A Nintendo continua a fazer a sua cena na E3. Não alinha em conferências em anfiteatros com capacidade para centenas de pessoas, optando por apresentações mais pessoais. Este ano não foi excepção e tivemos oportunidade de ver - e escrever - a sua Spotlight. Super Mario Odyssey era uma certeza, sabendo-se agora que chega dia 27 de outubro à Switch.

Com menos de 30 minutos foi claramente a apresentação mais curta das “três grandes”, mas será que isso reduziu a qualidade das surpresas? A equipa VideoGamer Portugal escreve nos seguintes parágrafos sobre aquilo que mais gostou e sobre o que ficou aquém.

Imagens Veredito Nintendo E3 2017

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos 

Com uma apresentação que durou menos de 30 minutos, a Nintendo conseguiu aumentar a linha de exclusivos Switch de uma forma consistente, mas que ainda demorará algum tempo a surtir efeito. Não quero dizer que o resto de 2017 seja mau, até porque uma das surpresas foi a confirmação que Xenoblade Chronicles chega este ano, quando muitos pensavam que 2018 era inevitável.

Para mim, houve dois grandes anúncios: Metroid Prime 4 e, finalmente, um Role Playing Game Pokémon na consola híbrida. Contudo, foi pena não ter sido mostrado rigorosamente nada sobre esta dupla. Ainda assim, é fácil adivinhar que a espera ainda será longa, muito longa para os fãs das duas séries. Além disso, preferia que Metroid: Samus Returns tivesse feito parte da apresentação, especialmente porque houve algo a mostrar - jogabilidade e uma data de lançamento: 15 de setembro.

Tirando isto há a transição de várias PI para a Switch, como Kirby e Yoshi. Certamente deixou um sorriso na cara dos fãs, mas a surpresa era se não chegassem, eventualmente, à Switch. Ainda assim, não contem com esta dupla em 2017, pois a Nintendo oficializou a sua chegada no próximo ano. Aliás, os jogos nem sequer têm títulos definitivos.

Seria injusto escrever sobre este Spotlight sem mencionar Super Mario Odyssey, até porque foi o jogo escolhido para encerrar a apresentação. Ainda que esteja algo confuso, gostei do que vi. Parece, novamente, que apesar do já longo legado de obras, a série Mario continua a ter algo a dizer no departamento da inovação. Odyssey poderá ser um dos grandes jogos da próxima quadra natalícia. Pessoalmente, espero que seja mais Galaxy e menos Sunshine.

Não foi uma apresentação intemporal, tal como não foram as conferências da Microsoft e da Sony, mas sente-se que a Nintendo está a ouvir. Foi pena que Metroid e Pokémon não tivessem sido apresentados de forma mais substancial, algo que certamente será corrigido em várias Nintendo Direct ao longo dos próximos meses. Já agora, uma vez que teremos um RPG Pokémon na Switch, obviamente o próximo passo é um Mother na Switch. Certo? Certo, Nintendo?

Imagens Veredito Nintendo E3 2017

Pedro Marques dos Santos, Redator

Quem diria, ah? Quem diria que seria a Nintendo, a perpétua responsável por destruir - ou, pelo menos, adiar - todos os nossos sonhos e esperanças, a abraçar verdadeiramente o espírito da Electronic Entertainment Expo para nos entregar os anúncios mais bombásticos, juntamente com a revelação de Beyond Good & Evil 2, da principal convenção de videojogos do mundo. A Nintendo fez aquilo que nunca faz, ou seja, ceder aos pedidos dos fãs e a aposta foi claramente certeira.

Agora, dirão os cínicos - grupo no qual eu me incluo -, que a única razão pela qual a casa nipónica fez isso foi precisamente por saber que não tinha material suficiente para realizar uma apresentação capaz de corresponder às altas expectativas dos seus fãs. Basta retirarmos o anúncio do Pokémon RPG para a Nintendo Switch e Metroid Prime 4 - jogos dos quais, volto a salientar, não vimos absolutamente nada, nem sequer um vídeo conceptual -, para se perceber que a apresentação da Nintendo foi bastante pobre em anúncios reais.

