Para celebrar trinta anos da série Street Fighter, a Capcom decidiu levar a festa à Nintendo Switch - a única consola que ainda não tinha um título da série de luta. Porém, a forma como é festejado um marco tão importante quase dá a entender que a própria criadora do jogo já não respeita e nem tem brio no labor de um jogo que definiu uma geração de consolas e de títulos do género. Depois de jogar Ultra Street Fighter II: The Final Challengers, prefiro ficar com as memórias que tenho de Street Fighter II na Super Nintendo e máquinas arcade, do que ter este título na Nintendo Switch a relembrar-me que a Capcom ainda precisa de encontrar um destino para a série, tal como fez com o sétimo capítulo de Resident Evil.

No seu cômputo geral, a versão Nintendo Switch de Street Fighter II é, essencialmente, aquilo que foi lançado sob o nome de Super Street Fighter II Turbo HD Remix na PlayStation 3, PlayStation Portable e Xbox 360 em 2009, mas como é de esperar há algumas novidades. Buddy Battle e Way of the Hado são dois novos modos que destaquei neste artigo. Há ainda a introdução de duas novas personagens ao elenco de lutadores: Evil Ryu (que apareceu pela primeira vez em Street Fighter Alpha 2) e Violent Ken (originário de SNK vs. Capcom: SVC Chaos). 

Para os apreciadores de arte há ainda uma galeria com uma quantidade assinalável de trabalho conceptual do vasto elenco de personagens do mundo Street Fighter, que foram introduzidas nos vários títulos ao longo destas três décadas. Tudo isto o que foi aqui descrito a troco de 39,99 euros, quando Super Street Fighter II Turbo HD Remix ainda é possível ser adquirido por 14,39 euros. É a diferença de 25,60 euros justificável?

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Way of the Hado está longe de ser uma novidade para ser recordada por bons motivos. Já vi muitos jogos da Wii a fazerem um muito melhor uso dos controlos por movimentos. Replicar as técnicas icónicas de Ryu em nada favorece a experiência Street Fighter, quando este não evolui no único modo disponível. Primeiro é curioso, acha-se alguma piada ao que temos de fazer. Contudo após algum período, este jogo cansa, literalmente, por estarmos a fazer sempre os mesmos movimentos com as mãos e os braços. Isto é o que se apresenta a quem dá luz verde a projetos, sendo que após isso, normalmente, evolui-se para algo mais substancial, não se estagna no conceito inicial como é este caso.

A grande novidade é a introdução das personagens Evil Ryu e Violent Ken. Estes são mais do que novas personagens com o modelo base de Ryu e Ken, mas uma forma ligeiramente alternativa de jogar com estes lutadores clássicos da série. Como o próprio nome e a aparência indicam, estes lutadores têm uma postura mais agressiva no combate, com elementos inspirados em Akuma. 

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Ken, por exemplo, herda a movimentação Ashura Senku de Akuma, enquanto que Ryu vai buscar golpes super e técnicas de defesa similares. Ainda assim, estas edições mais agressivas de Ryu e Ken não acrescentam muito à equação do combate. Só mesmo quem vive e respira Street Fighter é que vai notar as diferenças entre as versões originais em que se baseiam, para diversificar a forma como jogam e abordam o combate. 

É óbvio que se são muito competitivos terão de ter um Pro Controller ou algo mais tradicional que se possa conectar à Nintendo Switch. Os Joy-Con prestam o serviço mínimo, mas um comando com as disposições do botões e analógicos mais espaçados oferece uma maior ergonomia à utilização frenética do mesmo. A própria jogabilidade assim o exige. É certo que é de salutar termos a opção de retirar os Joy-Con de cada lado e jogar imediatamente com um amigo. Ou na melhor das hipóteses, cada um a jogar na sua consola se os dois tiverem uma cópia do jogo. 

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Apesar das suas fragilidades, Ultra Street Fighter II: The Final Challengers é um bom jogo de luta. Tão bom, que nos anos noventa definiu o género tal como o conhecemos hoje. A solo oferece uma boa quantidade de níveis de dificuldade, enquanto que o online é o local perfeito para defrontar jogadores reais, em vez de uma Inteligência Artificial rígida. Aqui também é possível transitar entre o antiquado e o moderno, sem que nenhum deles deixe de ter o seu apelo. Pessoalmente, o grafismo clássico é o meu preferido, é o que apresenta uma maior fluidez e é assim que posso jogar tal e qual como me lembro de fazer nos cafés com salões de jogos. 

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Infelizmente, a Capcom viu uma oportunidade e aproveitou-a com uma inflação no preço do jogo que colocou nas prateleiras das lojas físicas e no catálogo da Nintendo eShop. Para os jogadores que já têm este título, Ultra Street Fighter II: The Final Challengers não vale o investimento. Caso estejam sedentos por um jogo deste género, há sempre as ofertas da série ACA NEOGEO por apenas seis euros por título. The King of Fighters ‘99, Garou: Mark of the Wolves ou Samurai Shodown IV são apenas alguns dos meus favoritos. Com ARMS prestes a chegar ao mercado, esta atitude por parte da Capcom é ainda mais incompreensível.