Quando a Microsoft subiu ao palco ainda não se sabia o que a Sony e a Nintendo fariam nas horas seguintes. A gigante de Redmond, sem grande surpresa, deu grande ênfase à Xbox One X, incluindo a data de lançamento e o preço. Caso ainda não saibam, a nova consola chega dia 7 de novembro e custará 499€.

Foram muitos jogos, foram muitos teraflops. A equipa VideoGamer Portugal assistiu à conferência e escreveu as notícias. Agora que o sol se começa a pôr na E3 2017, dedicamos alguns parágrafos a escrever um veredito. O que gostamos e o que não gostamos, tudo ao longo deste artigo.

Imagens Veredito Microsoft E3 2017

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos

Para mim, este ano não houve um claro vencedor da E3. Sei que os amantes dos videojogos ficaram mal habituados com os anos anteriores, mas 2017, para mim, é um ano de continuidade. Mas falemos da Microsoft, a primeira das três grandes a subir ao palco da exposição em Los Angeles. É inevitável não mencionar a Xbox One X, até porque a casa de Redmond escolheu o novo hardware para arrancar a sua conferência.

Será a consola mais potente de sempre e certamente fará maravilhas, especialmente para quem tiver uma televisão 4K - mesmo que a Microsoft garanta que trará benefícios a quem ainda estiver na era 1080p. Não dúvido de nada disso, mas a grande questão - e a questão transversal a toda a conferência - foi a falta de foco. Se a Microsoft quer vender uma consola de 499€ tinha que ter feito um trabalho mais cirurgico na hora de demonstrar, inequivocamente, as diferenças.

Além disso, importa salientar que há muitos jogos que serão exclusivos temporários ou que também serão publicados no Windows 10. Pessoalmente, ficaram a faltar mais exclusivos, especialmente aqueles que eventualmente serão publicados pela mão dos seus estúdios internos. É verdade que foram apresentados muitos jogos - mais de 40 - e isso é um feito, mas desses quantos é que poderemos jogar apenas na família de consolas Xbox One?

Não foi uma conferência má e certamente foi muito melhor que a Bethesda e especialmente a EA. Ainda que a mensagem se tenha dissipado um pouco, há pontos positivos. Foi muito bom ter visto Metro Exodus, foi bom perceber que a Rare ainda tem talento e que Sea of Thieves parece estar no bom caminho.

Permitam-me terminar este texto com dois jogos que, sabendo que não serão blockbusters AAA capazes de movimentar milhões de consolas, foram pontos altos pessoais: Tacoma e Cuphead. Não só foi bom ter tomado conhecimento que ainda existem, como têm agora datas de lançamento. Melhor ainda é saber que já não falta muito para os poder começar a jogar. Tacoma chega dia 2 de agosto, seguindo-se Cuphead dia 29 de setembro.

Resumindo, para mim faltou foco à Microsoft. Mostraram muitos jogos, mas espremendo tudo fico com a sensação que são poucos os que poderão ser jogados apenas na dupla Windows 10/Xbox One, sendo certo que nenhum deles poderá ser jogado apenas na Xbox One. Quando a Xbox One X chegar ao mercado, a PlayStation 4 Pro já está nas prateleiras há praticamente um ano. Entre elas haverá uma diferença de 100€. A Microsoft tem que colocar os pontos nos is e dizer: “esses 100€ a mais dão-vos direito a isto e isto só pode ser encontrado na Xbox”.

Imagens Veredito Microsoft E3 2017

Pedro Marques dos Santos, Redator 

Penso que o veredito é unânime junto dos fãs e da crítica especializada: a edição de 2017 da Electronic Entertainment Expo não teve a espetacularidade de outros anos e nem mesmo o anúncio de uma nova consola, a Xbox One X, foi capaz de mitigar esse facto. De forma inteligente, a Microsoft optou por distanciar-se um pouco mais da conferência da Sony ao antecipar para domingo a sua apresentação. Isto permitiu que a produtora dominasse a mensagem e a consciência dos jogadores durante mais tempo, evitando que os anúncios da sua principal rival abafassem os seus.

Infelizmente, os anúncios da produtora norte-americana deixaram a desejar. Mas vamos deixar uma coisa clara: enquanto conferência - uma apresentação trabalhada e pensada de jogos pré-selecionados -, a Microsoft fez um trabalho bastante bom. É verdade que exagerou claramente no número de jogos apresentados - 42 é demasiado e muitos deles cairão no esquecimento rapidamente -, mas foi uma apresentação com uma boa cadência, sem demasiada conversa e com várias obras interessantes.

