A Nintendo Switch tem um catálogo de exclusivos invejável e amanhã, dia 29 de maio, Xenoblade Chronicles: Definitive Edition será mais um a entrar nesta lista. Contudo, podemos argumentar que já é a terceira consola a receber o jogo, por isso já aumentou a probabilidade da sua audiência ter jogado o RPG clássico da Wii e a vontade em adquirir o título pode ter diminuído.

Contudo e felizmente, a casa de Quioto sublinha novamente o seu empenho em levar a obra da Monolith Soft aos jogadores das suas consolas pela terceira vez, depois da Wii e da 3DS. Pois, agora há novo conteúdo, tanto para os fãs já familiarizados com a série como para um novo público que se quer tornar apaixonado por esta série RPG tipicamente nipónica.

Tudo começa com uma batalha de proporções épicas. Dois titãs antagónicos, em que um representa a matéria orgânica, Bionis, e outro onde reinam máquinas monstruosas, Mechonis. É precisamente nesta introdução que a produtora nipónica apresenta a escala que o jogo exibirá daqui em diante, pois os cadáveres destes titãs transformam-se no habitat de várias comunidades de seres vivos. Por exemplo, Colony 9, a terra natal do nosso protagonista, Shulk, encontra-se no início da perna de Bionis.

Há habitantes parecidos com humanos, os Homs, onde se inclui o herói da narrativa já mencionado, existem também os High Entia que partilham similaridades com os humanos e uma raça de pequenos seres vivos que parecem autênticos peluches, os Nopon. Todavia, os Mechon, que vêm do titã Mechonis, querem entrar em guerra com os Homs, colocando em risco a paz em Bionis. E é no calor da batalha que são introduzidos às mecânicas básicas de combate, quando Dunban era o herói que empunhava a espada Monado.

Shulk e os seus amigos Reyn e Fiora conseguiram reconstruir as suas vidas depois deste primeiro ataque dos Mechon. Contudo, estes robôs com uma Inteligência Artificial bastante avançada, não desistem e regressam para uma segunda ronda de ataques. Derrotá-los terá de passar pelo uso da espada Monado, que só Shulk tem uma habilidade natural para empunhá-la como nenhuma outra pessoa deste mundo.

Por isso, há um mistério por resolver em torno da espada. Assim, ao longo da narrativa vamos ficar a saber o porquê de Shulk ter esta especial afinidade com a Monado e o motivo desta ser a chave para a resolução deste conflito que parece não ter fim. Felizmente, em Xenoblade Chronicles estamos bastante motivados para descobrir estes curiosos mistérios e matar a sede de vingança de Shulk. Graças ao excelente ritmo de jogabilidade do título e da história que oscila em perfeita harmonia entre o drama e a comédia: é raro estarmos atentos à passagem das horas nas nossas sessões de jogo.

Xenoblade Chronicles brilha em vários departamentos, especialmente no da jogabilidade. O combate está bem afinado e apresenta um dinamismo bastante empolgante. Os confonrtos são todos feitos em tempo real, não há espaços para uma pausa no combate. O grosso do combate passa, sobretudo, pela escolha das habilidades a usar, assim como pelo posicionamento das nossas personagens em relação aos nossos inimigos.

No início, o combate exige-nos que façamos uma simples escolha dos ataques a infligir nos oponentes que nos fazem frente, mas mais tarde somos alertados para a importância de cada um dos ataques e assim descontar o máximo de pontos de saúde ao inimigo. Em situações de maior aperto, efetuar encadeamentos sucessivos de ataques bastantes eficientes fazem toda a diferença, porque mais vale passar para o próximo boss do que voltar a repeti-lo.

Cada personagem tem o seu próprio estilo de combate. Ao longo do jogo são introduzidas novas habilidades para podermos afinar cada vez melhor a forma como queremos encarar estes desafios. Pode parecer que o combate é enfadonho por assumir uma atitude mais passiva, mas é precisamente o contrário. Saber que podemos encadear ataques e dar uma valente sova a um boss em poucos minutos, é algo que nos incentiva a fazer todas as missões secundárias que encontramos, ou fazer a Colony 6 erguer-se das ruínas.

Sem esquecer que estamos a falar de uma nova versão do jogo, é nos detalhes que encontramos as razões mais válidas para adquirir Xenoblade Chronicles. Os pormenores estão nos menus mais limpos, na navegação mais rápida e pelo fácil acesso ao que queremos. Todavia, não foram raras as vezes que passei mais tempo a navegar pelos menus em busca da minha próxima demanda, do que a apreciar a história ou a combater. Este aspeto pode parecer mau, mas não é, pelo simples facto que estamos a avançar e a progredir na nossa forma de jogar, não estamos só a perder tempo nos menus.

Future Connected é também a razão que os jogadores veteranos vão encontrar para justificar uma nova aquisição do jogo da Monolith Soft. Percebe-se que seja por aí, porque há mais conteúdo jogável que fortifica o relacionamento entre Shulk e Melia. Também se notam algumas diferenças na jogabilidade, apesar de não serem razões suficientes para terem causado uma modificação no combate.

Tanto na Wii, como na 3DS, Xenoblade Chronicles tinha similaridades no grafismo com os Final Fantasy da era PlayStation 2. Agora, mesmo que possa haver pessoas que não gostem deste estilo mais próximo de um animé, a Definitive Edition coloca o jogo mais próximo daquilo que Xenoblade Chronicles 2 entregou. Porém, não me canso de mencionar a escala que o jogo apresenta, nomeadamente quando chegamos, pela primeira vez, às vastas planícies de Bionis’ Leg.

É de louvar a inclusão da vocalização em japonês. Comparando-a com as vozes em inglês, as vozes originais carregam muito mais emoção do que o espetáculo de estereótipos que é a vocalização ocidental. As legendas podem parecer que não estão sincronizadas com o que está a ser dito em japonês, mas continua a ser melhor manterem o original do que a tradução.

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition é precisamente isto: a versão que este clássico da Wii necessitava na sua chegada à Switch. Este pode-se considerar um dos lançamentos mais importantes da consola híbrida da casa de Quioto em 2020, até mesmo um dos lançamentos mais notáveis do ano.