A Tate Multimedia podia ter trazido uma boa adaptação do desporto radical motorizado Trial Freestyle. Até contaram com a contribuição de Julien Dupont, um profissional que é citado com o criador desta modalidade, para melhorar o título do estúdio polaco, Urban Trial Freestyle. Porém, depois de passar largas horas a fazer manobras arriscadas em duas rodas, fiquei com a sensação que a Tate Multimedia não conhece a RedLynx, criadora do muito aclamado Trials Evolution. Por isso tentarei com esta análise, da versão da Nintendo 3DS, tentar dar-vos esclarecer da melhor forma se este título é ou não merecedor do vosso dinheiro.

Urban Trial Freestyle vai direto ao assunto, começando logo pelo seu título. Como é fácil perceber terão de conduzir uma moto com muita astúcia para cortarem a meta o mais cedo possível ou para atingirem objetivos que vos vão aparecendo ao longo dos traçados citadinos.

Não pensem desde já que pelo facto da Tate Multimedia ter contado com a colaboração de um piloto profissional que esteja recriada aqui uma experiência realista e fiel a todas as particularidades físicas das motos. O título é bastante acessível e qualquer pessoa consegue se tornar um mestre da arte de dominar um motociclo em manobras arriscadas. Infelizmente, apesar de termos alguma variedade nas diferentes motos disponíveis para pilotar, é quase imperceptível a diferença de caráter da sua mecânica, mesmo com os gráficos do comportamento das motos indicar o contrário.

As partidas começam, naturalmente, com uma área urbana desbloqueada com quatro pistas. E à medida que vão passando os desafios são desbloqueadas mais áreas e consequentemente os seus trilhos urbanos. Antes de cada partida têm uma de duas hipóteses: ou fazem uma partida em contrarrelógio, ou vão fazer acrobacias dependendo dos objetivos impostos. Devo dizer que a segunda, intitulada de Stunt mode, é muito mais divertida e original que a primeira, porque temos de nos ir adaptando a nossa condução aos diferentes objetivos. E claro, é aqui que o nosso piloto sofrerá com quedas atrás de quedas. É-nos pedido para saltar mais alto, mais longe ou até acertarmos com precisão num determinado local. Quanto melhor for a execução das manobras, maior é a pontuação a recebida. No entanto não podem dirigir de forma despreocupada pois irão cair várias vezes. E cada queda está associada a uma penalidade, seja em pontos ou no tempo acumulado. Por isso, acabava sempre por reiniciar a minha partida sempre que fazia o mínimo erro. É este um dos pontos comuns a todos os títulos que nos propõem desafios exigentes: errar, aprender com o erro e voltar a tentar até à perfeição - e no caso de Urban Trial Freestyle, a Tate Multimedia consegue-o bem.

Visto que tive em mãos um teste à versão 3DS tenho que falar-vos obrigatoriamente do modo de edição de pistas, uma característica exclusiva da portátil da Nintendo. O modo de edição é bastante simples para inventar pistas originais e conjugado com o ecrã inferior 3DS, a criação de pistas fica muito mais intuitiva. No entanto a Tate Multimedia esqueceu-se de aproveitar a estrutura online da Nintendo - para além das tabelas classificativas - não permitindo que os jogadores possam partilhar as suas criações. Por isso, não faz sentido esta opção cá estar. Nem toda a gente é criativa ao ponto de conseguir criar pistas divertidas, aliás eu só usei este modo em Trials Evolution para descarregar pistas criadas por outros jogadores, sou muito trapalhão para poder criar traçados que possam ser apreciados por outros.

Nos campos técnicos a banda sonora é um dos pontos fortes. As faixas de grunge metal que vão passando durante o jogo criam a atmosfera perfeita para esta modalidade radical. No que toca ao grafismo, o título carece de dinamismo nos cenários apresentados. Parece que vamos a percorrer pelas várias pistas urbanas com uma tela de fundo, de tão estático que é o cenário.

Uma das maiores desilusões neste título é sem sombra de dúvidas a pouca quantidade de pistas. E até os desafios de Stunt Mode são poucos, talvez o desenho curto das pistas tenha influenciado o número de objetivos a cumprir. Mas uma coisa é certa: esta decisão da produtora diminui - e muito - a diversão que podíamos retirar de Urban Trial Freestyle.

Assim, pesando bem as qualidades e as deficiências deste título, fica difícil poder recomendá-lo a algum possuidor de uma 3DS. No entanto não posso descartar o preço do jogo da avaliação final, o que é se calhar um dos únicos fatores para que possa aconselhá-lo. Este título fica assim destinado apenas a jogadores que não queiram investir muito do seu tempo livre no jogo. O oposto ao que um título deste género deveria ser.