por - Apr 23, 2019

Trüberbrook (Switch) – Análise

Trüberbrook tem um aspeto que nos chama à atenção, nomeadamente aos jogadores que apreciam uma boa aventura gráfica. São os detalhes da Alemanha rural no final da década de sessenta, que faz desta obra indie um título a ter em consideração. O cenário foi criado através de uma tecnologia que capta todo o cenário em três dimensões antes de os produtores se preocuparem em adicionar os modelos das personagens. Esta peculiar forma de criar um grafismo minimamente interessante, aliado aos efeitos de luz, cria uma atmosfera única. Infelizmente, a narrativa não impressiona tanto, o departamento onde um jogo deste género deveria brilhar com todo o seu esplendor.

Vocês são o físico americano Dr. Hans Tannhauser, que tem uma particular especialidade em Física Quântica. O Dr. Hans Tannhauser chegou a Trüberbrook, depois de ter ganho uma viagem numa lotaria na qual nem ele se lembra de ter jogado – é já aqui que o jogo se revela bastante misterioso. A obra, como qualquer outra aventura gráfica point’n’click, incentiva-nos a mexer no cenário todo, até pela estranha e misteriosa aldeia repleta de curiosidades. Assim, depois de pressionar o botão L é-nos revelado o que é que podemos realmente investigar. 

Hans é um meticuloso cientista que usa a forma mais rápida de tomar notas: falar para um gravador de bolso. É também assim que nos é transmitido como é que Hans vê o mundo que o rodeia: Trüberbrook. É através de pequenas observações que vão criando uma imagem da mente e personalidade de Dr. Tannhauser. É indispensável “varrer” o cenário por completo para sabermos para onde havemos de nos dirigir para avançar com a história. Ainda no arranque do jogo, Hans é surpreendido pela noite, quando um fantasma lhe rouba os seus preciosos documentos, nomeadamente um artigo científico que ainda não tinha terminado de escrever.

Gretchen, uma antropóloga com um claro interesse em fenómenos sobrenaturais, será ocasionalmente a sua companheira que lhe vai dar uma mão para desvendar este mistério. Embora o comportamento de Gretchen possa parecer estranho, o que não faltam são personagens com personalidades incompreensíveis que vão fazer parte da nossa aventura que ultrapassam o limite do bizarro. Normalmente, uma conversa tem muitas opções de resposta, apesar de ser raro haver uma resposta que nos satisfaça por termos de vestir a pele de Hans para responder como ele e não por ele. O diálogo tem por hábito roçar o cómico nonsense, para dar não só personalidade a quem fala, mas também à própria Trüberbrook.

Com o analógico esquerdo movem Hans, enquanto que com o esquerdo direcionam o cursor para clicar numa determinada particularidade do ambiente onde se encontram para ser devidamente investigado. Também podem fazer Hans correr, se tiverem pressa de chegar a um determinado local, ou se já estão cansados de andar de um lado para outro a uma velocidade tão lenta. Contudo, há áreas que têm de ser iluminadas antes de poderem ser examinadas à lupa. Por isso, se virem um quadro de eletricidade num local escuro, então já sabem que o melhor é acender as luzes do local que estão a explorar, caso contrário não vão passar o local a pente fino como deveriam fazer. 

Apanhar itens é uma das mecânicas basilares dos jogos de apontar e clicar. O jogo da btf não se afasta desta típica rotina de investigação. Assim, há um inventário ao qual têm acesso, mas sem terem de examiná-los com a mesma atenção que investigam um dos muitos cenários do jogo. Como é óbvio, podemos utilizar ferramentas ou objetos para interagir com o mundo que nos rodeia. Por exemplo, podemos cortar cabos com um alicate para podermos aceder a uma área do jogo previamente bloqueada. 

Na grande maioria dos puzzles de Trüberbrook apanhamos qualquer coisa para ser posteriormente usada num outro objeto. Como é muito comum neste tipo de puzzles, poderão ter que encontrar uma chave que abra uma determinada fechadura. Não existe nenhum desafio com os verbos a serem utilizados para as mais várias ações num único elemento que chamam de verb coin. Se por acaso passarem por um local onde tenham de combinar dois itens, como por exemplo a cana de pesca com o isco, não o podem fazer. Este sistema combina automaticamente estes dois objetos depois de selecionarmos um sítio da doca para pescar. Isto retira muito do divertimento que este tipo de jogos costuma oferecer, uma que vez não há praticamente desafio.

Assim, Trüberbrook está no auge quando estamos a explorar o estranho mundo que entrega, com um elenco de personagens igualmente bizarro. Quando somos chamados a fazer o que um point’n’click faz de melhor, o nosso cérebro pode muito bem continuar a descansar, dada a ausência praticamente total de quebras-cabeça para o jogador resolver. Nesta categoria dos jogos de apontar e clicar há uma oferta bem mais interessante, nomeadamente dos jogos da LucasArts, Double Fine ou Wadjet Eye, embora a maioria esteja no PC.

veredito

Trüberbrook tem uma abordagem interessante ao género em que se integra, sobretudo, pelo cenário de uma Alemanha rural dos anos sessenta. Infelizmente, retira o que os jogos de apontar e clicar têm de melhor: desafio nos puzzles.
6 Temática interessante. Ausência de desafio. Sistema de combinação de objetos. Longevidade.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments

Truberbrook – A Nerd Saves the World

para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One

Lançado originalmente:

12 March 2019