O que seria da vida dos heróis de títulos Role Playing se as suas armas fossem de má qualidade? Talvez os ferreiros que deram forma à mítica Buster Sword de Cloud Strife ou à excêntrica Keyblade de Sora, sejam realmente os grandes responsáveis pelos sucessos e vitórias das personagens dos RPG das gerações passadas. Foi esta ideia que retive do último jogo do conjunto de títulos experimentais da Guild01: Weapon Shop de Omasse.

Escrito por um comediante japonês, Yoshiyuki Hirai - uma das partes da dupla de comediantes America Zarigani -, a maior força deste título passa sem dúvida pelo seu humor patente. Porém, acaba por ser a única razão pela qual vale a pena experimentar Weapon Shop de Omasse.

Em Weapon Shop de Omasse vocês são Yuhan, uma aprendiz de ferreiro que criará armas para os clientes da loja do vosso mestre Oyaji. O regresso de uma entidade demoníaca está iminente e Yuhan será a responsável por disponibilizar para aluguer as melhores espadas e diferentes armas de lâminas bem afiadas aos heróis que passarem pela sua loja.

O jogo está estruturado como uma espécie de sitcom. A cada novo cliente que entra, vocês deixam de fazer o que tinham em mãos e começa o diálogo entre os clientes e o vosso mestre Oyaji. Este, como já o referenciei, vai beber inspiração a clássicos RPG orientais. No entanto, não é apenas nesta conversa entre cliente e funcionário que nos podemos rir. Uma das melhores adições a este título da série Guild01 vai para Grindcast, uma rede social criada especificamente para os vossos clientes partilharem com o mundo as aventuras vividas equipados com as vossas criações. Infelizmente, as piadas vão se esgotando ao longo do tempo e são recicladas em novas personagens.

No jogo propriamente dito, onde vocês tomam conta dos pedidos dos vossos fregueses, temos uma mecânica de criação de armas simples e repetitiva. Começamos com uma peça maciça de metal para depois darmos a forma pretendida. Ouvirão primeiro uma série de sons com um determinado ritmo, para de seguida acertarem no mesmo padrão sonoro e transformar o metal numa arma. Quanto mais vezes acertarem no ritmo correto melhor ficará a arma. Mas isso apenas em teoria, porque na verdade vão obter resultados variados mesmo que sejam exímios a acertar no momento certo de martelar com a Stylus. E será rara a ocasião em que um herói falhe uma demanda com uma arma de fraca qualidade.

No campo sonoro a única queixa que posso fazer é a inclusão de faixas de riso, como se estivesse uma audiência ao vivo a assistir ao que se passa na loja de Yuhan e Oyaji. O facto de usar os jogos Role Playing japoneses como fonte de piadas, que nem toda a comunidade de jogadores aprecia, fecha ainda maiso círculo à quantidade pessoas que possa achar engraçado a sátira deste tema. E por isso, o uso de faixas sonoras de risos não é a melhor forma de enaltecer o conteúdo apresentado se o próprio jogador não o entender. Já os visuais, estão como se esperava de um título nipónico com forte inspiração nos JRPG. A modelagem das personagens está bem concebida e é bastante expressiva.

Este é um título difícil de recomendar a todos os possuidores de uma Nintendo 3DS. Mas se apreciam bastante os jogos RPG vindos do Oriente, poderão retirar algum partido de Weapon Shop de Omasse, mesmo que não seja uma proposta tradicional no género. Apesar de um processo de fabrico de armas monótono e repetitivo, o humor inspirado de Yoshiyuki Hirai consegue prevalecer.