The Legend of Zelda: Link's Awakening poderá ser um dos melhores lançamentos do ano e cativa o jogador logo pelo seu aspeto - apesar de este ser um tema que desenvolveu grandes debates nas redes sociais. De uma certa forma, este remake parece ter um estilo artístico que imita brinquedos de plástico e acerta nos sentimentos de uma grande aventura que quer transmitir. Parece um mundo imaginado pela fotógrafa britânica Alice Anderson, conhecida como Curious Herring no Instagram.

É muito fácil dizer que o remake de Link’s Awakening poderia ser muito mais do que é, que os produtores podiam ter libertado muito mais as suas mentes criativas. Aliás, é por ser um remake e não um remaster que este jogo, reconstruído do original da Gameboy, poderia ter um grafismo menos limitado.

Todavia, é por ser baseado na versão Gameboy e por terem mantido a estrutura em grelha do original que não podia ir muito além do que os jogadores queriam. Link’s Awakening fica, na realidade, entre um remake e um remaster, o que dificultou aos jogadores perceberem a visão que a Nintendo teve para o título. Breath of the Wild é um dos mais bonitos jogos da Nintendo Switch, mas não se adequa nada ao design do jogo de Link’s Awakening.

As minhas primeiras sessões abriram-me a curiosidade para ver tudo o que foi feito aqui, é absolutamente fantástico por onde passei até agora, um verdadeiro regalo pra os olhos. Áreas como a praia Toronbo Shores ou a floresta Mysterious Woods deixaram-me boquiaberto com os efeitos que foram implementados, para além do bom aspeto que tem.

A iluminação é completamente diferente nestes dois locais que citei como exemplo. Na praia, temos o sol a iluminar todos os detalhes, desde a água (que flui perfeitamente em ondulações contínuas), passando também pelo brilho das folhas das árvores tropicais. E claro, todas as sombras que a própria luz produz sobre os objetos em que incide também estão muito bem pormenorizados.

Já a floresta tem uma tonalidade mais escura, sem deixar de ter efeitos que surpreendem. Há um nevoeiro permanente que delimita a floresta, como também um chão irregular onde estão espalhadas as folhas das árvores que caíram para lá ficar. Enfim, são detalhes em que vamos reparando, mas que dão forma a uma aventura de grandes proporções.

As dungeons são igualmente admiráveis, do ponto de vista gráfico. A Tail Cave está dividida em várias pequenas salas, iluminadas por tochas de um fogo bastante realista. Até enfrentarmos o boss Moldorm, passamos por salas com um desenho intricado, para nos perdermos e encontrarmos mais tarde - depois da lógica de Tail Cave ficar compreendida. Também os interiores da dungeon têm o efeito de aspeto plástico, como tenho vindo a assistir. O que não é mau, antes pelo contrário, assim serve para cimentar a coesão da visão artística do jogo.

As animações também são muito boas, o que dá uma certa vida a estas personagens que parecem brinquedos, tal é a fluidez dos movimentos. No entanto, foram poucos os inimigos de maiores dimensões com os quais ainda me cruzei. Por isso, ainda é difícil adivinhar se o padrão de movimentos, num momento de luta, vai quebrar essa fluidez. Esta minha dúvida existe porque o jogo obedece a uma disposição em grelha dos seus elementos, algo que torna um pouco estranho só nos podermos mover com o analógico e não com os botões direcionais.

Não é só o aspeto gráfico que tem de apelar, mas também um design coerente, que se mantém fiel a princípios e a filosofias de design do jogo. Visto ser um jogo para a Nintendo Switch construído a partir de um clássico da Gameboy, poderá haver problemas se não houver o cuidado de transpor e adaptar a obra para uma consola totalmente diferente, apesar de partilharem entre elas a portabilidade.

Pessoalmente, tenho a convicção de que esta foi uma excelente decisão de terem avançado com este estilo artístico. Não agradará a gregos e troianos, mas esta não é a primeira vez que a Nintendo é alvo de críticas por parte dos jogadores e que mais tarde se renderam ao estilo visual. Link’s Awakening tem tudo para o novo Wind Waker desta geração no que à estética diz respeito.

The Legend of Zelda: Link's Awakening será publicado em exclusivo na Nintendo Switch dia 20 de setembro.

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