Recentemente, voltei a jogar Donkey Kong Country, o original da Super Nintendo Entertainment System, mais conhecida pelo acrónimo SNES, na Nintendo Switch. Fazendo algumas contas, estou a jogar um título com vinte e seis anos numa consola com três. Apesar da antiguidade do jogo, Donkey Kong Country continua a ser uma obra muito moderna e jogá-lo na consola híbrida da casa de Quioto é tão bom como a primeira vez que liguei a consola com o cartucho do jogo inserido e com um comando que ainda se pode considerar bastante ergonómico.

Agora, a frustração de perder vidas é praticamente inexistente, pois podem utilizar a funcionalidade de rebobinar para regressar a um ponto anterior do jogo ou criar um ponto de suspensão a qualquer momento da vossa partida. Nesta versão da Nintendo Switch, estas funcionalidades são quase como umas batotas, porque se está a contornar o design original do jogo, fazendo das vidas que se recolhem (através de várias formas) e de Candy Kong (personagem que nos permite guardar o nosso progresso depois de conseguirmos ultrapassar metade de um conjunto de níveis) elementos irrelevantes do jogo.

As bananas para recolher, tal e qual como as moedas de Super Mario Bros., são uma preciosidade. No decorrer de um nível sinto-me uma pessoa com um transtorno obssessivo compulsivo em querer colecionar tudo o que é possível no jogo, nomeadamente as bananas, pois após amealhar uma centena delas ganha-se uma vida. Mas há outras divertidas formas de aumentar o número de vidas. Se colecionarem três avestruzes douradas, jogam um nível com uma avestruz, com as suas próprias mecânicas de movimentação. Esta ave terá de apanhar o máximo número possível de avestruzes douradas durante um curto período de tempo, no fim a cada cem avestruzes douradas recolhidas recebem mais uma vida.

Estar atento a esta parte da jogabilidade só vos enriquece a experiência. Ignorar estas particularidades, se optarem por dar proveito às ajudas que a Nintendo Switch oferece, retira para do que é especial ao jogo. Se juntarem as letras K, O, N e G recebem outra vida, mas apanhá-las é bastante complicado em alguns níveis e este pode ser um desafio extra para o jogador que é premiado pela sua capacidade de dominar a jogabilidade que foi minuciosamente desenhada. Usar a funcionalidade de rebobinar é saltar uma parte do jogo, é falhar uma parte importante do jogo.  

Donkey Kong Country exibe a genialidade da produtora britânica que agora faz parte da Microsoft, outrora conhecida por Rareware. O jogo não faz sentido em termos de lógica do que acontece no ecrã, o nível “Stop & Go Station” é um excelente nível e exemplo da falta de sentido que me estou a referir. Em “Stop & Go Station” há inimigos que parecem que podem ser derrotados, mas um único toque e morremos de imediato, a não ser que tenhamos Diddy Kong conosco, que assume a liderança depois de Donkey Kong fugir.

Neste nível, que é um dos pináculos de criatividade da equipa, temos de tocar em semáforos que desligam uns crocodilos robóticos com olhar ameaçador. E é o posicionamento dos interruptores que trocam a luz do semáforo e das criaturas que controlam onde está o verdadeiro desafio. Há algumas secções do nível em que temos de passar, obrigatoriamente, por eles e temos de ser rápidos porque estes inimigos não ficam definitivamente desligados, há um temporizador nos interruptores que os volta a ligar. É algo genial, de uma leitura simples depois de percebermos a lógica do nível.

Contudo, para um nível ser apreciado não tem de colocar sempre as nossas habilidades em cheque, ou seja, não temos de nos sentir constantemente numa ficha de avaliação em que só passamos se tirarmos pelo menos noventa porcento. “Barrel Cannon Canyon” é um dos melhores e mais memoráveis níveis deste clássico SNES, pelo simples facto de pegar num ideia simples e expandi-la sem se ver obrigada a acrescentar dificuldade só pela necessidade de prolongar a longevidade do jogo.

“Mine Cart Carnage” é outro nível que é um autêntico clássico e que, por sua vez, inspirou muitas outras obras do mesmo género ao aliar velocidade e um bom timing de salto às plataformas que temos de alcançar para manter o carrinho a rolar. Existe uma certa tensão e emoção que cresce enquanto tentamos concluir este nível pela primeira vez. É frustrante, mas sabemos que só nos sentimos assim devido a nós próprios, porque o jogo não é injusto. Os controlos não são rombos, a nossa habilidade ou os nossos é reflexos é que precisam de algum treino. No final, sentimos uma enorme satisfação por concluírmos o nível e ainda mais contentes se conseguimos juntar todas as letras.

Se têm uma SNES mini não precisam de experimentar a versão Nintendo Switch de Donkey Kong Country, que está incluído na subscrição do serviço online da consola. A não ser que prefiram jogar o clássico da Rare em viagem, que é sempre uma boa ideia, porque não há nada de melhor para alimentar o ego do que mostrar a alguém que somos bons num jogo que tem uma certa dificuldade, então se for num clássico tão conhecido como este, ainda melhor. Porém, não usem a função de rebobinar, não vale a pena num jogo deste calibre.

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