Filipe Urriça por - Apr 22, 2022

Young Souls (Switch) – Análise

O multijogador local é uma das formas de chegar aos jogadores que gostam muito da interação social que os videojogos promovem através da cooperação. Há algo bastante apelativo na cooperação; ajudar e ser ajudado para uma causa comum, como o terminar uma simples missão num jogo, por mais banal que seja, é sempre recompensador pela experiência social que representa. Young Souls é um jogo que usa muito bem a cooperação para dois jogadores, que faz cada combate ser uma grande conquista mecânica e uma maravilhosa experiência social.

A produtora gaulesa que criou Young Souls tem um nome apropriado, 1P2P Studio, que encaixa perfeitamente na essência deste jogo. É uma história de dois irmãos gémeos órfãos que se veem obrigados a combater uma legião de goblins e de outros monstros que vivem no subsolo do nosso planeta. Young Souls aproveita muito bem o facto de ser um jogo cooperativo e, por isso, tem mais para oferecer se for jogado a dois do que a solo, dado que as dinâmicas da jogabilidade se revelam quando adicionamos um segundo jogador à nossa partida.

Não é por ser mais fácil ultrapassar este dungeon crawler de ação a dois que recomendo que façam as partidas desta obra francesa com mais um amigo. Nesta jogo indie, vindo do norte de França, tudo foi pensado para que uma segunda pessoa pegue num comando, nomeadamente, as mecânicas de combate, que são a parte central do jogo.

Jenn e Tristan são irmãos gémeos órfãos e sempre tiveram a impressão do mundo estar contra eles. Quando querem obter algo da vida têm que lutar arduamente para consegui-lo. O grande amigo destes dois irmãos é o seu padrasto, um cientista que foi raptado por goblins e que sempre lutou pelo bem-estar destes dois adolescentes. Portanto, os gémeos vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance para resgatar o seu padrasto, nem que isso signifique entrar numa guerra com os goblins.

A narrativa tem uma escrita cómica, mas pautada por um tom sério e emocional, por vezes o jogo aborda temas bem mais pesados do que se espera. Não são raros os momentos em que a obra nos deixa a refletir nas ações tomadas pelos irmãos, porque em ambos os lados deste conflito bélico, entre humanos e goblins, há personagens que dão bons argumentos para a guerra terminar ou continuar – nada é escrito preto no branco. Também há algumas particularidades curiosas, como um vilão que se preocupa seriamente com as baixas que sofre à força dos nosso variado armamento, os seus súbditos são importantes para a construção do seu império (mesmo que este seja maléfico). Até os próprios protagonistas são interessantes ao ponto de ficarmos estupefactos com os seus diálogos, quando não estão a falar com um vocabulário impróprio. Há uma altura que se questionam quanto ao facto de começarem a chamar o seu padrasto, o cientista que os acolheu no seu lar, por “pai”.

Combater é bom em Young Souls, pois deixa-nos com uma vontade em continuar do que simplesmente desistir à mínima dificuldade que possa aparecer. Desferir golpes (sejam leves, fortes ou através de alguma habilidade especial) tem o impacto correto, pois estes são conjugados na perfeição com as animações e os sons de todos os intervenientes do combate. O único grande problema do combate é o seu sistema de bloqueio, essencial se queremos sobreviver às inúmeras investidas dos nossos inimigos. Quando bloqueamos, amparamos o ataque de uma pesada espada contra o nosso escudo, por exemplo, mas se carregarmos no botão de bloqueio no momento certo conseguimos criar uma abertura para atacar um inimigo que ficou indefeso. Em confrontos mais exigentes, como os bosses, bloquear não é uma escolha, é uma obrigação. E é precisamente quando estamos dependentes desta mecânica que esta se revela problemática porque acertar no momento específico para criar uma abertura na defesa do nosso inimigo é algo muito inconsistente. Por isso, sucumbimos mais vezes do que o desejado quando não acertamos no bloqueio na altura exigida pelo jogo para a nossa ofensiva ser mais eficaz.

Em Young Souls, o que não falta são armas para atacar e, seja qual for a que escolhermos, todas elas conferem a mesma fluidez e dinamismo no combate. Abrir golpes na pele e rasgar carne de goblin, sem dó nem piedade, com os nossos ataques é um processo que nos deixa sempre satisfeitos. E como os inimigos da obra da 1P2P Studio têm uma dificuldade bem desafiante, acaba por ser muito divertido e recompensador combatê-los, nomeadamente, pelos espólios que deixam depois de sucumbirem à nossa habilidade de os aniquilar.

Jogar com um irmão ou com o outro é, no fundo, a mesma experiência – o que difere entre é o equipamento que transportam, previamente escolhido por quem joga. Young Souls funciona com loadouts, ou seja, podem e devem associar um conjunto de equipamento (arma, escudo, armadura, calçado e proteção para a cabeça) a cada personagem para se adaptarem às diferentes características dos inimigos que nos aparecem ao longo da aventura. Alguns inimigos têm resistências e fraquezas, assim temos de saber ultrapassar estas caraterísticas e aproveitar as suas fraquezas para os combates não terem de demorar uma eternidade.

Young Souls é divertido e utiliza bem as mecânicas Role Playing Game que tem implementado. É um jogo com uma direção artística muito bem conseguida, embora seja uma pena que tenha alguns abrandamentos na framerate que enfraquecem a experiência. É um dungeon crawler de ação muito bem equilibrado e com uma muito bem vinda dificuldade ajustável para que todos possam apreciar esta obra. Caso gostem de um brawler de conceitos clássicos, Young Souls apresenta-se como uma excelente proposta.

veredito

Um bom jogo em que lutam contra uma horda de goblins para salvarem uma aldeia prestes a ser invadida. O combate é sólido e muito divertido quando jogado a dois jogadores.
8 Variedade de armas. Escrita adequada às personagens. Boas mecânicas de combate. Falhas técnicas.

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Young Souls

para Google Stadia, Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One

Um Beat ’em Up com foco na narrativa.

Lançado originalmente:

17 de agosto, 2021