Quando se estuda primeiro o hardware antes de desenvolver o software, temos direito a uma versão melhorada e bem pensada para a Nintendo Switch de Street Fighter II. Originalmente lançado para as máquinas arcada há vinte e seis anos, a sequela do jogo de luta da Capcom foi um sucesso que se estendeu às consolas Super Nintendo e Mega Drive, até hoje, na Nintendo Switch com a pomposa nomenclatura de “Ultra Street Fighter II: The Final Challengers”. Qual é a fórmula clássica para atrair potenciais consumidores a um produto que existe há tantos anos? Revitalizá-lo com mais conteúdo. Esta nova versão inclui novos lutadores, todavia são os modos de jogo que fazem deste título uma opção interessante.

Há dois novos modos em Ultra Street Fighter II: The Final Challengers: Buddy Battle e Way of the Hado. Dois modos especificamente feitos para a Nintendo Switch, duas novas formas de jogar que salientam as características da consola híbrida da Nintendo - o multijogador e os comandos Joy-Con. É por esta via que a Capcom apresenta o melhor que faz em jogos de luta aos jogadores da Nintendo Switch, apesar da série ter ficado estagnada em termos de vendas com a quinta entrada na série principal. E é precisamente disto que a consola precisa: argumentos para se distanciar da concorrência. Todavia, estes dois estão longe de serem razões de peso para os jogadores ficarem convencidos com a consola, mas quem já a possui, mesmo conhecendo a série a fundo, poderá ficar tentado em adquirir o título, mais uma vez.

Antevisao Ultra Street Fighter Switch

Street Fighter II é um daqueles casos que é fácil perceber o que quer de nós, mas que é difícil atingir o objetivo pedido em mais elevadas dificuldades ou contra adversários de carne e osso que já contabilizam centenas de horas nos dedos. É aqui que entra Buddy Battle, para agitar as águas desta convenção clássica e competitiva ao oferecer-nos uma alternativa que servirá, muito provavelmente, como treino para o imperdoável modo online do jogo. Um treino que será feito em conjunto com um amigo para ganhar resistência às investidas adversárias e obter com experiência capacidade de defesa e resposta ofensiva adequada. 

Em Buddy Battle, vocês e mais um amigo juntam-se para combater ao mesmo tempo, por exemplo, Evil Ryu (uma das duas novas personagens). Ou seja, este modo acaba por ser uma luta de dois contra um. Contudo, não pensem que esta é uma luta desigual, cada golpe aplicado ao adversário não desconta a mesma quantidade de saúde como se estivéssemos num combate a solo. Em dificuldades mais elevadas é imperativo dominar a arte de defender e atacar, nomeadamente nos timings corretos. Não têm com quem jogar? O segundo lutador pode muito bem ser controlado pela inteligência artificial, não obstante, não esperem retirar a mesma satisfação do que ter alguém a centímetros de vocês que podem provocar verbalmente. 

Antevisao Ultra Street Fighter Switch

Uma particularidade que torna Buddy Battle ainda mais interessante é a dos dois jogadores partilharem a mesma barra de saúde, para assim haver, obrigatoriamente, cuidados redobrados na aproximação ao inimigo. Se houver uma falta de atenção, o inimigo pode muito bem eliminar a dupla num ápice, sem um deles ter levado um único golpe. Nos meus melhores momentos, tratei o oponente como um autêntico saco de areia a levar murros e pontapés de um lado e do outro. Nos piores, mal conseguia encontrar uma abertura para lhe dar um dos meus ataques. 

E depois temos Way of the Hado. Obviamente que este é o diminutivo da técnica mais popular de Ryu - o Hadoken. Uma bola de fogo azul expelida depois das mãos de Ryu se juntarem e dos braços estarem estendidos para a frente, na direção do oponente, com o sempre bem audível “Hadoken!” proferido pelo seu autor. Tal como o Kamehameha de Dragon Ball pode ser reproduzido em dispositivos de Realidade Virtual, agora o famoso Hadoken de Street Fighter é uma técnica que se pode igualmente realizar em videojogo, na Nintendo Switch, com os nossos movimentos a serem o veículo desta realização. Infelizmente, o jogo banaliza por completo uma técnica que podia estar presente num modo que vai buscar aquilo que a Wii conseguiu transmitir através dos Wiimote.

Antevisao Ultra Street Fighter Switch

Sim, é tal e qual como estão a pensar. Peguem nos Joy-Con esquerdo e direito nas respetivas mãos e só têm de imitar o movimento que Ryu e Ken executam para conseguirem lançar efetuar a técnica Hadoken. Depois no ecrã de jogo, seja na televisão ou no ecrã da própria consola, fica representado o efeito das nossas ações. Como tudo, convém perceber o contexto desta atividade presente no jogo. Em Way of the Hado é-nos pedido para enfrentar hordas de inimigos sucessivos na primeira pessoa, onde efectuamos não só a técnica Hadoken como, a Shoryuken ou a Tatsumaki Senpukyaku. Um modo de jogo vulgar, onde não foram exploradas devidamente as possibilidades para haver diversão. 

As técnicas, quando os comandos foram calibrados pela enésima vez, acabam por se tornar um aborrecimento por se estar a fazer sempre o mesmo movimento. Uma, duas, três vezes - enfim, há um limite que se deve traçar. O que é em excesso nunca fez bem e estar horas a fazer exercícios que a Capcom diz serem para jogar, cansa profundamente. Não há criatividade alguma nesta secção do jogo. Até a própria direção artística muda drasticamente nesta secção, o que era de esperar, como se passássemos a ter na consola uma versão de Street Fighter IV na Nintendo Switch - o que seria uma realidade bastante interessante.

Antevisao Ultra Street Fighter Switch

E porque compraríamos novamente Street Fighter II? Pelo material original que está praticamente intacto. O que faltará, será avaliar minuciosamente a componente online, modo pelo qual se deverá destacar, seja pela negativa ou positiva, visto ser um dos locais onde os jogadores se vão refugiar das maleitas do título que se evidenciaram nestas primeiras horas de sessões.