A Sony foi a segunda das três grandes a mostrar aquilo que tem andado a fazer nos últimos meses. A umas proibitivas 02h00 começamos a ver o fio condutor daquilo que chegará à PlayStation nos próximos meses e, sabemos agora, especialmente em 2018.

A equipa viu a conferência com atenção, escreveu as notícias que saíram de Los Angeles e reuniu agora alguns parágrafos sobre aquilo que gostou e aquilo onde a Sony vacilou. Foram vários jogos mostrados, mas será que foram suficientes para nos conquistar a curiosidade? Leiam os próximos parágrafos.

Imagens Veredito Sony E3 2017

Pedro Martins, Diretor de Conteúdos

Um dos principais inimigos da Sony em 2017 foi aquilo que fez em 2015 e 2016. Compreensivelmente, as expectativas para a conferência da Sony eram elevadíssimas. Em 2017, a casa nipónica jogou um baralho sem os trunfos dos anos passados e, tal como a Microsoft, teve uma conferência sólida sem fazer cair muitos queixos.

A principal falha da Sony foi mesmo não anunciar nada de verdadeiramente novo. Sim, há a expansão para Horizon, há um remake de Shadow of the Colossus e Monster Hunter World, mas o grosso da conferência foi mostrar mais do que já era conhecido. 

God of War, Spider-Man e Days Gone parecem estar a ficar obras exclusivas de grande calibre, mas é um trio que não chegará ao mercado em 2017, com a Sony a mostrar várias obras que estão a mais de meio ano de distância ou que simplesmente não têm data de lançamento. O que levanta a questão: A PlayStation 4 vai enfrentar a quadra natalícia com que grande exclusivo? Gran Turismo: Sport? (Nota de Editor: Knack 2?)

Seria injusto não mencionar que há vários jogos multiplataforma que têm na PlayStation o seu principal parceiro de marketing, mas serão sempre jogáveis noutras plataformas, mesmo que não recebam conteúdo exclusivo. 

Isto não quer dizer que o que foi mostrado não me tenha despertado a vontade de o jogar. Além do trio de jogos mencionado e mesmo que Beyond não tenha sido um sucesso retumbante, quero jogar Detroit. Já tinha escrito há um ano e volto a dizer: A Bend estar no caminho certo para entregar o início de uma boa nova PI. O tema podem ser os zombies e há parecenças com The Last of Us, mas é um mundo que há muito me captou a atenção, especialmente sabendo-se agora que o arco narrativo não assumirá um papel secundário.

Para concluir, não sinto que tenha sido uma má conferência, mas a maior loucura foram as pessoas presas ao tecto e não uma ou duas grandes novidades. Importa não esquecer este ponto: A Sony não tem que colocar todos os ovos num cesto, pois há um PlayStation Experience em dezembro, local onde podem ser feitos anúncios e onde é quase certo que vários destes jogos ganhem dias de lançamento. 

Para já, venha daí Uncharted: The Lost Legacy.

Imagens Veredito Sony E3 2017

Pedro Marques dos Santos, Redator 

Tal como referiu o Pedro Martins no início da sua participação neste especial, a Sony foi de facto apenas prejudicada pelo seu excelente trabalho nas duas conferências anteriores na E3. 2015 foi o ano em que sonhos se tornaram realidade. Final Fantasy 7 Remake, Shenmue 3 e um The Last Guardian renascido das cinzas transformaram o que seria uma tradicional apresentação em algo para contar aos filhos daqui a uns anos. 2016 foi o ano em que a Sony deu uma verdadeira lição em como fugir à monotonia em que estas apresentações por vezes caiem, apresentando de forma interessante e cativante todos os títulos, independentemente dos gostos ou preferências pessoais de cada jogador.

2017 foi, essencialmente, uma sequela de 2016. A execução foi novamente de mestre - e melhor terá sido para aqueles que a viram ao vivo -, mas quando chegamos ao final percebemos que faltou algo, faltou aquilo que faz da E3 a E3, isto é, as surpresas. Sim, houve Shadow of the Colossus e Monster Hunter World, mas os mais atentos ao que se vai passando na indústria já estavam à espera que tal acontecesse, sobretudo relativamente à nova entrada da série da Capcom. Não houve jogabilidade ou sequer um vídeo de The Last of Us 2 ou Death Stranding, nem novidades acerca da obra em que está a trabalhar a Sucker Punch, produtora de InFamous.

O espetáculo audiovisual em que consistiu a apresentação foi interessante, mas são as surpresas que ficam gravadas na nossa memória e, infelizmente, este ano não houve muito disso. Houve, ainda assim, um departamento onde esta conferência deixou a desejar relativamente ao ano passado. Refiro-me à qualidade dos vídeos apresentados. Como disse no texto referente à Microsoft, os vídeos que são incluídos numa apresentação da E3 têm de ser especiais, têm de merecer essa presença fazendo algo de diferente para que não se percam no barulho. E este ano foram várias as obras que ficaram aquém nesse esforço.

Destiny 2, Call of Duty: WWII, Star Child e Bravo Team são alguns exemplos do que não fazer numa situação destas, vídeos genéricos que podiam ter sido divulgados num outro qualquer dia, mas que caíram rapidamente no esquecimento. Percebe-se que a Sony tenha de manter os parceiros na Activision satisfeitos e continuar a mostrar a aposta no PlayStation VR, mas estas obras não fizeram por merecer a oportunidade que receberam. Por sua vez, Moss - o jogo do pequeno e adorável rato - e The Inpatient destacaram-se pela positiva.

