No dia 18 de fevereiro fomos visitar a casa da Nintendo em Lisboa a convite do próprio Jorge Vieira, Relações Públicas da Nintendo Portugal. Fomos para uma sessão de três horas para um primeiro contacto com a consola, os seus jogos e, claro, para entrevistar o Jorge.

Nestes quinze minutos de entrevista, tocámos vários pontos de interesse, nomeadamente nas particularidades do nosso mercado. Também foi curioso tomar conhecimento do hábito de compra de videojogos. 

O que é certo, é que dia 3 de Março chega uma nova consola ao mercado e ainda existem dúvidas sobre este produto de entretenimento híbrido entre o caseiro e o portátil. É precisamente essa característica uma fonte de incertezas como de grande despertar de curiosidade.

Por sinal, os produtores nacionais visitaram a sede da Nintendo Portugal para experimentar a consola. Como tal, não podíamos ter deixado passar essa parte em branco. Como é que estes reagiram à experimentação da consola? Leiam mais abaixo a entrevista na sua íntegra e saberão muitas curiosidades que antecedem o lançamento da Nintendo Switch.

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VideoGamer Portugal (VG): Qual é a estratégia delineada pela Nintendo Portugal para dar a conhecer a consola ao público português? 

Jorge Vieira (JV): Para nós obviamente é super importante que as pessoas possam experimentar a consola. Daí já estarmos a fazer estas sessões de apresentação da consola aos jornalistas, retalhistas, distribuidores e, por exemplo, esta semana vamos ter também uma série de passatempos para trazer cá fãs da Nintendo e outros jogadores para experimentarem a consola - a partir do lançamento da consola vamos continuar obviamente. Este vai ser um foco para que as pessoas possam perceber as particularidades da consola, visto ser um pouco diferente do habitual. E as próprias pessoas têm algumas dúvidas relativamente à questão de ser uma consola ligada à televisão que se transforma em portátil, por isso nada melhor do que experimentá-la para dissipar essas dúvidas.

Depois em termos de campanha de marketing, já arrancamos com uma campanha de televisão, em digital e vamos apostar muito forte nas próximas semanas para que as pessoas conheçam o que é a Nintendo Switch, que percebam rapidamente o conceito da consola. E ao longo do ano teremos de continuar a explicar o quê que os jogos têm de diferente, como por exemplo a questão do 1-2-Switch. Perceber que não é preciso a televisão para montar uma festa em qualquer lado, o caso do Zelda que é um jogo mais “gamer” que pode ser jogado na televisão mas a qualquer momento podem levar a consola com eles e jogar em qualquer lado. 

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VG: Irá a Nintendo manter a aposta na localização dos seus títulos em português europeu? 

JV: Neste momento os jogos que estão previstos para o lançamento não vão estar em português e normalmente a questão da localização é sempre feita na Nintendo caso a caso. Por exemplo, na Wii U tínhamos jogos como o Mario que eram localizados, mas The Legend of Zelda nunca foi localizado, Pokémon para a Nintendo 3DS nunca foi localizado. Neste momento não há planos para isso, mas não quer dizer que no futuro não possa vir a acontecer. Simplesmente, a decisão de tradução, é feita sempre caso a caso, título a título.  

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VG: A Nintendo Portugal está ou vai trabalhar junto dos produtores nacionais para os incentivar a criar os seus trabalhos na Nintendo Switch? 

JV: Ainda ontem (17 de fevereiro) tivemos uma sessão com uma série de produtores como a Nerd Monkeys, o David Amador da Upfall, a Dream Studios. Nós neste momento não temos nada anunciado, que esteja a ser produzido para a Nintendo Switch especificamente. O que há é um programa de apoio à criação de jogos para a Nintendo Switch, que vai estar em vigor a partir do lançamento da consola. E obviamente que para nós seria interessantíssimo termos estúdios portugueses a, pelo menos, apresentarem projetos e criarem ideias para a consola como o David Amador e a Upfall fizeram com o Quest of Dungeons (lançado a 29 de setembro na eShop da Wii U e da 3DS). 

O processo de criação, ou seja, o processo de apoio aos estúdios, não passa diretamente pelas filiais de cada país, nós temos é uma equipa na Nintendo of Europe que é responsável pelo apoio aos estúdios independentes. O que nós fazemos é a ponte com a Nintendo of Europe para que estes estúdios tenham acesso a devkits, a ferramentas de desenvolvimento. 

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VG: E que feedback receberam dos produtores portugueses que vos visitaram para experimentar a Nintendo Switch? 

