Depois de o pináculo que foi o final de A Crooked Mile, o terceiro episódio de The Wolf Among Us, foi com grande expectativa que aguardei a publicação da continuação da saga da Telltale. O momento de experimentar In Sheep's Clothing chegou e passou e, como um piloto baixa ajusta os flaps e centra o seu avião com a pista de aterragem, fiquei com a perfeita noção que a Telltale precisou - e usou - de este episódio para preparar o final da primeira temporada que acontecerá já no próximo capítulo, Cry Wolf.

Com uma longevidade de pouco mais de uma hora, In Sheep's Clothing começa por remexer os acontecimentos testemunhados no já mencionado final da tranche pretérita. Bigby sara as querelas extremamente gráficas à mão de Swineheart, o médico de serviço, enquanto revê o que foi - e o que poderia ter sido - com Colin, o porco que teme a ida para a quinta, e uma Snow White coberta de sangue.

De ritmo lento, a história vai atando alguns nós soltos, chamando ao palco principal personagens que pensava já terem saído de cena, ou resolvendo o enigma de um objeto desaparecido. À conta disto, o desenvolvimento das personagens é colocado em pausa, ou seja, a esperança que tinha em ver o que Bloody Mary e The Crooked Man acrescentavam à narrativa ficou adiada para o próximo capítulo, onde é inequívoco que os argumentistas as terão que usar, como comprovam os últimos minutos deste ato, que servem para atezanar o jogador com a inevitável espera de, pelo menos, algumas semanas.

As escolhas também são ligeiras e esparsas. Depois de visitarem o apartamento da Beauty e do Beast, onde testemunham uma chamada telefónica a ser gravada pelo seu atendedor automático e, consequentemente, à mensagem automática que irrita quase tanto o jogador como quem telefonou, temos que decidir onde queremos ir primeiro: ao Cut Above ou ao Lucky Pawn. Pessoalmente, escolhi a ordem pela qual os coloquei neste texto.

O mesmo se pode dizer às cenas onde a ação detém as luzes da ribalta, estando cingidas a uma cena em que somos lembrados do excelente design das criaturas. Se o início do capítulo é pautado pela cena gráfica, também demorarão algum tempo com a imagem grotesca assinada por Jersey Devil. Sem querer estragar o momento com descrições excessivas, diria apenas que tenho a certeza que a conjugação do verbo partir deve ter sido particularmente dolorosa.

A minha estadia em In Sheep's Clothing foi idêntica a uma montanha-russa: a cena de abertura é interessante, pois permite aos jogadores ver um pouco do jogo de sombras que foi os momentos que nos levaram até aqui; a parte do meio do episódio é como chapinar numa poça de água, ou seja, faz e acrescenta muito pouco para manter o embalo das personagens e da história; e, finalmente, os últimos cinco minutos reacendem o interesse do jogador. Apesar de ter uma noção bastante clara de onde iria terminar, a escrita é eficaz apertar o cerco e a montar o palco onde as últimas horas vão de decorrer.

Sejamos francos, quem jogou quatro episódios, dificilmente faltará ao último ato e ao cair do pano. Seria como ver Breaking Bad e parar no penúltimo episódio. Nos momentos altos e nos baixos, na emoção e no aborrecimento: eu fiz esta viagem com Bigby e com a Telltale, portanto, quero ver o que têm reservado para mim. E não é menos verdade que quem jogou estes quatro episódios saberá perfeitamente o que esperar de In Sheep's Clothing tecnicamente. O desenho das personagens continua inspirado e, como já foi mencionado, Jersey Devil é a confirmação desse talento.

Falemos do final usando palavras de Rui Nunes:

Bigby acendeu um cigarro,

encostou a mão à mudez da boca,

fechou os olhos,

o silêncio era um rosto que não reconhecia.