Os últimos anos não têm sido de navegação fácil para a Platinum Games, um estúdio reconhecido pela sua capacidade para produzir alguns dos melhores títulos de ação na terceira pessoa que a indústria tem para oferecer no que diz respeito às suas mecânicas de combate. Lançado para o estrelato depois do sucesso do excelente Bayonetta, as decisões que se seguiram têm colocado em causa a real qualidade da produtora para produzir novas e interessantes propriedades intelectuais.

A exclusividade de Bayonetta 2 - que, de acordo com Pedro Martins, é excelente - na Wii U não caiu bem junto dos fãs e, como se veio a provar mais tarde, não foi capaz de provocar uma movimentação significativa de unidades de uma consola que já nessa altura não apresentava grande saúde. Metal Gear Rising, embora competente, não cativou os fãs da série de Hideo Kojima, The Wonderful 101 voltou a sofrer com a exclusividade na plataforma da Nintendo e Star Fox Zero acabou por se revelar como uma fraca prenda de despedida para os poucos que chegaram a adquirir a consola.

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Junte-se a estes títulos as três obras licenciadas - The Legend of Korra, The Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutants in Manhattan e Transformers: Devastation - provenientes de uma parceria com a Activision e que, sem surpresas, se revelaram como experiências, na melhor das hipóteses, medíocres, e percebe-se o porquê do logo da Platinum Games na caixa ter perdido algum significado. Scalebound apresenta potencial, mas os constantes adiamentos e a ausência de novidades não auguram nada de bom.

Por tudo isto, muitos olham para NieR: Automata como a obra que poderá voltar a colocar o nome da produtora no radar da indústria. Pois bem, depois de jogar e terminar a demonstração jogável disponibilizada esta manhã na PlayStation Store, fica a sensação que as preces dos fãs do estúdio poderão muito bem vir a ser respondidas através deste Role Playing Game de ação editado pelo Square Enix. É claro que nos estamos a referir apenas a uma demonstração com cerca de 30 minutos de duração, mas foram 30 minutos de grande satisfação e que aguçam o apetite relativamente à experiência que o produto final poderá oferecer.

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Assumindo o controlo da Android 2B, a demo coloca o jogador numa fábrica decadente na qual uma poderosa e perigosa arma está a ser produzida e guardada. Como não poderia deixar de ser, somos lançados às feras de forma quase imediata e após batalharem com alguns inimigos padrão e ficarem com uma noção básica dos controlos, são presenteados com um batalha contra um gigantesca lâmina mecânica que, apesar de o parecer, não é a arma que estão à procura, nem sequer chega a ser considerada pelo jogo uma batalha com um Boss propriamente dito.

Munida com espadas bem afiadas e acompanhada por um robot capaz de disparar um número - ao que tudo indica -  infinito de balas nos inimigos feitos de metal que servirão de obstáculo entre a protagonista do jogo e o seu objetivo, 2B faz o seu caminho até à batalha final, destruindo tudo o que lhe surge pela frente e comunicando com o Android 9S, outra das personagens de NieR: Automata. Embora não seja dado grande contexto às nossas ações durante esta demonstração, é importante referir que a escrita nos diálogos e o trabalho de voz está longe de ser o melhor.

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Mas mais importante que isso, esta demonstração faz exatamente aquilo que precisava de fazer, ou seja, convencer os jogadores que estão perante, não só uma obra de qualidade, como também um verdadeiro título da Platinum Games, enaltecendo e colocando sempre em evidência aquilo que a produtora melhor faz, isto é, o combate. NieR: Automata não é apenas extremamente satisfatório de controlar e acessível para que qualquer jogador se sinta logo poderoso nos seus primeiros momentos com o jogo, é igualmente propenso a momentos de enorme espetacularidade.

O combate de NieR: Automata, tal como aquele encontrado em Bayonetta, é quase tão satisfatório de jogar como de ver a ação desenrolar no ecrã, proporcionando inúmeros momentos jogáveis de ação frenética que são acompanhados por um espetáculo audiovisual notável. Disse que o combate era acessível de controlar, mas isso não significa que seja um jogo fácil. Aliás, na dificuldade normal, apenas sobrevivi à impressionante batalha final graças à quantidade simpática de itens de recuperação de saúde que tinha no meu inventário, itens que aparentemente são aplicados automaticamente pelo jogo quando estiverem em dificuldade.

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De uma forma geral, a demonstração jogável faz um excelente trabalho em dar ao jogador uma ideia daquilo que encontrará na versão completa do jogo. Os menus, embora com informação diminuta, deixam a entender que haverá uma forte componente de personalização no que diz respeito ao arsenal de armas e habilidades da protagonista, enquanto que os diferentes inimigos nos transmitem a mensagem que a estratégia que resulta contra uns poderá não resultar contra outros. Por exemplo, alguns inimigos possuem escudos antibalas que tornam as munições do robot que vos acompanha completamente inúteis e vos forçam a aproximarem-se dos mesmos e fazerem uso das vossas espadas.

Contudo, o elemento que achei mais interessante foi a forma como, ao longo da vossa exploração da fábrica abandonada, o título substitui temporariamente a câmara livre por um ângulo de câmara fixa que transforma momentaneamente a obra num side-scroller ou numa espécie de top down shooter. E o mais impressionante, é que o faz sem comprometer em nada o seu combate frenético ou a sua profundidade. Já a sequência que marca o fim da demonstração, deixa antever que não faltarão batalhas com Bosses memoráveis e que são tão boas de jogar, como são espetaculares de ver ao longo da aventura.

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NieR: Automata aparenta ser um regresso à boa forma para a Platinum Games, mas por agora resta-nos aguardar pela sua chegada ao mercado. NieR: Automata chega à PlayStation 4 dia 10 de março, 2017.

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