por - Jan 14, 2020

A demo de Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX não chega para termos interesse no jogo inteiro

A mais recente Nintendo Direct foi inteiramente dedicada a Pokémon e uma das dúvidas que tive relativamente ao conteúdo que seria exibido, foi em relação aos jogos que seriam abordados para além de Pokémon Sword e Pokémon Shield. Obviamente que, nos videojogos, Pokémon não se define apenas pela série RPG principal. A franquia nipónica é constituída por muitos outros títulos, nomeadamente pela série Pokémon Mystery Dungeon.

A série desenvolvida pela Spike Chunsoft já conta com cinco títulos lançados na Europa, depois de se ter estreado em 2006 na Game Boy Advance e na Nintendo DS. Por isso, a estreia já agendada na Nintendo Switch de Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX acaba por ter alguma notoriedade, o que é motivo suficiente para vermos o que vai mudar nesta versão reconstruída dos originais de 2006.

A demonstração ficou disponível no mesmo dia da emissão da Pokémon Direct. São 1,1 GB para pouco mais de uma hora de jogo. E pode-se confirmar que não existe nenhuma mudança de maior, o que há de muito diferente é a direção artística do jogo. Devido ao hardware das consolas portáteis onde nasceu a série, a Spike Chunsoft teve de recorrer a uma pixel art bastante colorida para dar a sua visão do jogo, que diverge muito da série mais conhecida.

No início do jogo, é-vos feito um pseudo-teste psicológico para o jogo escolher o Pokémon com o qual mais se identificam e que é o mais adequado para vocês jogarem. Se não vos calha aquele que querem não há problema, escolham aquele que entenderem ser a melhor opção para vocês, independentemente do resultado que vos deu no teste. A mim saiu-me um Machop, mas optei por um Totodile.

Aparentemente, somos um humano que foi transformado numa criatura Pokémon e mal teremos tempo de refletir sobre esta transformação, pois haverá quem nos peça ajuda para salvarem um filho perdido nos bosques no instante seguinte. Contudo, quando forem dormir, a vossa personagem tem sonhos estranhos sobre o fenómeno que sofreu e é nesta altura que procura respostas às suas questões relativamente a ser um Pokémon e não o humano que era.

Enfim, entra-se rapidamente naquilo que Mystery Dungeon se propõe a oferecer. Somos um grupo de altruístas que pretende ajudar criaturas a necessitar de auxílio. Na prática, vagueamos pelas dungeons, enfrentando inúmeros outros Pokémon, até encontrarmos o nosso objetivo: um outro Pokémon.

A jogabilidade tem mais alguns detalhes, mas é essencialmente este ciclo repetitivo que se faz. Curiosamente, quando nos vieram pedir ajuda para resgatar um Pokémon que estava em perigo, visto estar a ser ameaçado por outro, a demonstração terminou, ou seja, quando estava a ficar finalmente interessante, a amostra acaba.

Na minha procura por perceber o porquê de terem escolhido fazer uma nova versão deste jogo, só vejo uma única razão, se ignorar o facto da The Pokémon Company querer rentabilizar os seus recursos sem ter que criar outros originais. A grande mudança é no áspero visual do jogo, se pararmos o jogo, por vezes, parece que abrimos as páginas de um livro colorido com lápis de cor.

É curioso que no vídeo promocional que abriu a Pokémon Direct não se tenha ouvido uma única vez o que iria haver de novo em Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX. Vimos apenas um novo estilo visual e que já passaram quinze anos desde o lançamento japonês do jogo original.

Talvez a The Pokémon Company queira apenas distinguir visualmente todas as suas séries. A série principal tem um estilo muito similar a um anime, enquanto que, por exemplo, Pokémon Quest tem um estilo cúbico. Já Pokémon: Magikarp Jump tem uma direcção artística mais simplista.

Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX parece que foi todo feito em Pokémon Art Academy, tal são os desenhos das criaturas que foram pintadas à mão, ou por algum software que replica esta técnica. Este é um tipo de criação artística que apela sobretudo aos mais jovens, o que fará com que, esta forma de apresentação do grafismo aliada à simplicidade da jogabilidade, uma nova audiência possa ter alguns motivos para experimentar um videojogo Pokémon.

Este tipo de arte funciona, sobretudo, para admirar de uma forma estática. As animações não ficam favorecidas nos detalhes mas, como é óbvio, ainda há muito por descobrir neste primeiro Mystery Dungeon para a Nintendo Switch. Não é com uma hora de jogo que se pode levantar todos os juízos de valor sobre um tema tão técnico como este.

The Pokémon Company concentra os seus esforços na apresentação, quando seria muito mais valorizado uma aposta na afinação das mecânicas da jogabilidade que deu ao seu jogo. Algo mais divertido, que nos fizesse perder horas a fio sem que dessemos conta, era de louvar. Possivelmente, na hora de fazer um videojogo é o desejo do lucro e rendimento que falam mais alto.

Em suma, esta demonstração mostra pouco e o que exibe não são os seus maiores trunfos. Com esta demonstração de Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX ficamos a saber como interagir com o jogo, assim como as suas mecânicas mais básicas que tem para nós. O que realmente importa fica blindado por uma troca de quase sessenta euros e uma espera de cerca de dois meses. Em vez de mostrar elementos novos e interessantes, ficamos com o elementar e o banal. Acredito que o jogo seja bem melhor do que aquilo que a demonstração colocou à nossa disposição.

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