por - Feb 24, 2015

Total War: Attila Análise

Se Total War: Attila pudesse ser fisicamente comparado com um caleidoscópio, não seria muito problemático fazer a ponte entre cada uma das componentes do jogo e as peças desse aparelho de ótica recreativa. Cada uma das tribos presentes no jogo assume a forma de um pequeno espelho, que se alia a todas as outras peças de vidro e missangas adicionais – os extras estratégicos, políticos e sociais – para novas perspetivas históricas a cada movimento.

Esse conceito encontra-se aplicado a Total War: Attila desde o primeiro instante, com o início de uma nova campanha a revelar as primeiras opções disponíveis. Não obstante, seja qual for o partido que escolhamos, a experiência desenrola-se toda sobre o mesmo suporte, aproveitando as competências técnicas a que a série Total War já nos habituou e adicionando-lhe pequenas pitadas de outros condimentos. Talvez a globalidade da obra esteja ligeiramente insonsa, mas já lá iremos.

Como tive oportunidade de escrever durante a experimentação da versão de antevisão do jogo da Creative Assembly, estamos perante uma obra que golpeia a história europeia e lhe expõe os meandros. Corre o quarto século d.C. e o Império Romano vive a já conhecida grande crise que antecedeu a sua queda histórica. Pelo velho continente fora, elevam-se as primeiras armas juntamente com a vontade de recolher o proveito que essa queda possa vir a trazer aos restantes povos, em particular, aos Hunos e a Attila, o seu icónico líder.

O mote para o desenvolvimento de toda a componente de combate é precisamente esse. Misturando-se com as jogadas por turnos ao nível das decisões estratégicas, a batalha em si desenvolve-se em tempo real. Como é apanágio em edições anteriores, as formações disponíveis multiplicam-se em número, bem como as opções específicas de cada personagem que ajudam a diversificar as opções no campo de batalha.

Para este efeito, a inteligência artificial de que o jogo dispõe vai assumir um papel fulcral na criação de condições adversas que desafiem a inteligência estratégica do jogador por detrás do ecrã. Felizmente para os aficionados, ou nem tanto para os caloiros, Total War: Attila assume um nível de dificuldade cuja aparição não é assim tão frequente na indústria dos videojogos.

A consequência imediata desse patamar em que esta componente se encontra é que o jogador terá de se concentrar muito mais nas ordens dadas ao seu exército, desconfiando sempre dos movimentos inimigos. De entre as fileiras do catálogo de jogos de estratégia, são muitos aqueles que perdoam os passos em falso dos comandantes virtuais, mas Attila destaca-se desse grupo garantindo que a combinação de todos os fatores presentes no jogo resulta numa inteligência artificial que aproveita cada uma das nossas falhas, aumentando a pressão a cada turno.

Conforme já tinha descrito no relatório das minhas primeiras impressões com Attila, publicado sob a forma de antevisão, a componente político-estratégica que acompanha o jogador ao longo de toda a campanha – seja com que tribo for – é um dos trechos que faz toda a obra soar de forma ainda mais aprazível.

A complexidade das escolhas vai muito para além dos clichés de construção nivelada de edifícios a que os jogos medievais de browser nos habituaram, avançando um degrau na profundidade com que confrontam os jogadores. Gerir conflitos internos, antever golpes de estado, formar casamentos por interesse ou lidar com diferentes tipos de insubordinação são alguns dos exemplos que contribuem para a criação de toda esta componente.

Os menos pacientes poderão sentir-se a agarrar essa rosa pelo espinho, uma vez que tamanha profundidade exige, logo à partida, igual nível de complexidade nas tarefas a realizar. O que isto significa na prática, é que o jogador se vê defronte para um sem número de menus pelos quais deverá guiar as suas decisões, ainda que as suas implicações imediatas nem sempre sejam facilmente previsíveis, muito por culpa de uma interface que não ajuda no esclarecimento.

Na viagem pelo mundo antigo com que Attila nos presenteia, o papel de embrulho não passa despercebido. A perspetiva tridimensional sobre a qual as batalhas são coloridas foi reforçada com uma nova paleta de texturas, animações e pormenores que se traduzem numa maior autenticidade da recriação bélica. Não obstante ao facto de não ser propriamente a maior das evoluções em relação ao que tínhamos visto em Rome II, não deixa de ser uma aprimoração significativa que contribui ligeiramente para o aumento da envolvência.

As primeiras informações tornadas públicas que referenciavam Total War: Attila, levaram muitos dos fãs a idealizá-lo como uma nova expansão para o jogo anterior na série da Creative Assembly. Com a obra já no mercado vários meses depois, o desfecho prolonga-se ironicamente nesse caminho. Attila merecia a adição de muito mais da sua substância, mais conteúdo que conseguisse diferenciar o jogo do resto da série, tornando-o numa obra singular que não devesse nada aos predecessores.

A qualidade da forma como concretiza as suas premissas é uma realidade, mas o facto de não se aventurar saindo da sua zona de conforto vai condená-lo a não conseguir ser muito mais do que uma expansão demasiado cara em preço, ou um jogo demasiado barato em conteúdo.

veredito

Total War: Attila renova os votos de qualidade estabelecidos há muito na série. Contudo, a falta de ambição ao nível do conteúdo poderá deixar muitos jogadores reticentes.
7 Variedade de tribos disponíveis. Desafiante a níveis intensos. Interface confusa a passos. Sensação déjà vu.

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Total War: Attila

para PC

The world will darken around you as Attila’s forces descend on your…

Lançado originalmente:

17 February 2015