Tivemos os suspeitos do costume, Kirby e Yoshi, dois títulos que, por muito bons que possam vir a ser, não serão a razão que ninguém apontará para finalmente adquirir a consola híbrida, e tivemos novos vídeos sobre obras que já conhecíamos, mas nem aí a Nintendo fez os mínimos. Se critiquei a Sony pela falta de datas de lançamento concretas, tenho de aplicar a mesma lógica à apresentação da produtora nipónica. Para lá de Super Mario Odyssey, nenhum título, nem mesmo aqueles que supostamente chegarão ainda em 2017 como Fire Emblem Warriors, Xenoblade Chronicles 2 e Rocket League, receberam uma data de lançamento precisa.

Perante tudo isto, a Nintendo mostrou ter aprendido algumas coisas com a apresentação da Sony em 2015 e decidiu premiar os fãs com a confirmação, e foi mesmo só uma confirmação, de que o muito aguardado Pokémon RPG para uma consola caseira e o regresso de Metroid estão efetivamente em produção. Por muito que me apeteça criticar a forma como estes anúncios foram feitos, prefiro tirar o meu chapéu de crítico por uns segundos e simplesmente rejubilar, como tanto outros fizeram, com o facto de os meus desejos relativamente à série Pokémon parecerem estar finalmente a ser correspondidos.

Em suma, tivemos uma apresentação pobre em anúncios substanciais relativamente ao que já conhecíamos, mas rica em surpresas para que tudo valesse a pena, o que não deixa de ser algo irónico tendo em conta que, a dada altura na apresentação, foi dito que se iriam focar em obras com lançamento em 2017. Continuo a não ser fã do formato Nintendo Direct, mas isso é matéria para outra altura, contudo, a Nintendo superou claramente as minhas expectativas e fez-me acreditar que parecem mesmo ter aprendido algo com o fracasso da Wii U.

Imagens Veredito Nintendo E3 2017

Filipe Urriça, Redator

Para a apresentação da Nintendo Spotlight E3 2017, a casa de Mario preparou algumas surpresas, algumas delas inesperadas, mesmo que desejadas pelos jogadores há largos anos. Nesta apresentação a Nintendo foi direta ao assunto: exibir os seus jogos que serão lançados no máximo durante o próximo ano.

Adorei saber que estão a ser produzidos um novo Metroid Prime e um título Pokémon no género RPG para a Nintendo Switch. Não houve um vislumbre do trabalho que está a ser feito, infelizmente, só se sabe mesmo que estão em fase de desenvolvimento. Talvez assim não tenham que estar reféns daquilo que mostraram numa fase tão precoce. Uma estratégia que alguns gostam e outros acham não ser apropriado para uma E3.

Há também um Kirby e um Yoshi, já muito mais próximos daquilo que vão realmente ser, por isso houve uma pequena amostra do que será o produto final. E ainda muitas outras apresentações de títulos que ainda chegarão este ano: Fire Emblem Warriors, Rocket League, Xenoblade Chronicles 2 e o prometido conteúdo adicional de Breath of the Wild. Porém, os dois grandes títulos do Nintendo Spotlight foram Mario + Rabbids: Kingdom Battle e Super Mario Odyssey.

É provavelmente mais uma resposta aos que afirmam que a Nintendo está estagnada em termos criativos, sem largar a sua mascote. O que é certo é que estes são dois títulos em que Mario é a estrela e a criatividade fala mais alto. Um deles é uma colaboração com a editora gaulesa e uma das suas propriedades mais rentáveis na Wii e a Nintendo, enquanto que o outro é mais uma aventura que tem pouco das convenções clássicas da série. Mario, graças ao seu peculiar chapéu, pode passar a controlar dinossauros, inimigos e, por mais bizarro que pareça, humanos. Um chega em agosto e o outro dois meses depois. É assim que gostava que todas as apresentações fossem feitas, porém sem que os habituais indivíduos que criam a sua carreira com base na divulgação de informação confidencial estraguem surpresas deste tipo.

Com apenas trinta minutos, a Nintendo conseguiu ser interessante e gerar motivos mais que suficientes para se adquirirem as suas consolas. Ou melhor a Nintendo Switch. A 3DS ficou relegada para receber novidades após o vídeo essencial que a Nintendo decidiu dar maior destaque.

Podem ler a nossa opinião sobre a Microsoft aqui e sobre a Sony aqui.