Depois de na semana passada ter dedicado algumas horas à nova propriedade intelectual e principal lançamento da Ubisoft para este mês de fevereiro, tendo saído otimista relativamente ao potencial a longo prazo de For Honor, este fim de semana foi a vez de experimentar um pouco da obra que marcará o regresso da série Ghost Recon, uma das propriedades da produtora gaulesa alicerçadas no nome de Tom Clancy, à ribalta depois de alguns anos de ausência. Por força das circunstâncias - leia-se, a dificuldade de Nioh -, a minha estadia por terras bolivianas foi mais reduzida do que aquilo que pretendia, mas isso não me impediu de retirar algumas conclusões primárias sobre o jogo.

A primeira prende-se com a aparente intenção da Ubisoft Paris, estúdio que se encontra ao leme da produção de Ghost Recon Wildlands, de querer contar uma narrativa com princípio, meio e fim, algo que fica bem evidente durante a longa cinemática que abre a beta e as várias que encontrarão depois disso. Mas mais importante que isso é a sua vontade de manter esta componente assente o melhor possível na realidade e encarando-a com uma seriedade que não seria expectável de uma obra que tem na cooperação e partilha da experiência com amigos uma das suas principais características. 

Imagens Antevisao Ghost Recon Wildlands

Enquanto jogador que prefere jogar a solo, aplaudo o esforço da produtora de oferecer um produto que vá para além da diversão caótica sem grande propósito que a sua jogabilidade pode facilmente proporcionar, contudo, não posso deixar de pensar que isto poderá levar a uma dissonância entre o tom sério da narrativa e o tom caótico, jovial e brincalhão da sua jogabilidade.

A campanha vê o jogador liderar uma equipa covert ops norte-americana que chega à Bolívia com o objetivo de desmantelar lentamente o cartel de droga Santablanca que intimidou o governo boliviano ao ponto de este ter começado a ignorar a atividade do cartel e abrindo-lhe caminho para se posicionar como principal fornecedor de droga do continente americano. Ao que parece, cada área do mapa do jogo tem o seu cabecilha, sendo que as ações do jogador passarão por realizar determinados objetivos, obter informação de forma a poderem descobrir a localização de cada um dos principais membros do cartel até finalmente chegarem ao seu líder, El Sueño.

Imagens Antevisao Ghost Recon Wildlands

Sendo este um título Ubisoft em mundo aberto, não ficarão surpreendidos quando vos digo que o mundo aberto está recheado de atividades secundárias através das quais podem obter pontos de habilidade, descobrir pontos de interesse como por exemplo os locais do mapa onde encontrarão mais informação sobre o alvo, esconderijos e postos de controlo do cartel, enfim, tudo aquilo que fará as delícias dos jogadores que adoram limpar aos poucos todos os objetivos secundários disponíveis no mapa do jogo. 

Antes de desbloquearem os vários pontos de viagem rápida, a movimentação será feita maioritariamente ao volante dos muitos veículos que encontrarão no mapa. A condução é sólida, no entanto, o tamanho do mapa e a estrutura das missões poderá levar a uma situação que é muitas vezes criticadas nas mais recentes entradas da série Grand Theft Auto, ou seja, poderão passar mais tempo a conduzir entre os diferentes locais da missão do que propriamente a batalhar com os inimigos.

Imagens Antevisao Ghost Recon Wildlands

Apesar da forte componente cooperativa do jogo, fiquei satisfeito em perceber que Ghost Recon Wildlands é perfeitamente funcional quando jogado a solo. Sim, é inquestionável que a experiência será sempre mais agradável e interessante se tiverem amigos com quem a partilharem, mas isso não significa que a inteligência artificial que controla os restantes elementos da vossa equipa seja inútil, muito pelo contrário. Não só respeitam fielmente as vossas ordens, como são eficazes no momento de abrir fogo em direção aos inimigos e de vos reavivar, sempre que tal seja necessário. De mencionar que apenas podem ser reavivados uma vez por batalha, restrição que existe claramente para forçar o jogador a ser inteligente nas suas abordagens aos confrontos com os elementos do cartel Santablanca.

Na verdade, uma das principais conclusões que retirei do meu curto tempo com a beta de Wildlands foi o facto de a experiência ser altamente personalizável. E não, não estou apenas a falar da quantidade distinta de armas que podem equipar, nem das inúmeras opções que o jogo vos oferece para melhorarem as características da vossa personagem e restante equipa através dos pontos de habilidade. Refiro-me sim à diversidade de escolhas que o título oferece no momento de enfrentarem os inimigos.

Imagens Antevisao Ghost Recon Wildlands

 Utilizando o fiel drone para se familiarizarem com o local que estão prestes a invadir e identificar a quantidade de inimigos em patrulha e as suas rotas, a escolha entre uma abordagem furtiva, que vos permita entrar e sair sem serem detetados, evitando assim que sejam chamados reforços, ou entrar a matar é vossa, mas é importante que percebam que a segunda opção vos forçará a abandonar rapidamente o local que estão a saquear antes da chegada dos reforços contra os quais dificilmente terão grandes hipóteses de sucesso.

Como é óbvio, a minha curta estadia por terras bolivianas está muito longe de ser suficiente para tirar quaisquer conclusões definitivas sobre a qualidade do produto final. Ainda assim, parece-me claro que o sucesso de Ghost Recon Wildlands dependerá, tal como aconteceu com outras obras de forte componente cooperativa - Destiny e The Division, por exemplo -, mais da sua capacidade em manter a experiência fresca e o jogador motivado para continuar sem cair num ciclo de repetitivo que tem marcado obras deste género, do que propriamente da qualidade da sua jogabilidade que, se este meu tempo com a obra for um bom indicador, será bastante competente.

Tom Clancy’s Ghost Recon Wildlands chega ao PC, PlayStation 4 e Xbox One no dia 7 de março.

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