por - Jun 25, 2018

Conquistar o Sonho do Mundial em FIFA 18

“Conquista o Sonho!” É esta a mensagem de motivação da Equipa das Quinas na missão Rússia 2018. Assim, e tal como tantos outros já o terão feito por esta altura, parti em busca desse tão desejado sonho da única forma que me é possível, ou seja, através do Campeonato do Mundo disponibilizado gratuitamente em FIFA 18, a mais recente entrada da série da Electronic Arts. O objetivo era ver Portugal levantar a taça no Estádio Luzhniki, na capital russa de Moscovo.

Tendo em conta, a minha inexperiência com o título em questão, o ataque ao caneco foi realizado com o onze inicial escalado por Fernando Santos na sofrível partida contra Marrocos da segunda jornada do Grupo B. Rui Patrício na baliza, Cédric, Pepe, Fonte e Guerreiro na defesa, William e Moutinho no centro do meio-campo, Bernardo e João Mário nas alas e, finalmente, Guedes e Ronaldo na frente. Importa também mencionar que as partidas foram disputadas na dificuldade Profissional, uma opção que se mostrou acertada apesar de algum facilitismo inicial.

Na verdade, foi logo na fase de grupos que comecei a perceber que talvez tivesse sido demasiado modesto em relação à minha habilidade em FIFA 18. Apesar de apenas uma das partidas terem terminado com um resultado dilatado, as dificuldades nunca se fizeram sentir verdadeiramente. Três jogos, três vitórias, nove pontos e 1º lugar do grupo. A abertura contra a Espanha revelou-se um desafio interessante, tendo inclusivamente começado a perder desde cedo. 

Depois da reviravolta, a Espanha ainda conseguiu reduzir perto do final, o que gerou o sofrimento habitual para os portugueses. 3-2 foi resultado final com dois golos de Guedes e um de Ronaldo. O apuramento para os oitavos-de-final ficou selado logo à segunda jornada, quando abalroei Marrocos por 4-1. Ronaldo voltou a faturar, mas a estrela foi Moutinho que bisou, tendo o resultado ficado fechado com um golo de João Mário. Mais difícil foi o encontro frente ao Irão, em grande parte devido à minha falta de eficácia. 

Ainda assim, um pénalti de Ronaldo acabou por fixar o marcador em 2-1 para os portugueses. O golo inaugural tinha sido obtido por José Fonte. A fase de grupos chegou assim ao fim sem grandes surpresas de maior. Contudo, houve espaço para a Argentina falhar o apuramento no grupo que viu a Nigéria e Croácia seguir em frente, enquanto que o Grupo F viu a Suécia juntar-se à favorita Alemanha no apuramento e deixar o México de fora da fase a eliminar. No grupo do Brasil, foi a Suíça que acompanhou a seleção de Neymar, superando a seleção sérvia. De resto, os favoritos seguiram todos em frente.

No que diz respeito à lista de melhores marcadores, Izquierdo da Colômbia liderava a tabela com 5 golos, seguido de Ronaldo, Messi, Payer – este falhou o Mundial por lesão -, Smolov, Forsberg e Werner, todos com 3 golos em 3 jogos. Seguia-se agora o mata-mata. Portugal enfrentava a Rússia já depois da Espanha ter eliminado o Uruguai e de a França ter afastado a Croácia da competição.

Frente à equipa da casa e no palco da final, Portugal voltava a vencer de forma tranquila e novamente com os dianteiros a fazer a diferença. Guedes e Ronaldo voltaram a marcar, sendo que este último levou para casa o prémio MVP na vitória por 2-0. Nos restantes jogos dos oitavos, a Dinamarca bateu a Nigéria, o Brasil superou a Suécia, a Bélgica eliminou a Colômbia nos pénaltis, a Alemanha enviou a Suíça para casa e a Inglaterra ganhou pela margem mínima à Polónia.

Nos quartos-de-final, ainda antes de Portugal entrar em ação frente à Dinamarca, a Espanha eliminou a seleção gaulesa, enquanto a Bélgica causou o primeiro choque da fase a eliminar ao bater nos pénaltis o Brasil. Mais ao estilo nacional, a partida contra os nórdicos foi um teste ao sofrimento, uma vez que Portugal iniciou a partida a perder e chegou a estar perto de uma desvantagem por 2-0. No entanto, o suspeito do costume voltou a marcar para levar o jogo empatado ao intervalo.

A segunda parte trouxe mais desperdício nacional que se arriscava a ser castigado num contra-ataque dinamarquês. Tal não aconteceu e o golo da vitória acabou por aparecer, já dentro dos 10 minutos finais, saído do pé direito de André Silva que havia entrado para o lugar de Guedes no decorrer da segunda parte. 2-1 foi o resultado final. João Mário o MVP. Na partida que faltava realizar, a Alemanha destruiu a Inglaterra por 4-1 e marcava encontro com Portugal nas meias-finais.

