por - Feb 21, 2015

Apresentação de The Order: 1886 à imprensa

Às dez e meia da manhã, num dos principais pólos noturnos da cidade de Lisboa, as ruas continuam a apresentar vestígios da madrugada universitária que até há bem pouco tempo ali se tinha instaurado, transformando um ambiente que agora volta a transparecer a acalmia e serenidade que uma vista para o Tejo pode oferecer.

O coração do Cais do Sodré foi, desta feita, o local escolhido pelos representantes da PlayStation Portugal para oficializar toda a informação até agora divulgada sobre o novo menino dos olhos da casa nipónica. O primeiro exclusivo deste ano, que desde cedo fixou a ripa da expectativa num encaixe claramente ambicioso, procurando captar os jogadores com as suas premissas de um enredo multifacetado em temas e uma componente técnica soberana no que até agora tinha sido feito na PlayStation 4.

Para defender essa imagem, a PlayStation Portugal assegurou a construção de um quartel-general à imagem da época, caracterizando um dos armazéns da zona com uma mescla de elementos representativos da Londres do século XIX, que faziam cada novo visitante esquecer a vista ribeirinha e mergulhar por alguns instantes num ambiente mais sóbrio e propício à conversa com os produtores do jogo e à experimentação da própria peça, The Order: 1886.

The order evento

Andrea Pacino, Chief Technical Officer da Ready at Dawn, não se esforça por esconder o amor ao estúdio que o próprio co-fundou em 2003 enquanto dá os primeiros passos no estrato reservado à apresentação. O italiano parece conhecer The Order: 1886 melhor que ninguém e transmite aos presentes o cerne dos elementos da obra, explorando matérias relacionadas com o estúdio e reservando ainda algum tempo para demonstrar, em tempo real, algumas das sequências de ação protagonizadas pelos cavaleiros da ordem.

Entre os adereços que decoram o palco improvisado, Andrea prossegue explorando o enredo de The Order: 1886, ciente de que este se trata de um dos argumentos menos ortodoxos que a indústria viu nos últimos tempos. Há alguns séculos atrás, os seres humanos começaram a evoluir através de dois ramos distintos, tendo sido criado um intervalo evolutivo entre as típicas criaturas das quais descendemos e os recém-criados half breeds, cuja conjugação de inteligência com força sobre-humana ditou que reinassem na sociedade.

Sem querer adiantar muitos mais pormenores, é ainda sabido que esta separação pôs em causa a serenidade da sociedade londrina do século XIX, e cabe a uma ordem ancestral de cavaleiros restaurar a serenidade, recorrendo a um extenso arsenal de tecnologia de ponta que a revolução industrial fez explodir, bem como uma substância misteriosa conhecida como Black Water.

The order evento

O processo criativo que esteve na origem de um conceito desta complexidade foi rapidamente explicado pelo italiano. Ru Weerasuriya, o outro cérebro da Ready at Dawn também presente no local, viaja pelo mundo numa busca por locais que garantam a inspiração e envoltura suficientemente capazes de hospedar um universo imaginário tão extenso como este. Num processo de pré-produção que envolve a construção escrita de todo o enredo do jogo, o produtor oriundo do Sri Lanka ainda consegue conjugar um sem número de pormenores provenientes de outros intervalos temporais.

Ainda assim, ao contrário do que poderá ser dado a entender por muito do conteúdo disponibilizado pela editora antes do lançamento do jogo, a maioria dos elementos de The Order: 1886 – e em particular todo o arsenal disponível – apresentam um conceito de “futurismo” algo diferente daquele a que a maioria dos jogadores poderá estar habituado através do contacto com outros produtos desta indústria. Como o próprio Andrea fez questão de frisar, a tecnologia presente em praticamente todas as armas da obra existia na realidade da época, apenas não tinha sido conjugada daquela forma.

Esse é um dos pontos principais de um catálogo de pormenores que assegura o estabelecimento de um compromisso entre veracidade física, precisão histórica e o mundo fantástico que também faz parte do jogo. A presença de personagens históricas como Nikola Tesla é outra dessas marcas, propondo ligeiras alterações ao rumo da vida real e conhecida do inventor croata.

The order evento

Teoria à parte, fomos convidados a colocar o conhecimento recém-adquirido à prova, iniciando uma sessão de maior proximidade com o jogo através dos sistemas disponíveis no local. Tendo em conta que a jogabilidade apresentada se dividia em pequenas demonstrações isoladas, torna-se pouco sensato tentar tirar ilações em relação à forma como o enredo realmente funciona na prática, entre outros pontos de maior complexidade.

O que é certo, porém, é que The Order: 1886 garante uma experiência imersiva e detalhada desde os primeiros minutos, com ligeiros pormenores técnicos que de facto poderão vir a desafiar os compêndios da nova geração. Não obstante, o ritmo da ação na maioria das cenas ficou aquém das expectativas que eu próprio tinha definido para um jogo do género, num caminho ao qual também se juntou a pouca variedade do mesmo.

As mecânicas de movimentos assemelham-se em muito àquilo que os jogadores mais experientes já viram noutros exclusivos da Sony e cujas réstias de hábito ainda poderão jazer nas pontas dos dedos. Todo esse sistema está ao nível daquilo que seria de esperar para um atirador na terceira pessoa, que aqui não introduz nenhuma novidade digna de nota.

The Order: 1886 encontra-se disponível em Portugal desde o dia de ontem. A análise do VideoGamer Portugal será publicada muito em breve, por isso mantenham-se atentos para conhecerem o veredito final que esmiuça a nova obra da Ready at Dawn. Até lá, disponibilizamos o vídeo de lançamento do jogo.

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