JV: Ficaram muito surpreendidos com a versatilidade da consola. Todos já tinham informações e visto os vídeos, mesmo assim depois de experimentarem ficaram surpreendidos de como era tão rápida na questão da transição do modo TV para o modo portátil. Ficaram surpreendidos com os comandos Joy-Con, todos eles tinham a ideia que eram um bocadinho pequenos. Tinham dúvidas de como as pessoas se iriam adaptar, mas depois de jogarem 1-2-Switch, Super Bomberman R, Splatoon 2 ou Mario Kart 8 Deluxe em modo portátil foi quase unânime que os comandos funcionam na perfeição. Obviamente para eles que fazem jogos multijogador ficaram a pensar “como é que vou conseguir adaptar alguma das nossas ideias à questão dos dois comandos?”. Como a consola traz dois comandos de raiz é logo uma mais valia se tu tiveres um jogo multijogador, não precisas de estar preocupado em comprar um segundo comando. Isto foi uma das coisas que mais gostaram. Tecnicamente, gostaram muito. Por exemplo, no modo portátil elogiaram muito o ecrã. 

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VG: Das informações que já recolheram, em Portugal, há mais interesse na Nintendo Switch do que com a Wii U? 

JV: Sim. Em termos de feedback, tem sido claramente mais positivo. Mas isso, a nível de retalhistas todos eles estão a desafiar-nos para eventos de lançamento à meia noite ou campanhas especiais. Mesmo a nível de jornalistas há muito mais contacto. Querem saber mais informações, quais são os jogos principais dos primeiros meses e quando vão estar disponíveis. Por isso, comparativamente com a Wii U diria que sim, há muito mais interesse. 

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VG: Acha que o público português vai perceber que a 3DS e a Nintendo Switch, que pode ser jogada como uma portátil, vão coexistir no mesmo mercado? 

JV: Eu acho que sim, na medida que acabam por ser consolas para públicos um bocado distintos, logo à partida por terem preços diferentes. A questão de que se a Nintendo 3DS vai continuar a ter viabilidade com a Nintendo Switch que se pode transformar numa portátil tem-me sido feita várias vezes, à qual eu respondo que normalmente isso vê-se logo pelas vendas. Nós cá em Portugal, no ano passado, quer a nível de hardware quer de software as vendas subiram. Normalmente o que acontece é que o ciclo de vida das consolas ao fim de algum tempo as vendas começam gradualmente a decrescer. No nosso caso, em Portugal, não se passou isso. Tudo depende do software, que acaba por vender hardware. 

O ano passado tivemos o fenómeno Pokémon, toda a gente acabou por pegar nele. Já este ano vamos ter em abril Yo-Kai Watch 2, que foi um jogo que nós lançamos no ano passado - o primeiro -, que resultou muito bem com a série de desenhos animados e que é algo que nós sentimos que já existe novamente um grande interesse este ano. Depois temos uma série de jogos anunciados para este ano. Temos um novo Pikmin, em especial para a 3DS, temos um novo jogo Mario que é o Mario Sports Superstars que vai sair agora em março. Já tivemos o Dragon Quest, o Yoshi. Portanto, os jogos continuam a surgir e a ser anunciados e assim a Nintendo 3DS vai acabar por coexistir com a Nintendo Switch, tal e qual como neste momento temos as amiibo e os jogos para telemóvel. Basicamente, são linhas de produto diferentes onde a Nintendo continua a apostar fortemente. 

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VG: Na sua opinião acha que falta um grande título multiplataforma para o lançamento da Nintendo Switch?

JV: A questão dos títulos multiplataforma depende sempre do apoio que as empresas third-party dão depois à consola. Normalmente, o que eu faço é a comparação com o lançamento de todas as consolas e não se vê um único título multiplataforma. Normalmente, as third-party esperam para ver o que vai acontecer com o futuro da consola. No início do lançamento da consola é a própria first-party que representa os títulos mais fortes. Isso passa-se com a Nintendo como com qualquer outra empresa do mercado. O que acontece é que as third-party preferem aguardar algum tempo para lançar os seus jogos para não haver esta concorrência que existe uns com os outros. A Nintendo tem noção que tem de ser ela a “puxar a carroça” para que os outros venham lançar os seus jogos para a consola. 

Imagens Entrevista Nintendo Switch

VG: Para terminar a entrevista, pergunto: Qual é o seu jogo favorito da Nintendo Switch? 

JV: (Risos). O meu jogo favorito? É muito difícil. A resposta óbvia é o Zelda. Mas daqueles todos que já estivemos aqui a experimentar, eu tenho dois que me deixam particularmente satisfeito. Um é o Snipperclips, que é um jogo para jogar a dois e que é o segredo mais bem escondido da Nintendo Switch. O outro é o 1-2-Switch, para jogar com mais gente. Aqui tivemos uma amostra dos desafios que vão estar disponíveis. Mas quando se experimentar a colecção completa, o jogo tem desafios mesmo "levados da breca". E acho que para jogar com os amigos e a família é o jogo perfeito para demonstrar os comandos.

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