Este jogo de ritmo e música de origem asiática prova que é possível ao jogador estar mais ativo a acompanhar e acertar nas notas de uma música, sem haver necessidade de uma guitarra de plástico. Aliás, depois de ter terminado uma das minhas várias sessões de VOEZ, fico a questionar-me como é que uma produtora com a experiência da Harmonix não tentou uma abordagem como a da Rayark, quando os jogos de música estavam em decadência na geração de consolas anterior e o número de utilizadores de dispositivos móveis estava a aumentar exponencialmente. 

Para dispositivos de ecrã tátil, VOEZ é o expoente máximo do que este tipo de jogos pode atingir em termos de jogabilidade. A Switch é assim a consola perfeita para estas experiências de música e ritmo, onde é exigida a máxima atenção por parte do jogador e que este tenha os seus dedos prontos para tocar nas diversas notas que vão descendo pelo ecrã. Um exercício em videojogo nada incomum para quem conheceu as séries Rock Band e Guitar Hero a dedilhar em guitarras de plástico. Enquanto os sucessos da Activision pretendiam simular guitarras e baterias, VOEZ transforma o ecrã da Switch num novo instrumento. É como se uma mesa de mistura e um piano estivessem integrados no jogo, dado o dinamismo existente.

Imagens Analise voez

O jogo tem uma história, mas esta não é o seu centro. Se fosse, só quem se dedicasse a sério a VOEZ é que poderia aceder aos seus excertos. Completem músicas, um determinado número de faixas, no nível e o resultado mínimo pedido e ser-vos-á entregue um painel com arte, molduras de paisagens pintadas à mão. Por vezes, com algum texto incluído sobre as personagens, os seus motivos e o destino que desejam alcançar. A narrativa fala-nos de um grupo de jovens estudantes do secundário que querem formar uma banda de música popular - seguirem os seus sonhos para serem músicos. Nada de realmente relevante neste drama juvenil, apesar da arte estar esplêndida, pintada com minuciosidade. 

Aliás, a apresentação de VOEZ está bastante bem conseguida, sobretudo no design dos menus e do próprio jogo em que temos de acertar na cascata de notas musicais. São losangos de diversas formas e linhas que conferem um ambiente muito particular e original. A organização e disposição das faixas está bastante agradável de navegar, escolher uma delas é que poderá ser o verdadeiro problema. 

Imagens Analise voez

A dificuldade varia entre Easy, Hard e Special. Dispostas em níveis, por exemplo em Easy poderão jogar músicas do nível 1 até ao 8, é sempre complicado saber o que escolher. Pessoalmente, visto a grande quantidade de músicas, cerca de cinquenta, não ter uma única que já tenha ouvido, avançava do mais fácil ao mais difícil. A sonoridade de praticamente todas as músicas insere-se em J-pop, com bastante batidas de percussão eletrónica e alguns raros enérgicos riffs de guitarra eléctrica. Depois de algum tempo de auscultadores nos ouvidos, como recomenda o título, para uma maior proximidade com o jogo, pensei que uma boa parte destas músicas poderia passar muito bem nas diversões das festas populares de verão. As faixas mais aceleradas têm uma batida muito similar ao que se houve nos chamados “carrinhos de choque” das festas das nossas senhoras e nossos senhores de Portugal. 

O mais importante: a jogabilidade. VOEZ apresenta uma mecânica que tem tanto de familiar como de inovador. O jogador envolve-se na melodia ao pressionar as notas que descem em cascata, mesmo que os primeiros sons não sejam os mais convidativos para continuar a ouvir, a jogabilidade trata de nos convencer a ficar e a repetir, uma e outra vez, a mesma música. As notas descem por vários corredores e uma vez chegados à linha final, um dos nossos dedos tem que tocar no ecrã ao ritmo imposto pela música. Porém, estes corredores não são estáticos, mudam constantemente de cor, forma ou local. Estas características estão pré-definidas pelos próprios trechos musicais, contudo, o jogador tem, por vezes, parte ativa na variação das características destes corredores de notas. 

Imagens Analise voez

Esta característica inata de VOEZ torna qualquer música de apreciação questionável em minutos bastante agradáveis, enquanto tentamos acertar em todas as notas. Algumas notas precisam de ser deslizadas para um determinado local enquanto que outras bastam um simples toque, sempre no ritmo certo. No modo de dificuldade mais fácil joga-se muito bem com apenas dois dedos, mas em níveis mais elevados já será preciso ter o ritmo na ponta de mais dedos. O nível de dificuldade que mais consegui apreciar foi o Hard, pois acaba por não haver muita omissão de notas, nem uma quantidade excessiva onde temos de manobrar muito bem os dedos na base do ecrã. 

E é assim, que após muitas sessões fico com vontade de jogar novamente VOEZ, mas com a possibilidade de jogar músicas licenciadas. Não tinham que ser músicas com teor comercial, mas do melhor que se faz na música pop. Nunca tiveram oportunidade de jogar VOEZ no iOS ou no Android? Então joguem na plataforma da Nintendo dedicada aos videojogos, dedicada a experiências que aproveitam o que a Nintendo Switch é capaz. E a produtora de Taiwan soube suscitar muito bem a curiosidade dos consumidores, uma vez que é obrigatório jogar este título asiático no modo portátil.