O problema maior desta conferência foi mesmo a seleção de jogos. The Darwin Project, Deep Rock Galactic e Super Lucky’s Tale - obras que provavelmente já nem sequer se lembrarão - parecem ter sido adicionadas à apresentação apenas pelo facto de serem compatíveis com o Mixer. Juntem-se estes a uma montagem da [email protected] apenas para aumentar a contagem de jogos e que não serve propósito nenhum para além de provar que obras independentes continuam a caminho da Xbox One - caso alguém tivesse dúvidas -, e temos uma conferência que poderia perfeitamente ter sido mais agradável se alguns títulos tivessem sido cortados da apresentação. 

As conferências são momentos especiais, não são simples locais para anunciar dezenas de jogos de uma só vez através de vários vídeos genéricos. Foi por isso que escrevi sobre a excelente conferência da Sony no ano passado. Não importa se são indies ou jogos AAA, se foram escolhidos para participar na apresentação é bom que tenham algo de muito bom ou espetacular para apresentar e, infelizmente, muitos dos jogos não corresponderam.

Dito isto, e porque não quero que pensem que não gostei da apresentação da Microsoft, porque até achei que teve uma qualidade acima da média, falemos agora dos jogos que mais me impressionaram. Para lá de Metro Exodus e Forza Motorsport 7, duas obras que provavelmente não jogarei, mas que tiveram revelações dignas da dimensão do evento, gostei de The Last Night e The Artful Escape, dois títulos independentes que já conhecia e que sem dúvida aproveitaram esta oportunidade para captarem a atenção do público geral.

No sentido oposto, as aparições de Crackdown 3 e State of Decay 2 foram algo desapontantes, especialmente tendo em conta que o primeiro esteve tanto tempo longe da ribalta e chegará já em novembro. Apesar da impressionante revelação de Anthem - mal posso esperar pelo downgrade -, o anúncio da noite para mim foi Life is Strange: Before the Storm, embora continue tão cauteloso em relação à obra como estava antes do seu anúncio oficial. Assassin’s Creed Origins, estranhamente, não me convenceu o suficiente, enquanto Shadow of War parece querer igualar ou superar a elevada qualidade do antecessor.

Para terminar, quero apenas dizer que continuo sem perceber esta nova obsessão da Microsoft e da Sony pelo 4K, principalmente tendo em conta que a maioria dos jogadores não deram ainda o salto para televisões dessa resolução. O preço de 499€ não é fantástico e a ausência de verdadeiros exclusivos não ajuda a justificá-lo, mas parece que a produtora sabe que audiência para essa plataforma é reduzida. No final do dia, o que sei é que testemunhei a consola mais poderosa, mas não recebi t-shirt nenhuma, apenas uma sensação de estar a assistir a uma máquina muito desnecessária - tal como a PlayStation 4 Pro.

Imagens Veredito Microsoft E3 2017

Filipe Urriça, Redator

A Microsoft não tardou em ter uma pré-conferência não-oficial, mediada pelo suposto jornalista canadiano Geoff Keighley onde este divulgou o preço da consola que agora é conhecida por Xbox One X. Opiniões, insultos e contestação geraram-se enquanto se aguardava pelo início da conferência da Microsoft - até foi criada uma petição onde se exigia um pedido de desculpas formal a Phil Spencer e Mike Ybarra.

Enfim, começa a conferência e o assunto principal é a Xbox One X. Uma consola tão potente que até há t-shirts que foram oferecidas com uma frase que é uma verdadeira prenda para os comentadores nas redes sociais pelas piadas fáceis que proporciona. Aparentemente, há agora testemunhas da Xbox One X. Após a consola ter sido apresentada vieram os jogos, uma enchente de jogos.

Se quisesse uma Xbox One X era pelos jogos que foram apresentados imediatamente a seguir: Forza Motorsport 7 e Metro: Exodus. Dois títulos com um ótimo aspeto, dos quais sublinho os efeitos climatéricos de Forza e a atmosfera aterrorizadora de Metro. Aquilo é realmente a melhor justificação para comprar a nova consola de Redmond. Obviamente, continuam a ser os indies que mais me interessam e está conferência não foi magra em títulos de labor independente.

Cuphead tem finalmente uma data de lançamento, um jogo que vai sobretudo ser destacado pela animação inspirada em desenhos animados clássicos. O vídeo de Tacoma foi curto, mas direto ao assunto, em agosto poderá ser adquirido, pelo menos, na loja digital da Xbox One. The Last Night também parece ser um projeto muito interessante em termos da sua estética cyberpunk.

De um modo geral, foi uma conferência muito boa, mas que para a infelicidade da Microsoft, também foi boa para quem tem uma consola da Sony ou um PC. É que a grande maioria dos títulos se não estará em outras consolas, após o contrato de exclusividade ter expirado, estará no PC.

Podem ler a nossa opinião sobre a Sony aqui e sobre a Nintendo aqui.