A Frozenbyte foi uma das produtoras que se antecipou ao boom de jogos Indie a serem lançados no Steam. Com Trine entregaram uma aventura de puzzles e plataformas que foi aclamada pelos jogadores. Não era uma obra perfeita, mas tinha os ingredientes certos para os motivar a descobrir e a solucionar os puzzles que tinham construído.

A sequela, Trine 2, lançada em 2011, melhorou significativamente o que Trine fez bem, enquanto que o terceiro jogo da série piorou o que a fórmula da finlandesa Frozenbyte apurou. Por isso, Trine 4: The Nightmare Prince teve que ser desenvolvido com uma nova abordagem, o que acabou por torná-lo semelhante, em termos de design, aos dois primeiros títulos. Foi a melhor e, provavelmente, a mais fácil decisão que tomaram.

Felizmente, a produtora escandinava não desistiu e, com confiança, entregaram um jogo digno da sua capacidade enquanto produtora independente de videojogos. O resultado é um bom título, Trine 4: The Nightmare Prince, que regressou às suas origens. O facto da Nintendo Switch ser portátil também beneficia este tipo de jogo, pois é raro haver um nível demasiado longo ou que nos exige em demasia a nossa atenção para resolver problemas.

Tal como o nome do jogo indica, estamos perante uma narrativa centrada numa personagem intitulada "The Nightmare Prince". Selius é um rapaz que se afasta da academia de feitiçaria e, como não consegue controlar a sua afinidade à magia, acaba por dar vida aos seus pesadelos pelo seu reino. A academia da qual fugiu vê-se obrigada a recorrer ao feiticeiro Amadeus, ao cavaleiro Pontius e à larápia Zoya - os heróis que vão poder controlar no jogo.

Mesmo para quem nunca tinha jogado os títulos anteriores, Trine 4 tem um certo sentimento de nostalgia ao longo do jogo. Amadeus, Pontius e Zoya têm alguns diálogos onde fazem referência a eventos passados, seja através de piadas ou comentários sobre o próprio espaço onde estão a passar. Estamos perante a nostalgia, sem termos estado sujeitos a uma experiência prévia, o que é realmente surpreendente para um jogo de puzzles.

Assim, quem conhece a série, estará familiarizado com os processos da jogabilidade. Trine 4 assume-se como um jogo de plataformas com puzzles para resolver. O jogo passa-se num plano bidimensional com um ambiente e personagens em 3D, permitindo que a física de objetos não seja confusa ou com movimentos erráticos. Esta coerência na jogabilidade e no grafismo possibilitou a entrega de quebra-cabeças claros e criativos, o que faz a experiência ser gratificante e recompensadora.

Há elementos novos em Trine 4, nomeadamente as habilidades das personagens. Amadeus, para além de poder conjurar e empilhar caixas, pode também materializar uma bola saltitante, que não tem quase propósito nenhum. Já Pontius pode invocar um escudo que flutua para refletir a luz do sol ou cursos de água e, assim, resolver mais uns quantos puzzles. Por fim, Zoya pode lançar um fio mágico que lhe permite fazer flutuar objetos que estão agarrados a este fio. São todos elementos diferenciadores que dão identidade às personagens e, por sua vez, à obra.

Há uma mecânica vinda dos RPG que vos permite amealhar pontos de experiência e adquirir ainda mais habilidades. Apesar disto existir, mesmo que tenham a experiência necessária, só vão poder desbloquear estas habilidades quando a campanha vos permitir fazê-lo. Por exemplo, a Zoya só pode lançar cordas duplas após completarem cerca de três quintos do jogo. É preciso que o jogo vos faça a introdução própria às novas mecânicas, não pode ser tudo adquirido à pressa. Assim, a obtenção de pontos de experiência torna-se redundante.

O pior de Trine 4 é o combate. A produtora escandinava afirmou que houve melhoramentos nesta parte do jogo, mas continua a estar reduzido ao pressionar frenético do botão de ataque. Para inimigos básicos basta usar Pontius, só os bosses é que nos obriga a ter uma abordagem mais criativa com as outras personagens.

O Nightmare Prince, Selius, vai invocar bosses que representam os maiores medos de cada herói. Estas manifestações apresentam uma enorme criatividade e acabam por dar-nos em maior detalhe o passado dos heróis. Infelizmente, estas batalhas não são tão boas como aparentam. Amadeus, por exemplo, tem um confronto que é essencialmente um puzzle. Apesar de parecer algo que poderia ser bom no papel, na prática são confrontos fasidiosos de tão longos que são, quebrando por completo o ritmo do jogo.

Trine 4 tem um grafismo e uma banda sonora interessantes e, sobretudo, consistentes. Sente-se que a produtora teve o compromisso de manter uma certa fluidez entre os níveis, com um design que só favorece quem joga. O ritmo não vacila, com uma entrega que raramente aborrece - como é o caso dos já mencionados bosses.

Trine 4: The Nightmare Prince é uma recomendação fácil, até para quem não aprecia puzzles. Apesar de não inovar profundamente nas capacidades da produtora filandesa, o quarto capítulo da série Trine só vem provar que o terceiro foi uma pedra no sapato que, entretanto, já foi retirada com esta mais recente entrega.