Não é qualquer jogo que ainda hoje permanece relevante como World of Warcraft, após ter sido lançado há treze anos. Por isso, já lá vai há mais de uma década que atravessamos, pela primeira vez, os portões de Ironforge ou Orgrimmar. Sete expansões depois, ainda é pertinente perguntar-se se a obra da Blizzard ainda se consegue manter relevante. Os milhões de exemplares vendidos, sejam estes em formato físico ou digital, dão-nos uma prova substancial que ainda existe interesse por parte dos jogadores em viver aventuras em Azeroth. 

Battle for Azeroth gerou grandes expectativas depois de muito boas expansões como Legion e Warlords of Draenor. A rivalidade perdeu-se pelas expansões, assim esta sétima expansão chega para revitalizar esta esta guerra que sempre existiu entre as duas facções opostas: Horde e Alliance. Apesar de algumas implementações menos conseguidas, o quadro geral de Battle for Azeroth é muito favorável. 

A narrativa arranca imediatamente após os eventos de Legion. Caso não se recordem, o dark titan Sargeras mergulhou a sua espada gigantesca no mundo de Azeroth, mais precisamente em Silithus. Este acontecimento resultou no sangramento da alma de Azeroth, que agora expele Azerite na ferida profunda que provocou no mundo de fantasia criado pela Blizzard. Isto terá, assim, uma ligação à própria jogabilidade da expansão, renovando o interesse necessário para continuar neste MMORPG.

O seu maior insucesso é no ritmo que é dado ao jogo. Não faltam missões que nos obrigam a fazer grinding, assim como se instala alguma repetição ao longo do tempo. Para contrabalançar, a história que nos é entregue é fantástica, com uma apresentação ao mais alto nível que a Blizzard já nos habituou em muitos dos seus títulos. 

As zonas de Kul Tiras e Zandalar fazem-nos relembrar o porquê de World of Warcraft ter amealhado tantos jogadores que se tornaram fãs ao longo dos anos. Estas áreas têm as suas próprias histórias que encaixam no arco narrativo principal, tornando o jogo numa aventura de proporções épicas. A Alliance precisa de juntar todos os Clãs de Kul Tiras para vos retribuirem com a sua ajuda preciosa na luta contra a Horde. 

O ponto fraco, como já foi dito acima, são as demandas, pois são extremamente repetitivas. É-vos pedido para matar uma certa quantidade de inimigos ou apanhar uma determinada porção de materiais que serão necessários a quem vos pediu para realizarem este trabalho. Contudo, não deixa de haver uma paisagem impressionante e diversificada em Stormsong Valley, Drustvar ou Tiragarde Sound. Houve uma enorme esforço na criação das áreas da expansão, nomeadamente no que ao nível artístico e de conteúdo dizem respeito. 

Se fazer quests é a vossa atividade favorita, então vão ficar muito satisfeitos. Mas, por muito que seja revigorante fazer estas tarefas, não há novos talents ou skills entre os níveis 110 e 120 - o novo máximo. Isto tem uma razão de ser, pois há um novo item que se pode evoluir, que é conhecido por Heart of Azeroth. Aumentar o nível deste item especial permite melhorar as capacidades de três peças centrais do vosso equipamento protetor: o capacete, as ombreiras e a armadura que protege o tronco. É uma nova mecânica que requer uma atenção bem diferente da habitual. 

A nova armadura Azerite tem um propósito bastante importante para avançar para o endgame, mas o grinding que necessita ser feito remove este sentido de progressão. É uma ilusão que se esmorece devido à lentidão do trabalho que temos de fazer para obter um nível mais elevado desta armadura especial. Isto acaba por ser um objetivo que queremos atingir pelo simples facto de termos chegado a um ponto mais longe, a um ponto onde o propósito desta mecânica está prestes a ser concluído. 

No campo das novidades também há as Warfronts, que são, basicamente, uma tentativa da Blizzard para entregar estratégia em tempo real tal como o fazíamos em Warcraft 3 - todavia, a uma escala bem maior. Neste jogo, reservado para quem atingiu o novo nível máximo, a Alliance começa por controlar a zona Arathi Highlands. A partir da sua base, em Stormgarde Keep, os jogadores têm de realizar quests para ganhar novo equipamento e recursos de guerra. À medida que derrotam inimigos mais fortes recebem armadura e armas com estatísticas bastante boas - a verdadeira razão pela qual vale a pena entrar neste modo de jogo. Entretanto, a Horde está bastante ocupada na recolha de quests, na entrega de recursos e na criação de itens para a guerra. 

Nesta sétima expansão não faltam motivos para retomar a aventura de World of Warcraft. Se gostam do ritmo mais lento da realização de quests, este conteúdo é um ótimo exemplo do esforço que a Blizzard continua a oferecer ao seu título que caminha para as duas décadas de existência. Infelizmente, o sentido de progressão não tem o impacto que se queria que um jogo deste calibre precisa para chamar de volta os seus jogadores.