No passado fim de semana resolvi experimentar Satisfactory, o novo jogo da Coffee Stain Studios que está disponível em formato Early Access na Epic Games Store. Tinha planos para verificar as funções básicas e regressar à obra dias depois. No entanto, dez horas depois descobri que há algo de compulsivo na forma como descobrimos as mecânicas do título.

Mesmo antes de começarmos o processo de exploração, o jogo pede-nos para escolhermos um de três cenários: Grass Fields, uma vasta área aberta que permite uma construção mais fácil, ainda que as distâncias sejam longas; Rocky Desert, a área que mais equilibrada em termos de distâncias e facilidade de construção; Northern Forest, cenário onde a construção é mais complicada, mas onde há mais biomassa disponível.

Depois de fazerem a vossa escolha, Satisfactory é claramente uma obra que retribui quanto mais lhe derem. Temos que encontrar o sítio perfeito para construirmos o nosso HUB, ou seja, a nossa base de operações. Diz o senso comum que deverá ser uma área ampla e com acessos fáceis, contudo, aqui há outro factor a ter em consideração: escolham uma área que fique o mais próximo possível dos recursos que não demorarão muito tempo a minar.

Nem todos os recursos estão disponíveis inicialmente, contudo, passadas algumas horas já terão à vossa disposição Iron, Copper, Limestone, Coal. A viga que sustenta a obra tem tanto de simples como de viciante: os recursos podem ser transformados em itens e esses itens são necessários para criar outros itens num patamar superior. Mesmo o nível mais básico está dependente desta fórmula: o Miner MK1, que serve como estação para minar automaticamente determinado recurso, precisa de um Portable Miner, de Iron Rod e ainda de Concrete.

Como provavelmente já terão percebido, cada um desses itens precisa de várias matéria-primas para ser criado - no Craft Bench ou na Equipment Workshop. Tudo começa com a vossa picareta a retirar minério enquanto adivinham que vão regressar a esse mesmo local para iniciarem a automatização. A criação - ou crafting, se preferirem - é apenas parte da diversão, pois a grande sensação de recompensa de Satisfactory está nessa mesma automatização.

Retirar o recurso é apenas o início do processo, pois é preciso decidir o que fazer com ele. Nesta fase inicial, graças aos Smelters, Constructors e Assemblers, é possível retirar o “minério”, transportá-lo ao longo de tapetes rolantes e transformá-los no que mais necessitamos para os projetos que temos em mãos - até ao momento, o mais satisfatório foi construir um enorme Space Elevator. As missões estão explicadas num Hub Terminal que temos na base e que permite ir acompanhando a matéria que temos que criar para passar ao nível seguinte.

Depois do início em que temos que seguir aquilo que o jogo coloca à nossa frente, Satisfactory permite escolher a ordem pela qual queremos realizar os diferentes Milestones, sendo que os mesmos desbloqueiam recompensas diferentes, entre os quais estão novas construções, mas também paredes e rampas, ou algo que me deu particular interesse seguir: uma motosserra e um veículo que é possível conduzir e automatizar mais à frente.

É possível que neste momento se estejam a interrogar sobre a utilidade de uma motosserra neste tipo de jogos. Bem, as nossas construções consomem energia e é necessário passar fio e postes eléctricos para fazer-lhe chegar a energia. Inicialmente, são as folhas e madeira que são usadas para criarmos biomassa, pelo que a motosserra facilita consideravelmente a recolha dessa matéria-prima. Posteriormente, a biomassa dá lugar ao biofuel, que é na mesma queimado, mas de uma forma muito mais eficiente. E se continuarem a jogar chegarão ao carvão, o que permite criar também um Gerador em vez dos queimadores de biomassa. É fácil adivinhar que haverá ainda mais transformações com o passar do tempo.

Satisfactory é também um jogo generoso, ou seja, praticamente com cada Tier desbloqueado há sempre a sensação não só de progresso, como a de que a recompensa justificará o planeamento e a execução. E não é construir à sorte para lá chegar, pois esse planeamento passa pela união e pela divisão dos tapetes (Conveyor Mergers e Conveyor Splitters), o que desperta genuinamente o lado lógico e prático do jogador. É a tal automatização e, sobretudo, a forma como a obra vai edificando sobre as bases que são explicadas no início.

A forma como os recursos vão sendo apresentados no mapa e a forma como não há escassez de recursos se aplicarem um bom planeamento, fazem com que Satisfactory permite alguns itens bónus. Por exemplo, podem construir uma torre de vigia para terem uma vista melhor sobre o vosso trabalho e, consequentemente, percebem para onde se podem expandir. Depois de cinco, seis, dez horas, o local de jogo está praticamente irreconhecível face ao planeta que era quando lá chegaram.

Este ciclo torna-se rapidamente viciante não só pela já mencionada tentação das recompensas, o elusivo sentimento de ver o que está para chegar, como pela enorme satisfação de ver as máquinas a trabalhar. Acompanhar o desenvolvimento de um processo que começa a ter pisos tamanha é a empreitada. A automatização permite-nos não sair de cena, mas sim colocá-la em segundo plano depois de ciclicamente apreciada enquanto nos focamos no futuro.

Ainda que esteja em formato Early Access e que a produtora avise que podem encontrar erros, a Coffee Stain Studios fez um trabalho técnico sólido. O grafismo mistura as cores vibrantes dos cenários com o detalhe mecânico das máquinas, o que resulta na tal imersão e contemplação. Ainda que seja uma proposta na primeira pessoa, ocasionalmente há alguma falta de precisão a colocar as peças, mas não é nada que estrague a experiência.

Estas são as primeiras impressões, mas se tivermos em consideração que ainda há muito para explorar, que há a franca hipótese da produtora adicionar mais conteúdo, e se compreendermos que a fauna e a flora pode ser analisada para obter recompensas, então é fácil ter esperança no colosso em que Satisfactory se pode transformar. E importa não esquecer que as sessões de jogo podem ser “atacadas” no multijogador cooperativo. Se o apoio continuar e se a comunidade continuar investida, só o futuro sabe que segredos e que delicada maquinaria Satisfactory reunirá.

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