Entregar uma obra como Urban Empire em pleno clima de instabilidade política internacional é uma boa manobra para se destacar dos seus concorrentes, contudo não tem argumentos suficientes para se opor às ofertas existentes. Erguer uma cidade através de várias gerações de uma dinastia é, no papel, algo que poderia ser no mínimo curioso com as mecânicas certas. Porém, a obra publicada pela Kalypso não faz um esforço para ser uma escolha relevante.

Este título de estratégia quer oferecer intrigas e drama que vêm de difíceis decisões políticas em prol do crescimento próspero da cidade. O jogo tenta esconder as estatísticas da gestão e recursos, mas com a nossa tarefa de cumprir os indicadores de satisfação, esta tentativa cai por terra. Temos que trabalhar para os números como se fôssemos um autêntico contabilista. Algo que já estamos habituados a fazer em títulos como Sim City ou Civilization, nos quais Urban Empire se inspirou.

Imagens Analise Urban Empire

Urban Empire é classificado pelos seus produtores, não como um city builder, mas como um city ruler. Ou seja, depois de assumirem o comando de uma das famílias de maior influência de uma zona da Europa Ocidental, do século XIX, são convidados a gerir politicamente uma cidade. Terão de tomar decisões de grande importância que afetarão a saúde, a educação e os níveis de felicidade da população. O importante é fazer entrar dinheiro para os cofres da câmara municipal, seja por impostos, abertura de vias de comunicação com outras nações, ou com o desenvolvimento de novas tecnologias.

Contudo, há que saber aplicar as verbas para investir em empreendimentos, que façam crescer a vossa cidade. Investimentos na educação promovem construções de escolas, universidades e centros de investigação. Aplicar dinheiro na saúde promove a construção de hospitais, laboratórios e a investigação na saúde pública para a criação de vacinas. Enfim, são várias as formas de investimento e ainda mais variadas as consequências desses mesmos investimentos.

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Convém, no entanto, não esquecer que estamos sob um regime democrático. Por isso, terão de contar com os partidos da oposição. Tal como acontece um pouco por todo o mundo, estes têm certas exigências que são determinadas segundo os ideais e filosofias que seguem. Assim, muitas das alterações que querem ver na cidade terão que passar por uma votação no parlamento. E a partir destas votações, Urban Empire transforma-se num jogo de cedências e exigências. Governem como se tivessem ganho as eleições com maioria absoluta e serão expulsos do vosso cargo político mais depressa do que o esperado. Joguem com a oposição e dêem, por vezes, o braço a torcer para obterem melhores resultados e poderão manterem-se no poder durante muito mais tempo.

Um dos elementos fundamentais para um jogo de estratégia é o seu tutorial. É aqui que os jogadores aprendem os primeiros passos, quais as mecânicas principais do jogo e a lógica que deve ser tomada para atingir a vitória. Infelizmente, este é um capítulo onde a produtora falhou, onde há pormenores que são examinados com profundidade e outras circunstâncias analisadas superficialmente. Quando chegamos a um estado avançado do nosso progresso, sentimos que nos falta algo que poderíamos ter aprendido numa altura propícia para desenvolver estratégias pessoais. 

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Uma vez tudo esclarecido seja pela aprendizagem retida dos erros e conquistas ou pelo tutorial do jogo, fui à procura do cerne da obra - a política. A filosofia de governação pode variar de jogador para jogador, da extrema-esquerda à direita, há muitas opções que se podem tomar. Infelizmente, é a votação do parlamento que vai determinar as nossas ações, decisões e juízos de valor para tomarmos diversas atitudes perante os eventos que vão acontecer.

Porém, é sempre complicado saber o que achamos que vai acontecer depois de tomadas certas decisões. Saber como funciona a política depende claramente dos partidos opositores, ou seja, é com eles que sabemos quais as decisões que podemos tomar, sem fazer que a nossa visão ou a da própria família escolhida para governar seja o principal motor para impulsionar o que achamos ser o melhor para um desenvolvimento sustentável da nossa metrópole.

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Descobri que seguir pela via que me faria passar mais vezes as minhas propostas na assembleia, no meu caso o do socialismo, era bem mais fácil para progredir até à última época. Assim, depois de uma primeira campanha concluída, qualquer que seja o clã que escolham para começar o jogo, sabem de antemão a forma de contornar a oposição e poderem ser, segundo o jogo, os melhores políticos de sempre. Isto enfraquece a possibilidade de ser instalada uma certa aleatoriedade, visto que é simples descobrir como colocar Urban Empire a jogar para nós.

Por isso, vejo em Urban Empire uma oportunidade desperdiçada para entregar uma experiência interessante sobre política, numa altura que faz sentido falar-se da arte de governar. Porém, só com futuros melhoramentos e afinações nas estatísticas que regulam os eventos políticos de uma Europa fictícia é que o jogo poderá valer o que o seu conceito promete.