Filipe Urriça por - Dec 24, 2018

Brawl Stars é um bom Battle Royale sem precisar de se colar a Fortnite

A finlandesa Supercell lançou recentemente o seu quinto jogo, Brawl Stars. Este lançamento tem o mesmo propósito das suas anteriores obras: a produtora escandinava procura manter os seus lucros na ordem dos mil milhões de Euros para que os seus investidores continuem felizes com a aposta que fizeram numa produtora que cria grandes êxitos para os sistemas operativos de smartphones. No cômputo geral, a Supercell quis realizar a sua interpretação daquilo que um jogo para dispositivos Android e iOS pode ser nos populares géneros que dominam o PC: os MOBA e, mais concretamente, os Battle Royale. 

A Supercell ainda não deixou de fazer bons jogos pensados exclusivamente para smartphones, ou seja não são meras adaptações de sucessos comerciais entretanto criados. Brawl Stars, contudo, não deixa de ser o resultado de um recolher de informações das tendências que os jogadores agora seguem. Por isso, não é de estranhar a Supercell tentar a sua sorte com elementos, ou mecânicas, que estão no cerne da jogabilidade de Fortnite ou Playerunknown's Battlegrounds.

Após terem ultrapassado o tutorial prévio à vossa primeira partida, são convidados a experimentar Pique-Gema – o modo de jogo no qual são introduzidos ao novo multijogador da produtora finlandesa. Em batalhas de três contra três, o vosso objetivo passa por recolher as pedras preciosas roxas que são cuspidas do poço para o mapa do jogo. E se conseguirem aguentar quinze segundos com dez gemas ganham a partida. A palavra-chave em Pique-Gema é mesmo “aguentar”, porque tanto vocês como o inimigo têm de fazer de tudo para que sejam os primeiros a acumular essa quantidade exigida de gemas, caso contrário, terão de eliminar a concorrência para que estes deixarem como vosso espólio o que recolheram. 

É divertido jogar Brawl Stars neste modo de jogo, é uma boa forma de conhecer as intenções da Supercell para o resto do jogo. O “trabalho” do jogador passará por encontrar o equilíbrio e alterá-lo a seu favor. Jogos destes são muito complicados de equilibrar, encontrar o balanço perfeito é praticamente impossível, o que nós acabamos por querer é uma forma de termos vantagem, de podermos ser os mais fortes até que alguém descubra uma brecha na nossa estratégia. Afinal de contas, o equilíbrio é algo temporário que pode ser alterado ao longo do tempo. 

São quase três dezenas de personagens que estão ao vosso dispor para desbloquear. Este sistema é um dos princípios fundamentais dos jogos multijogador da Supercell. Joguem mais, vençam (preferencialmente) ainda mais e são recompensados com personagens e pequenas vantagens. Mas joguem também para ficarem habituados a ganhar baús do tesouro, como já o fazem em Clash Royale. Uma vez familiarizados com todos estes processos, ficam com uma noção e hábitos diários de jogo, como se Brawl Stars fizesse agora parte da vossa nova rotina. 

Onde o quinto título da Supercell mais brilha é em Showdown, que foi vulgarizado para português com a nomenclatura de “Combate”. Este é o verdadeiro modo Battle Royale no sentido mais direto do género popularizado por Fortnite. Jogam a solo, e não em equipa, contra outros jogadores. Aqui o objetivo passa, obviamente, por eliminar todos os outros jogadores até serem o último vivo. 

Porém, em Combate há uma peculiar mecânica que o torna mais interessante. Enquanto o perigo do fumo aperta os jogadores para o centro do mapa, há tesouros que podem ser abertos para se recolher cristais verdes. Estes, uma vez na vossa posse, permitem infligir mais dano e ter uma barra de saúde ligeiramente maior. Esta mecânica acaba por tornar o jogo divertido e colocar a atenção em mais do que a própria sobrevivência. 

O grande problema de Brawl Stars que comecei a sentir foi a paciência que requer para encontrar o ponto de equilíbrio e alterá-lo a meu favor. As personagens sobem de nível e, por isso, de capacidades físicas. O matchmaking tem de estar perfeitamente funcional para que o desequilíbrio não se sinta de imediato, para que não nos sintamos injustiçados por alguém ter uma personagem de um nível bastante superior ao nosso. 

Enquanto que Clash Royale está, evidentemente, a tentar ser um Hearthstone para smartphones, Brawl Stars tenta ser um Fortnite. Contudo, ambos os títulos têm originalidade quanto baste que os mantenham afastados de comparações diretas. O futuro do jogo depende inteiramente da compreensão que a produtora tem da sua audiência. Clash Royale está praticamente irreconhecível entre o dia em que foi lançado e a última actualização que recebeu. Acredito solenemente que com o passar do tempo, a Supercell não vai só conseguir o que quer com o jogo, como vai influenciar a criação de outros.

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