introduzidos num videojogo deste tipo. Há muitos e bons títulos neste genéro, mas em The Silver Case há muito texto a ser digerido, interpretado e assimilado para uma compreensão mínima dos acontecimentos atuais e passados do jogo. Não quero com isto dizer que The Silver Case é mau, mas fica a advertência para os jogadores que fogem como o diabo da cruz a este tipo de jogos.

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O arco narrativo parece ter sido muito influenciado por películas policiais film noir. Dividido por episódios, desta forma consegue haver alguma pausa no ritmo fastidioso da apresentação em texto corrido por várias janelas. As personagens são interessantes com traços cuidadosamente desenvolvidos, contudo é o jornalista que fica com a melhor e maior fatia de exposição e desenvolvimento, o que leva a ser um dos que mais vontade dá em regressar ao seu enredo.

Felizmente, The Silver Case também contém alguns puzzles, mas não em quantidade e qualidade suficiente. Durante a fase Transmition, enquanto assumem o papel de um polícia sob ordens superiores, terão alguns quebra-cabeças para resolver. Normalmente, estes servirão para dar continuidade à narrativa, incumbindo-vos de ultrapassar obstáculos ao vosso avanço. Ou seja, na prática terão de abrir passagens, que envolvem a abertura de portas eletrónicas fechadas sob a introdução de uma password. É um trabalho ligeiro, mas que vos dá mais alento e atenção em prosseguir com a narrativa.

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Visualmente, durante as minhas sessões imaginei que estivesse num ambiente de realidade virtual. Com inúmeras janelas de texto, com contextos visuais e de arte representativa do que nós vemos a ocorrer nos diversos e estranhos acontecimentos que pautam o jogo estas podiam estar muito bem mais facilmente dispersas por um espaço do que sobrepostas conforme a vontade do jogo. O efeito num headset de realidade virtual seria muito curioso, controlarmos quase como se estivéssemos a filtrar e selecionar informação como Minorty Report. Contudo, se há uma queixa a sublinhar no departamento técnico, foi a decisão de colocarem por defeito o som de cada uma das letras a entrar como se de uma máquina de escrever futurista se tratasse.

The Silver Case é um título bastante interessante, recomendado a quem gosta de policiais e argumentos densos, mas sobretudo se são fascinados pelo trabalho do criador de No More Heroes. Porém, a forma como é apresentado o texto, muitas vezes sem contexto e notas visuais, vai levar o jogador ao aborrecimento muito mais rapidamente do que é desejado. Todavia, se aguentarem bem isto, terão uma das mais curiosas histórias de crime, com muito mistério e eventos enigmáticos que só poderiam ter saído da mente do notável Suda51.

veredito

Uma narrativa que não é para todos. São inúmeros parágrafos de texto que contam um crime de contornos muito peculiares.
6 História é o grande alicerce da obra. Som da entrada de letras. Exige um bom nível de interpretação. Interatividade mínima.

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The Silver Case HD

para PC, PlayStation 4

The game sees players taking control of a member of the Special…

Lançado originalmente:

07 October 2016