Estou certo que fãs de Monster Hunter World adoraram o anúncio, mas o vídeo não me convenceu minimamente. O mesmo se aplica a Marvel vs. Capcom: Infinite, Skyrim VR e Final Fantasy XV, outras obras que apresentaram vídeos fracos e não foram capazes de cativar aqueles que não pertencem à audiência que os jogará. O melhor exemplo da qualidade da conferência do ano passado é que conseguiram fazer com que eu tivesse assistido a quase 10 minutos de jogabilidade de Call of Duty: Infinite Warfare, obra na qual não tenho, não tinha e não terei interesse, sem nunca me aborrecer. Estes títulos não conseguiram fazer isso. A própria expansão de Horizon Zero Dawn, um jogo que adoro, precisava de um vídeo mais espetacular.

No que diz respeito aos exclusivos, God of War continua absolutamente divinal e desta vez focou-se numa narrativa que promete ser bem mais especial do que aquela que marcou a trilogia original, enquanto que a jogabilidade de Spider-Man mostrou potencial, mas ainda não respondeu a todas as minhas cautelas. Já Days Gone revelou maior profundidade do que no anúncio do ano passado, mas tal como Detroit: Become Human, obra na qual cada vez estou mais interessado, foi prejudicado pela ausência de qualquer espécie de janela de lançamento.

Eu tenho uma teoria relativamente à razão pela qual nenhum dos títulos teve um “2017” ou “2018” e não, não é porque acho que só chegarão em 2019. Na verdade, é exatamente o contrário. Não ficaria muito surpreendido se os dois títulos chegassem ao mercado antes de God of War e, principalmente, de Spider-Man. Para mim, o motivo da ausência de uma janela de lançamento prende-se com o facto de ambos ainda poderem vir a ser lançados durante o atual ano de 2017. Contudo, devido ao historial recente da PlayStation com adiamentos, a produtora terá preferido esperar para não correr o risco de ter que os adiar no futuro.

Esta teoria ganha força se pensarmos que todas as obras que receberam datas foram confirmadas para 2018, com a exceção a ser Gran Turismo Sport, cujo lançamento foi prometido para o outono de 2017 durante o Pre-Show da conferência (Nota de Editor: Outra vez, Knack 2?). Seria interessante - e algo suicida - receber estes dois títulos ainda este ano, especialmente tendo em conta que o final do ano começa já a ficar bastante carregado de pesos pesados que vão vender muito mais do que qualquer exclusivo conseguiria. É esperar para ver.

Imagens Veredito Sony E3 2017

Filipe Urriça, Redator

A conferência de imprensa da Sony na E3 2017 foi uma deceção para quem já estava habituado às surpresas que nos têm oferecido ano após ano. Porém, está longe de ser uma má apresentação, simplesmente não foi espetacular ou memorável como as duas edições da feira de Los Angeles anteriores. Esta conferência de imprensa conseguiu desvanecer o hype, a euforia de termos no futuro, bem longínquo, jogos como Shenmue III, Final Fantasy 7 Remake ou God of War.

Contudo houve a proeza de apresentar duas grandes surpresas: uma vinda da Capcom e outra da Bluepoint Games. Já que não temos Deep Down, com o fabuloso motor de jogo Panta Rhei, temos o bem mais promissor título Monster Hunter World. Gosto bem mais desta proposta por  ser algo mais palpável, um conceito que já conheço da série lançada nas portáteis da Nintendo, mas como é uma obra exclusiva para hardware mais composto, será curioso ver como é que se vai desenvolver ao longo do tempo; principalmente aquilo que será o produto final.

Já a produtora texana, aliou-se à Japan Studio para entregar, novamente, uma edição moderna de Shadow of the Colossus. A primeira dizem ter sido um remaster, enquanto que esta nova versão PS4 afirmam ser um remake. Por  isso fica a questão: “O quê que vai ser alterado do original que será tão diferente para se considerar um remake?”. Resposta que fica para reservada para 2018.

Call of Duty: WWII tinha obrigatoriamente que aparecer, visto o acordo da Activision feito com a Sony se estender para além de Destiny. Longe de ser interessante, este Call of Duty parece um retrocesso àquilo que nos queríamos afastar, contudo agora voltamos com um grafismo fantástico. E isso é o que realmente importa à Activision: espetáculo e entretenimento, em detrimento de algo mais robusto em outras áreas igualmente importantes.

Quanto às propriedades intelectuais exclusivas, é bom saber que teremos mais Uncharted, mais Horizon Zero Dawn e mais The Last of Us. Todavia, este último foi o que se notou mais na conferência, por estar ausente e por Days Gone fazer o papel de um jogo pós-apocalíptico em palco.

No cômputo geral, a conferência da Sony foi boa, mas longe do que já alcançou. Gostava de ter visto a companhia nipónica a dar o mesmo foco à PS Vita, como está agora a dar ao PSVR. Ainda por cima quando executivos da Sony dizem que é uma “plataforma viável”. E por falar de uma consola que foi praticamente entregue aos indies: Onde estavam eles?

Podem ler a nossa opinião sobre a Microsoft aqui e sobre a Nintendo aqui.