Tal como mencionei na mais recente edição da rubrica “O que andamos a jogar" e como possivelmente alguns de vocês, no passado fim de semana tive oportunidade de passar algumas horas com a beta privada de For Honor, a nova propriedade intelectual da Ubisoft e na qual a produtora gaulesa tem colocado enormes esperanças para o futuro, especialmente tendo em conta as frequentes impressões positivas daqueles que tiveram oportunidade de testar o título em convenções nos últimos anos. Com o lançamento a aproximar-se a passos largos, o título de ação segue o exemplo de The Division e Steep e procura elevar o entusiasmo em torno da obra dando aos jogadores uma oportunidade de a experimentar pouco tempo antes da sua chegada ao mercado.

Apesar do aparente entusiasmo em redor do título, os muitos vídeos e demonstrações de jogabilidade divulgadas desde o seu anúncio na conferência da Ubisoft na E3 de 2015 nunca me convenceram sobre o seu real valor. Contudo, depois de ter tido a oportunidade de o jogar, percebo finalmente os motivos pelos quais a obra tem gerado tanta celeuma entre a imprensa especializada e os fãs desta indústria. Ainda assim, antes de partilhar as minhas primeiras impressões sobre o jogo, quero frisar que, embora tenha apreciado o meu tempo com o mesmo, For Honor está longe de ser uma experiência que satisfaça as minhas preferências no que ao entretenimento videojogável diz respeito.

Imagens For Honor Preview

No fundo, a obra da Ubisoft Montreal é um misto entre obra de ação na terceira pessoa e obra de combate. O produto final terá uma campanha a solo, mas o cerne da experiência assenta na componente multijogador, algo que, como acontece quase sempre, afastará alguns jogadores mais casuais e despertará o interesse do mais competitivos. Com um elenco de heróis divididos por três classes - Vikings, Samurais e Cavaleiros -, a jogabilidade premeia os mais habilidosos ao mesmo tempo que os incentiva a experimentar diferentes heróis para encontrarem aquele que melhor satisfaz o vosso estilo e que melhor se adapta aos desafios oferecidos pelo vosso oponente.

Pessoalmente, sou um jogador que opta pela velocidade ao invés da força bruta. Por isso mesmo, foi com os Samurais que tive mais sucesso, uma vez que me permitiram um estilo mais ofensivo ainda que em combates em espaços diminutos fiquem vulneráveis contra os ataques mais poderosos dos Vikings. A beta tinha um total de 9 heróis disponíveis, 3 para cada classe - jogo será lançado com 12 heróis -, e apesar de não ter tido oportunidade para dedicar a cada um deles uma quantidade significativa de tempo, deu para perceber que cada um deles oferece diferentes estratégias para as batalhas, estratégias essas que poderão ser mais ou menos úteis consoante o modo em que estiverem a participar.

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Participei em várias partidas, tanto online como contra bots, dos três modos incluídos na beta - 1v1 Duel, 2v2 Brawl e 4v4 Dominion -, mas cheguei rapidamente à conclusão que é no mais populado dos três que a fórmula para o sucesso de For Honor é mais facilmente identificável. Se Duel e Brawl são perfeitos para provarem a vocês mesmos e aos vossos oponentes quem é o mais habilidoso dos participantes, Dominion apresenta-se como o mais interessante graças à componente estratégica e de cooperação entre membros da equipa que está ausente nos outros dois.

Batalhas 1v1 e 2v2 são interessantes para jogadores experientes tirarem teimas sobre quem é o melhor, mas para o mais comum dos mortais podem facilmente tornar-se algo cansativas e monótonas devido à tendência dos jogadores para adotarem uma postura mais defensiva. Pelo contrário, 4v4 envolve conquistas de territórios, batalhas caóticas que veem os jogadores correrem mais riscos, nas quais as habilidades especiais de cada herói são finalmente colocadas em prática, seja para ajudar os restantes membros da equipa ou para vos dar uma ligeira vantagem durante alguns segundos. É neste modo que residem as batalhas de maior emotividade, jogadores menos habilidosos podem surpreender aqueles que não lhes dariam qualquer hipótese em batalhas 1 contra 1 e podem sentir-se úteis, mesmo que acabem por ser mortos mais vezes do que aquelas em que matam.

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Dito isto, mesmo nos modos de jogo dos quais não retirei tanto divertimento, fiquei rapidamente com a impressão de que For Honor é um jogo que aparenta ter sido construído com a comunidade eSports em mente. O combate estratégico, profundo e visceral que utiliza o analógico direito para definir a direção pela qual querem atacar o inimigo ou defender as investidas adversárias faz com que a jogabilidade assente acima de tudo na habilidade do jogador e na sua capacidade para antecipar e anular os seus oponentes. Esquivar, bloquear, parry, quebrar a defesa adversária, ataques fortes, rápidos e projeções, são algumas das ações que o jogador necessitará de dominar se quiser ter sucesso nas batalhas. Será preciso um período de tempo considerável para se tornarem competentes em todos os departamentos do jogo e caberá a cada jogador decidir se o jogo valerá a pena tal esforço.

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O potencial para o título se fixar como um novo fenómeno eSports está bem presente na experiência, mas resta saber se a comunidade está recetiva a enveredar por esse caminho e se a Ubisoft tem interesse em juntar a obra aos gigantes que dominam essa secção da indústria, sejam eles Call of Duty, DOTA, League of Legends ou o mais recente fenómeno Rocket League. Independentemente daquilo que o futuro reservará para este jogo, é importante esclarecer que, mesmo com a existência da campanha a solo, será sempre na componente multijogador que residirá o melhor e principal elemento da obra.

Em suma, a variedade de heróis, o combate brutal e altamente satisfatório, as inúmeras opções de personalização, o incentivo à experimentação através da atribuição de um sistema de progressão individual para cada herói e a Faction War, que na minha opinião precisa de ser mais destacada no produto final, são as características que farão For Honor ganhar um lugar cativo nas sessões de jogo de muitos jogadores e fazê-los regressar vezes sem conta à experiência, restando apenas saber durante quanto tempo a obra será capaz de se manter fresca e cativante numa indústria que vê dezenas de jogos todos os meses competir pela atenção do jogador.

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Por último, quero apenas mencionar alguma preocupação com a forma como as microtransações serão implementadas no jogo. Ao que parece, estas estarão relacionadas com a aquisição de moedas que poderão ser gastas para desbloquearem novos heróis e pacotes de loot que dão equipamento melhor aos heróis. Contudo, o meu tempo com a beta deixou-me algo receoso relativamente à frequência com que receberão loot e à quantidade de moedas que receberão no final de cada partida, sendo que tanto o loot como as moedas me pareceram estar a ser obtidas a um ritmo demasiado lento, algo que pode estar relacionado com a intenção de incentivar a utilização de microtransações.

For Honor chega ao PC, PlayStation 4 e Xbox One no dia 14 de fevereiro.

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