O sentido de humor é sempre um aspeto a ser valorizado. Nos videojogos isso não é diferente. Numa indústria que tantas vezes gosta de se levar demasiado a sério e que alterna entre as temáticas sérias que conferem um tom mais negro às suas histórias e a ausência quase total de narrativa, a capacidade de um jogo para gozar consigo próprio, para brincar com a indústria e com o próprio género em que se insere, para fazer do jogador parte da própria piada é sempre uma característica diferenciadora.
West of Loathing é acima de tudo uma paródia. Uma paródia das fórmulas que caracterizam os Role Playing Games, uma paródia dos videojogos, uma paródia dos westerns, enfim, o título aponta o seu dedo satírico em várias direções e fá-lo quase sempre com sucesso. Sem medo de se deixar perder no absurdo, esta é uma obra que usa e abusa do humor, do ridículo para entreter o jogador e o manter motivado a continuar esta aventura por uma versão pós-apocalíptica do faroeste em que vacas dizimaram as populações e tecnologias alienígenas são encontradas nas profundezas de cavernas.
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Assumindo o controlo de um aventureiro que abandona a sua família em direção ao Oeste em busca de uma vida melhor, a travessia prova ser um desafio imponente e demasiado perigoso, obrigando o nosso protagonista a tornar-se num guerreiro, a desenvolver essas habilidades e a batalhar para sobreviver. Pelo meio, haverão personalidades peculiares para conhecer e interagir, estranhos locais para explorar e ainda muitas tarefas ridículas para realizar, muitas delas com o intuito de gozar com os piores elementos do género em que se insere.
As tão cansativas e pouco imaginativas fetch quests são aqui levadas a um extremo que pretende precisamente criticar, ainda que servindo-se do humor para suavizar esse tom crítico, o design algo preguiçoso que caracteriza algumas destas missões presentes em tantos jogos do género. Este é apenas um exemplo da forma como o jogo utiliza a comédia em seu favor, sendo que também através da escrita, mais concretamente dos diálogos com outras personagens, e do cómico da situação a obra é capaz de nos colocar frequentemente com um sorriso nos lábios.
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Ainda assim, a obra da Asymmetric Publications apresenta alguma dificuldade em resistir à passagem do tempo, isto é, o seu humor não é suficiente para suportar longas sessões de jogo ou até mesmo a duração da sua campanha. Por muito bem humorada que seja, a quantidade de paredes de texto que o título nos presenteia ao longo da aventura acaba por se tornar maçadora, especialmente porque quebra constantemente o ritmo.
Durante as primeiras horas, quando tudo ainda é novidade, a motivação para ler todas as interações, todas as declarações jocosas do narrador está lá, mas esta vai-se dissipando à medida que as horas se acumulam e a capacidade da obra para nos surpreender começa progressivamente a desaparecer. As piadas continuam lá, o efeito cómico e o sentido de humor também, mas era preciso uma experiência mais envolvente nos restantes departamentos para preservar o interesse.
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Apresentando-se como um RPG, existem pontos de experiência para serem gastos a melhorar os atributos do protagonista, uma de três classes para ser escolhida, habilidades para serem obtidas e depois melhoradas através da leitura de livros resultantes da descoberta de novos locais no mapa, de novos segredos espalhados por este faroeste povoado por esqueletos ambulantes, vacas tresloucadas, foras-de-lei, tecnologia estranha e até fantasmas. É apenas de lamentar que não exista um quest log para nos manter-nos a par dos locais que devemos visitar para realizar todos os pedidos que nos são feitos.
O combate por turnos é igualmente sólido e em determinados casos requer mesmo alguma estratégia, cuidado e ponderação na forma como escolhem os inimigos a eliminar, quando utilizar os itens e as habilidades especiais em batalha. Para além disso, importante também comer alimentos e beber bebidas encontradas durante a exploração, pois estas serão fundamentais para vos conferir bónus estatísticos indispensáveis para enfrentarem a progressiva subida de dificuldade sem necessitarem de gastar demasiado no grinding.
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West of Loathing é um RPG competente, mas não entrega nada de verdadeiramente extraordinário na sua jogabilidade para se manter fresco com o acumular das horas. Por isso, assim que o humor começa a perder eficácia e a capacidade de nos surpreender, também a qualidade e divertimento das sessões de jogo acaba por cair a pique. Claro que esse cansaço pode ser evitado com sessões de jogo mais curtas, mas isso não resolve tudo. Como é óbvio, uma palavra de destaque para o estilo visual brilhante da obra, um falso simplismo que encaixa na perfeição no tom da aventura.

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