PlatinumGames é sinónimo de jogos de ação, por isso, nas primeiras horas que passei com Astral Chain esperava um título apurado neste género em que se insere e que a produtora nipónica tão bem domina. Nas primeiras sessões que passei com Astral Chain, a PlatinumGames estava com alguma timidez em me mostrar um jogo de ação com um nível de qualidade de sofisticação que era de esperar, mas acabou por revelar-se aquilo que se espera e quer da produtora de Bayonetta e Vanquish.

Não estava preparado para ver uma aproximação à abordagem ao combate que encontramos em Xenoblade Chronicles 2. Atrevo-me a dizer que estas primeiras sessões que tive com a obra da Platinum foram muito melhores do que daquelas que passei com o título da Monolith. Isto foi graças a um sistema de combate que aproxima muito mais o jogador da ação, que faz de nós uma parte ativa do combate e não um elemento passivo que controla menos características do confronto do que devia.

Num mundo em que a humanidade está a fazer tudo para sobreviver, uma força policial especial é a última esperança para eliminar monstros digtais identificados como quimeras. Os cientistas desenvolveram uma tecnologia que permitiu capturar estes monstros como se fossem uns autênticos Pokémon. Assim, a polícia agora usa estes mesmos monstros (que quando estão ao seu controlo denominam-nos de Legions) para combater outros que surgem inesperadamente através de portais que vão dar a uma outra dimensão.

Presos através de correntes, estes monstros acabam por ser uma extensão da personagem que estamos a utilizar. Começa-se com a mais simples, uma quimera que utiliza uma espada. Jogar é muito simples: a personagem tem ataques independentes do seu Legion e basta movê-lo para onde queremos para que ataque todos os inimigos que estiverem no seu raio de alcance. É um jogo da PlatinumGames, por isso a simplicidade não é o aquilo que querem alcançar, é só uma amostra daquilo que podem fazer com o conceito que produziram.

A cooperação entre homem e monstro, neste caso Legion, é o melhor que este jogo tem para oferecer durante estes primeiros momentos. A corrente não é uma simples trela, mas um instrumento de ataque muito eficiente. Esta corrente permite-nos prender momentaneamente o adversário, assim como ripostar contra ataques que antevemos antes destes nos poderem infligir dano. A cooperação joga muito com o timing de ambas as ações de combate - novamente, homem e Legion. E ainda só levantei uma ponta do pano que encobre todo um sistema de mecânicas que compõem a jogabilidade. 

Ainda é cedo para afirmar que a jogabilidade de Astral Chain é imaculada, mas como é a Platinum a responsável pela edificação desta obra, é muito provável que o venha a ser. Mais tarde, ser-vos-á permitido utilizar outros Legion, que vão certamente diversificar a jogabilidade. Progridem e vão receber créditos para gastarem na melhoria das habilidades do vosso Legion e das vossas armas. Prevê-se um jogo único, que poderá muito bem evoluir para mais tarde relembrar. 

Em termos narrativos e visuais, estes elementos não têm o mesmo valor que a jogabilidade aparenta, nestas primeiras horas, ter. O estilo artístico parece querer imitar um anime tipicamente japonês, mas a palete de cores parece não refletir a inspiração visual visto estar assente numa tonalidade bastante escura. Já a narrativa oscila entre o tom sério, como se houvesse a possibilidade de o mundo acabar a qualquer momento, como há espaço para a comédia de improviso que anula a gravidade dos acontecimentos. Contudo, ainda é cedo para avaliar a qualidade destes dois parâmetros, só no fim é que se saberá ao que é que a Platinum deu mais importância.

Para terminar, Astral Chain sabe o que quer ser e apresenta muito bem as ideias em cima da mesa. Assim como é fácil perceber o que a produtora da Bayonetta nos quer oferecer. Contudo, há muito sítios inexplorados que podem dar para o torto, ou não elevar a experiência como um todo.

Astral Chain será publicado em exclusivo na Nintendo Switch dia 30 de agosto.

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