Longevidade é um luxo a que poucas propriedades intelectuais têm direito. Seja através de um diminuir acentuado de vendas, fatiga provocada por sucessivos lançamentos ou devido a uma sequência de entradas de qualidade duvidosa, são inúmeros os exemplos de séries que em tempos dominaram as conversas no seio da indústria e que, entretanto, desapareceram das luzes da ribalta. Para cada caso de sucesso como Mario, existem vários desaparecimentos súbitos como Castlevania e Mega Man.

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Mas mais do que a ausência de novos lançamentos, o principal obstáculo à longevidade de muitas séries e manutenção da sua relevância prende-se com a incapacidade de manterem constantes os seus níveis de qualidade com o acumular de iterações. Sim, Resident Evil e Sonic continuam a fazer parte do panorama atual, mas o seu estatuto está atualmente muito longe daquele que em tempos detinham e para isso bastaram um punhado de entradas menos famosas.

Sem a popularidade dos exemplos mencionados nos parágrafos anteriores, mas com uma longevidade assinalável que lhe permitiu celebrar recentemente o seu vigésimo aniversário, a série Worms está aí para as curvas e vai conservando uma simpática legião de seguidores, mesmo que a sua exposição mediática tenha vindo gradualmente a diminuir com cada uma das suas mais recentes entradas. Worms W.M.D. é a mais recente iteração da série que mistura uma jogabilidade de ação com estratégia e foi recentemente lançada para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

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Se leram a antevisão escrita há algumas semanas atrás pelo Filipe Urriça, estarão cientes de que a nova entrada da série tinha como principal objetivo ser um regresso à base para Worms, um regresso à formula de sucesso que cativou muitos jogadores quando a obra original foi lançada no mercado em 1995. Assumindo o controlo de uma equipa de minhocas guerreiras e equipadas com uma panóplia de equipamento militar, o jogador enfrentará diversos níveis nos quais terá de destruir todas as minhocas inimigas, fazendo uso de uma jogabilidade por turnos que confere um elemento tático e estratégico às batalhas.

Apesar de se manter bastante fiel às mecânicas comprovadas e que lhe asseguram os seus seguidores de longa data, isso não significa que não haja espaço para inovação em Worms W.M.D., muito pelo contrário. A introdução de veículos como tanques ou helicópteros e a possibilidade de construir as nossas próprias armas, granadas, misseis, entre outros equipamentos de destruição conferem uma maior variedade às batalhas, oferecendo uma maior quantidade de opções e também novos desafios que terão de aprender a contrariar.

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Para além disso, a colocação de edifícios em vários níveis capazes de manter minhocas incógnitas e protegidas apresentam também novas possibilidades para os momentos defensivos das batalhas. Ainda assim, o facto de os ambientes serem totalmente destrutíveis significa que nunca conseguirão estar protegidos durante muito tempo, incentivando por isso os jogadores a serem pró-ativos e a optarem por estratégias e abordagens mais ofensivas ao invés de jogarem à defesa.

No que diz respeito aos modos de jogo, Worms W.M.D. oferece o conteúdo expectável, ou seja, o modo treino onde poderão aprender as mecânicas básicas da jogabilidade, a campanha onde passarão a maior parte do vosso tempo com a obra e testarão as vossas habilidades, desafios desbloqueáveis que se apresentam quase como batalhas contra bosses e missões bónus de dificuldade acrescida e com características especiais. Pode parecer pouco, mas caso a jogabilidade vos cative, então terão aqui conteúdo suficiente para dezenas de horas de entretenimento.

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Como seria de esperar, a componente multijogador é um elemento importante da experiência Worms e, embora não seja tão expansiva ou interessante como poderia ter sido, oferece opções suficientes para poderem personalizar as batalhas com outros jogadores como bem entenderem e também participar em partidas tradicionais a contar para o vosso ranking online. Ainda assim, ao contrário do que sucede offline, algumas partidas sofrem com um ritmo inconsistente devido à demora compreensível entre os turnos de ambos os jogadores.

Graficamente, o título da Team17 mantem o estilo visual a duas dimensões que sempre caracterizou a série e que, apesar de não ser propriamente deslumbrante, é suficientemente sólido para oferecer uma experiência bastante apelativa visualmente, brilhando sobretudo graças à vivacidade e variedade de cenários e de cores que os pintam. Não estamos perante um portento técnico, mas sim perante uma experiência com uma identidade bastante própria e facilmente reconhecível.

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Concluindo, Worms W.M.D. é uma adição sólida à longa série de estratégia da produtora britânica que opta por construir sobre os alicerces da fórmula de sucesso que a popularizou ao invés de tentar revolucionar a experiência à qual os jogadores estão habituados. É difícil afirmar se a nova entrada justifica ou não uma nova aquisição da série caso tenham jogado uma das obras mais recentes, mas seja qual for a vossa opção, Worms W.M.D. fixar-se-á como uma das melhores iterações da série até à data.