Ladrões são figuras populares na indústria dos videojogos. Seja em formato animal e maioritariamente cómico, como é o caso do trio da série Sly Cooper, ou em modo mais realista e necessariamente mais violento, de que servirá como exemplo a aclamada saga Grand Theft Auto, estes fora-da-lei têm dado a muito jogadores a oportunidade de sentir a adrenalina de viver à margem da lei correndo o risco de perder a sua liberdade ao mais pequeno erro.

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The Swindle não tem a violência de GTA, nem a comédia de Sly Cooper, mas tem algo que é indispensável numa obra de ação furtiva protagonizada por um criminoso, ou seja, a sensação de urgência de cada um dos seus assaltos e a sua meticulosa preparação. A diferença entre um assalto bem sucedido e o completo fracasso pode resumir-se apenas a um mísero erro, seja um salto falhado, uma abordagem descuidada aos inimigos ou a pura e simples ganância de querer mais e mais dinheiro, mesmo quando o bom senso nos diz que já deveríamos ter regressado à base.

No que à sua jogabilidade diz respeito, o título da Size Five Games pode ser descrito como um título de plataformas e ação furtiva a duas dimensões que coloca o jogador na pele de um assalto que vê o futuro da sua "profissão" em risco. Isto porque dentro de 100 dias, a Scotland Yard planeia introduzir uma espécie de inteligência artificial em todas as habitações capaz de detetar tudo o que seja atividade criminosa e dessa forma impedir a sobrevivência dos "pobres" ladrões.

Com apenas 100 dias, ou seja, 100 assaltos para conseguir chegar até à sede da Scotland Yard, o jogador terá de embarcar numa longa aventura que o levará desde as mais degradadas favelas até aos mais ricos centros urbanos e que o forçará consistentemente a melhorar as suas capacidades para de igual forma conseguir cada vez melhores maquias provenientes de cada assalto. Quanto maior o risco, maior a recompensa, e é no equilíbrio entre estes dois elementos que residirá o seu sucesso na demanda para travar as intenções da força policial.

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Como não poderia deixar de ser numa obra com esta temática, o dinheiro é o foco central do jogo e é através do dinheiro obtido nos assaltos que obterão os fundos necessários para adquirirem novas habilidades como o duplo salto e a capacidade de piratear computadores e desativar câmaras de segurança, bem como itens extremamente úteis entre os quais se destacam as bombas e as ferramentas necessárias para arrombar portas trancadas. A maneira como gerem o dinheiro ditará a vossa abordagem aos assaltos e consequentemente a dimensão do saque amealhado.

Simplista e competente, a jogabilidade de The Swindle mostra algumas fragilidades quando em alguns momentos falha em oferecer a precisão que seria desejável de uma obra que coloca tanto ênfase na preparação metódica dos assaltos e que não se escusa a castigar os erros do jogador. Para além disso, a obra pode também causar alguma saturação em sessões mais longas devido à pouca variedade de cenários que, apesar de serem gerados progressivamente, apenas se alteram na distribuição das divisões no interior da habitação e não na sua estética aparentemente dita.

Em suma, The Swindle é uma obra bastante interessante capaz de viciar o jogador, mas que assenta na perfeição em sessões curtas de jogo, uma vez que os seus assaltos dificilmente se arrastam por mais de cinco minutos, tornando-se assim um título ideal para ser jogado numa portátil. Os controlos deixam a desejar em alguns momentos, mas uma gigantesca árvore de habilidades permite que a jogabilidade nunca caia na monotonia.

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A banda sonora acompanha bem a experiência, assumindo um papel preponderante quando chega o momento de aumentar a tensão, enquanto que o grafismo peca pela sua pouca diversidade. No fundo, estamos perante um jogo que oferecerá tanta profundidade consoante o tempo que estiverem dispostos a investir, sendo por isso um título que satisfará bastante alguns jogadores, mas que deixará outros desiludidos pela aparente repetição do jogo.