por - Nov 13, 2018

A dualidade de Moonlighter é o segredo para o seu sucesso

Moonlighter inova num género que tem ganho cada vez mais fama – os roguelike. Não é pelo combate, nem pelos inimigos que coloca à nossa frente que o jogo é tão bom. O título da Digital Sun é uma fácil recomendação por fazer com que os jogadores sejam, acima de tudo, hábeis comerciantes.

A vossa personagem não é um herói, mas tem a ambição de o ser. Para seguirem esta forma de viver, serem um aventureiro à procura de tesouros e de derrotar os bosses dos misteriosos dungeons da aldeia de Rynoka, têm de conseguir um financiamento que permita este estilo de vida. O dinheiro é conseguido pelo puro e simples trabalho, recolham o precioso loot das masmorras e vendam-no por um bom preço.

Se querem seguir uma paixão vossa, é muito provável que tenham de trabalhar a dobrar. Quantos não são os estudantes que trabalham para pagar propinas? Ou de jovens que têm de abdicar de uma vida a seguir a sua vocação para ajudar familiares? Moonlighter replica tão bem este lado da vida e faz deste lado trabalhoso o seu principal mecanismo para impor um ciclo de jogabilidade.

Ser comerciante neste jogo significa conhecer o material com o qual se trabalha, para assim colocar na banca aquele que mais dinheiro nos vai dar em retorno, aquele que nos vai pôr mais próximos do tão desejado melhoramento, seja da nossa armadura ou armas, que o ferreiro nos pode fazer. É com o fluxo de dinheiro que levamos que faz florescer a aldeia, que traz movimentação e vida a Rynoka. Abrem novas lojas, o nosso volume de negócio aumenta consideravelmente e, sobretudo, ficam disponíveis mais dungeons para explorar. 

Tudo isto dá alento ao jogador que não se aborrece uma única vez, estas mecânicas fazem com que o sentido de descoberta tenha um novo significado, que não tem de passar, inevitavelmente, por um processo de frustração. Moonlighter é um dos melhores exemplos de um grinding bem desenhado. Isto evita que se instale um cansaço que leva, eventualmente, à frustração. Nós próprios gostamos imenso de procurar o melhor espólio possível, para depois ser vendido ou, se tivermos dinheiro suficiente, para criar ou encantar um dos nossos equipamentos que nos vai levar mais longe nos dungeons gerados aleatoriamente.

Para o primeiro boss, o Golem King, decidi que o meu arco já estava suficientemente forte para o enfrentar – após já ter passado por várias tentativas falhadas para o derrotar. Mas ainda assim, optei por jogar pelo seguro e passar pela loja de uma feiticeira que prepara poções e que sabe fazer encantamentos para melhorar as características do objeto sujeito a este feitiço.

No último nível do Golem Dungeon resolvi perder o amor a duas mil moedas de ouro e abrir um portal que me levaria diretamente à aldeia. Assim o fiz e depois de vender os materiais da minha mochila, melhorei o meu arco e regressei à mesma masmorra através do portal que abri anteriormente. Foi o suficiente para atingi-lo a uma distância considerável e diminuir, flecha a flecha, a sua barra de saúde.

O jogo da Digital Sun tem destes momentos geniais após termos trabalhado para os conquistar. É, por isso, muito recompensador toda a jornada de processos necessários para levarmos a nossa vida de herói para onde queremos. É a nossa ambição a ficar concretizada; é o jogo que está simplesmente a recompensar quem joga.

O principal papel que desempenhamos é a de um comerciante a tentar ganhar a vida de forma humilde. Porém, esta também é a aventura de um pequeno herói que nunca se esquece das suas origens, que trabalha arduamente para obter o que tanto deseja. Comprem Moonlighter, pois é muito provável que não se venham a arrepender de jogar um dos melhores títulos do ano. Fortalece a relação com o jogador quando deve ao entregar algo que não cansa, algo que nos faz querer, literalmente, lutar pelo nosso sonho de ser herói.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments