por - Nov 24, 2014

Wayward Manor Análise

Há algo de apelativo no ato de assustar outras pessoas. É inegável que usamos brincadeiras para nos rirmos das reações das vítimas. Toda a gente em alguma altura da sua vida fez ou fará qualquer coisa para assustar momentaneamente alguém. A questão muitas vezes reside no tipo de brincadeira usada para o efeito. Algumas são mais graves do que outras, mas o que interessa mesmo é que a vítima acredite, nem que seja por alguns segundos, que alguma coisa má lhe está a acontecer.

Em Wayward Manor o jogador assume o controlo de um poltergeist que tem como objetivo levar os intrusos da mansão a saírem dela. Para isto, com a ajuda da sombria mansão dos anos 20 do século passado, fará de tudo para assustar e levar os ocupantes da casa a saírem aterrorizados para não mais voltarem. É um jogo que se alimenta desta vontade que temos de assustar alguém.

É um título com uma apresentação agradável. Os gráficos cartoonescos conferem um tom mais leve ao que de outra forma seria certamente mais perturbador. Cada sala da mansão está bem construída, com elementos distintos para que o jogador não tenha a sensação de que está no mesmo sítio. Apesar disto, não tardamos a sentir que os puzzles se repetem.

O som por outro lado é um ponto digno de nota no jogo, não por estar muito bem conseguido mas por se adequar muito bem ao ambiente criado. A narração está muito bem conseguida, e faz lembrar as curtas de Tim Burton narradas por Vincent Price, sombrias mas com humor. As personagens não falam, e, um pouco ao estilo de Don’t Starve, reproduzem sons de instrumentos.

Quanto à jogabilidade, o jogo é bastante simplista, e depende só de um toque do jogador para fazer algo. Do teto de cada sala identificamos as possibilidades para assombrar, um brilho espectral mostra-nos o que podemos usar para assustar os ocupantes da sala. Com um clique do rato podemos então fazer cair uma garrafa de veneno na cabeça de alguém ou fazer um rato sair do seu abrigo para assustar alguém que cruze o seu caminho. Mas, depois de jogar alguns capítulos a sensação de novidade passa e a partir daqui é quase tudo mecânico. Depende mais da memória do que da astúcia do jogador para progredir.

Para piorar, o jogo está assombrado por erros e falhas que estragam a experiência. Ao assustarmos adequadamente os ocupantes de uma sala por seis vezes, chegamos ao poder máximo do poltergeist, que usa um remoinho de objetos da sala para assustar de vez as personagens, esse remoinho está cheio de objetos que entram uns nos outros. As personagens às vezes correm de costas voltadas para o destino. Mais do que uma vez, a única forma com que podemos interagir com o jogo, o clique, parece não querer responder às nossas instruções. Estas coisas fazem com que o jogo se torne mais frustante, quando não o devia ser.

No geral Wayward Manor revela-se um bom conceito, com um ambiente decente, mas que sofre, e muito, com as suas falhas. A narração cria um ambiente interessante, a mansão é digna de ser defendida, mas, não quando temos de reiniciar o jogo para completar níveis ou quando acabar um nível se torna muito menos uma tarefa de descoberta e muito mais uma tarefa aborrecida que temos de ultrapassar.

veredito

Wayward Manor é um conceito interessante, assente numa fundação muito frágil que acaba por se desmoronar.
4 Ambiente interessante. Puzzles repetitivos. Cheio de bugs.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments

Wayward Manor

para

You play as a disgruntled ghost, trying to reclaim your house from…

Lançado originalmente:

28 September 2021