Este novo RPG incita a nossa curiosidade em dois pontos: o seu título (temporário) bastante estranho e o facto de ser um novo jogo dos produtores de Bravely Default. Por isso, depois de tomar conhecimento da sua existência e, posteriormente, da demonstração que ficou disponibilizada, saciei a minha curiosidade. Na minha experiência, Project Octopath Traveler, revelou-se maduro e moderno, sem nunca esquecer as suas raízes RPG que germinaram no jogo acima mencionado.

Obviamente, antes de jogar o título propriamente dito, vi alguns trailers que me elucidaram sobre a obra dos produtores que trouxeram dois dos melhores RPG à Nintendo 3DS. E o que se destacou dos vídeos promocionais foi o facto de haver oito heróis; um octeto de aventureiros que, de certa forma, se vão cruzar entre eles para a entrega de uma narrativa complexa onde a vingança e o pretérito se encontram.

Imagens Antevisao Project Octopath Traveler

Primeiro, o que salta logo à vista são os seus visuais que têm tanto de nostálgico como de técnicas modernas para manter um interesse na beleza paisagística das várias localizações que pretendem exibir. E se há talentosos artistas que gostam de exibir o que conseguem acertar tecnicamente, são estes produtores que levam no currículo Bravely Default. “Um mundo desenhado em HD-2D” é o termo que cunharam para um jogo desenhado com técnicas da escola do pixel art, como se o ambiente ganhasse uma nova profundidade. Contudo, há elementos como a água e o fogo que são salientados por efeitos mais elaborados. 

Tudo isto é realmente bonito, mas não deixa de ser complicado para quem joga perceber os limites que os autores impuseram à nossa exploração. Por vezes é mais difícil ver até onde um certo caminho nos leva, se é por ali o trajeto para o nosso objetivo ou se ficamos iludidos por uma típica “parede invisível” que indica um caminho sem saída. Mas não é demais ressalvar que os elementos que estão em conjunção servem o seu propósito: entregar uma experiência única. Não são, certamente, os primeiros a caminhar por esta escolha técnica, porém, em Project Octopath Traveler esta escolha foi acertada.

Imagens Antevisao Project Octopath Traveler

Mais importante que a técnica, é a narrativa que o jogo quer entregar. É aquilo que fica com o jogador depois de acabar este título nipónico; são vários meses para dar vida ao jogo nas redes sociais - através de vários assuntos de interesse - e nos poucos fóruns que ainda restam pela Internet. Nesta demonstração foi-nos dado a dançarina Primrose e o guerreiro Olberic, ambos com as suas valências e o seu prólogo para não só dar contexto às nossas ações, como para dar corpo às motivações que levam estas duas personagens a querer seguir fielmente os seus objetivos.

Ambos querem vingança, ou pelo menos respostas que lhes dêem definitivamente paz e serenidade. Durante largos anos, depois do acontecimento que lhes marcou a vida, não conseguiram deixar este assunto em repouso. São duas personagens que não vão salvar o mundo, mas vão salvar-se a si próprias. Porém, com Primrose e Olberic é impossível saber que ginástica será colocada no argumento para a produtora conseguir entrelaçar oito histórias e, provavelmente, torná-la numa única partilhada. E ao iniciarmos o jogo com uma personagem não sabemos as implicações que carregam para os outros sete aventureiros.

Imagens Antevisao Project Octopath Traveler

Por esta amostra, fica a sensação que este é um RPG com profundas raízes nipónicas. Há um certo charme das mecânicas RPG de um jogo com combates por turnos. A ideia de acumulação de turnos continua a ser genial e a dar um certo dinamismo às partidas; somos obrigados a pensar de uma forma diferente do habitual. Nomeadamente, por existir a fantástica mecânica “Break”. 

Todos os inimigos têm um escudo, que têm de ser quebrados com um determinado tipo de ataques, utilizando técnicas que consigam explorar as suas fragilidades. Se, por exemplo, um inimigo for vulnerável a ataques com espada, mal se atinja o número de ataques necessários para quebrar o escudo, o inimigo perde um turno por ficar atordoado. Mal isto aconteça, o jogador deve descarregar os turnos que acumulou, através do que a produtora designa de “Boost System”, para poder descontar a maior quantidade de pontos de saúde ao inimigo. 

Imagens Antevisao Project Octopath Traveler

É este jogo de exploração das vulnerabilidades dos adversários e das forças dos heróis que faz de Project Octopath Traveler um título a ter debaixo de olho. Porém, os heróis aqui não se definem apenas pelas suas histórias de passados dramáticos. Cada um deles pode efetuar uma técnica especial, que servirá para realizar objetivos muito específicos. Por exemplo, Primrose pode usar o seu charme para atrair algumas personagens e levá-las para onde precisa. 

Caso, seja necessário até pode chamá-las como aliados no combate. Esta é uma porta que se abre à especulação dos poderes interessantes que poderiam ser usados, um chico-esperto com o dom da presunção seria muito curioso utilizar em algumas missões em que se tenha de descobrir alguma informação preciosa - se é que estas venham a existir.

Imagens Antevisao Project Octopath Traveler

Project Octopath Traveler ainda é um mistério, um que será muito empolgante de descobrir. E as mecânicas que quer incluir são suficientemente aliciantes para chamar os fãs de RPG e os jogadores que não tenham uma Switch à espera de ainda mais argumentos para comprar a consola da casa de Quioto. Ainda faltam começar seis caminhos, e concluir todos os oito que o jogo supervisionado pela Square Enix pretende entregar. Depois da demonstração, tornou-se um exclusivo a seguir ainda com mais atenção.

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