Na outra meia-final e pelo terceiro jogo consecutivo, a Bélgica levou o confronto com a Espanha até aos pénaltis, mas desta vez acabaria mesmo derrotada perante a seleção de Hierro. Se contra a Dinamarca, o sofrimento já havia sido algum, contra a Alemanha foi elevado para um novo patamar. O 0-0 ao intervalo era enganador. Ambas equipas procuravam os golos, mas os guarda-redes e os ferros, sobretudo os ferros, prevaleciam. A segunda parte trouxe os tão desejados golos. 

Guedes abriu as hostilidades após passe de rotura de Moutinho. Mas durou pouco a vantagem nacional, uma vez que na sequência de um livre, que viu a bola embater no ferro, Khedira aproveitou a confusão na área para reestabelecer a igualdade. Não haveria mais golos, embora Reus e Ronaldo tenham voltado a acertar nos ferros, até ao final dos 90 minutos e foi o prolongamento que trouxe todas as decisões. 

Felizmente, o deus do futebol – leia-se, eu – estiveram com os portugueses e o suplente de luxo André Silva voltou a colocar os conquistadores na frente, numa vantagem que não mais seria largada, apenas ampliada por uma grande penalidade de Ronaldo já nos descontos, o que lhe assegurou mais um prémio de Melhor em Campo. Chegávamos assim então à final do Mundial. A conquista do sonho a apenas uma vitória de distância. A Alemanha assegurava o lugar no pódio ao bater a Bélgica e Cristiano Ronaldo tinha já o Troféu de Melhor Marcador garantido.

O coração bate mais forte neste momentos. Os adeptos nas bancadas mantêm a mesma expressão pouco expressiva que os caracterizou ao longo do torneio, um tipo de adepto que parece ter colocado todo o seu entusiasmo na pintura da cara e chegado já cansado ao estádio. Da mesma forma que começou, assim terminaria o Mundial, isto é, com mais uma batalha ibérica em solo russo. A Espanha de Sérgio Ramos, Isco, Iniesta, David Silva e Diego Costa frente ao Portugal de Cristiano Ronaldo e… Guedes(?), talvez.

Pouco importava. Tal como Pessoa escreveu em Mensagem, o povo português não se contenta. Quer sempre mais. E esta era a hora para fazer história. De Portugal conquistar o Quinto Império. Não religioso, porque os tempos são outros, mas sim futebolístico, fazendo de Portugal não só Rei da Europa, mas Rei de tudo o resto, rei do Mundo. Mais uma vez, 0-0 foi o resultado ao intervalo, mas a Espanha tinha sido melhor. Diego Costa já atirara ao ferro e a posse de bola espanhola ia desgastando a Seleção Nacional.

Na segunda parte a história foi diferente. Portugal equilibrou. Os contra-ataques começaram a sair com mais frequência à medida que o cansaço espanhol aumentava. Até que surgiu o primeiro momento de êxtase na Arena de Luzhniki e era para o lado que mais contava. William Carvalho, esse médio ofensivo que apenas tem uma velocidade decidiu aproveitar o espaço livre e irromper por entre os centrais espanhóis para inaugurar o marcador. O final aproximava-se a passos largos. A vitória parecia estar no bolso. Só que não estava.

Minuto 88. Livre para Espanha. David Silva é o eleito para bater o livre. Ao lado desde está Jordi Alba, pronto para uma segunda bola. No arranque para a bola percebeu-se, David Silva não ia tentar enfiar a redondinha no ângulo. Não, o seu propósito era colocar a bola para Jordi Alba fuzilar as redes. O que seguiu depois foi FIFA no seu estado mais puro. Bola contra a barreira que resulta numa assistência perfeita para Busquets só ter de encostar frente a Rui Patrício. 1-1. Apito Final. Prolongamento. Outra vez.

Com as substituições já gastas, o que seguiu foi um jogo desgarrado em que a falta de discernimento foi a nota dominante. A pressão cada vez menos eficiente à medida que o cansaço aumentava tornava o tiki-taka espanhol cada vez mais frustrante. Felizmente, a pontaria não estava afinada e Portugal sobrevivia, aproveitando todas as oportunidades para contra-atacar e colocar em sentido a defesa espanhola. Até que aconteceu mesmo. 

Em mais um dos inúmeros passes de rotura para Cristiano Ronaldo, as pernas de Sérgio Ramos cederam finalmente e o avançado português surgiu isolado frente a De Gea e com uma nação inteira no seu pé direito marcou o seu sétimo golo na prova e o título que selou a conquista do sonho. Portugal era Campeão do Mundo. Ronaldo o melhor marcador da prova. Bernardo o melhor em campo na final graças às duas assistências.

Assim terminava a história do meu Portugal no Campeonato do Mundo da Rússia 2018. Era tão bom que o nosso Portugal conseguisse o mesmo desfecho, não era? Basta sonhar.

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