Dance of Death: Du Lac & Fey pode não ter um título propriamente apelativo, mas desde o anúncio da sua data de lançamento no passado mês de fevereiro que o seu conceito peculiar colocou-o no radar da equipa do VideoGamer Portugal. Para fortalecer o interesse e expectativa em relação à obra também contribuiu de forma decisiva o facto da sua produtora, a Salix Games, contar nas suas fileiras com talento proveniente da Lionhead e da Rocksteady, incluindo o guionista responsável pela narrativa de Batman: Arkham Knight.

A precisamente um mês do seu lançamento oficial, tivemos oportunidade jogar uma versão ainda em desenvolvimento dos capítulos iniciais do jogo e as primeiras impressões são positivas. Acima de tudo, esta amostra realça o potencial da obra para entregar uma narrativa cativante suportada por protagonistas bem caracterizadas e um mistério que nos levará a conhecer uma enorme diversidade de personalidades distintas que nos transportam para a época em que a história tem lugar.

Dance of Death tem lugar em 1888, na Londres vitoriana, e numa época onde Jack the Ripper vai colecionando vítimas e aterrorizando as noites de Whitechapel. Os protagonistas são Sir Lancelot Du Lac, um herói imortal que em tempos foi o fiel escudeiro de King Arthur, e Morgana Le Fey, feiticeira e irmã do rei que após uma tentativa forçada de usurpação do poder foi vítima de uma maldição que a obriga a viver o resto dos seus dias na forma de um cão cuja fala apenas é compreendida pelo seu companheiro de viagem.

Os primeiros minutos do jogo fazem desde logo um excelente trabalho em estabelecer estas personagens, com a escrita a proporcionar imediatamente interações cativantes entre os dois. Apesar do seu passado atribulado e das constantes picardias entre ambos - quase sempre provocadas pela personalidade forte de Fey -, o título consegue transmitir com sucesso a ideia de que existe aqui uma relação de cumplicidade e até de amizade entre este duo de personagens amaldiçoadas com a imortalidade e que partilham a companhia um do outro há uma eternidade.

Ajudando os locais a resolver problemas que envolvem por vezes o sobrenatural em troca de moeda, Du Lac e Fey apresentam-se assim como uma peculiar equipa de investigação para casos igualmente peculiares e macabros. Com Fey ainda à procura do responsável pela sua maldição, essa perseguição leva-os então até Londres, seguindo as visões de Du Lac. É já em Londres que se apercebem da série de homicídios que vão assolando a cidade e assim encontram um novo caso para investigar. 

Infelizmente, esta amostra inicial não mostra muito em termos das mecânicas principais da obra. Sabe-se que a obra terá segmentos com opções de diálogo que levarão a caminhos narrativos divergentes, que haverá segmentos de combate e também de puzzles, mas nenhum desses elementos tem uma presença forte naquilo que tivemos oportunidade de jogar, pelo que se torna para já difícil perceber a eficácia com que estes serão executados. Sendo uma aventura Point & Click também importa descobrir se o ritmo não abrandará demasiado em alguns momentos, algo que se verifica num dos capítulos a que tivemos acesso.

Esse capítulo acompanha a outra personagens jogável: Mary Jane Kelly, uma residente de Whitechapel. Apesar do segmento em que estamos no seu controlo ser marcado por algum aborrecimento, Mary Jane também se apresenta como uma protagonista bastante cativante e com a qual queremos passar mais tempo durante a aventura. Por caminhos distintos que inevitavelmente se cruzarão, os três estão a trabalhar na investigação a Jack the Ripper e será interessante ver as interações que as suas diferentes personalidades produzirão.

Como é óbvio, para além da qualidade da escrita, também a qualidade do trabalho de voz é indispensável para que as personagens ganhem vida e mais impacto junto do jogador e do que nos foi dado a jogar esse departamento não foi descurado. O grafismo também se mostra competente, contrastando cenários que parecem pintados à mão com uma modelagem 3D das personagens sólida. Ainda assim, é preciso mais para perceber se a obra conseguirá capturar devidamente a atmosfera da era em que se inspira.

Desta forma, Dance of Death: Du Lac & Fey revela-se cativante muito graças à qualidade da escrita, das suas personagens e da história que pretende contar. Contudo, os possíveis trunfos da sua jogabilidade estão praticamente ausentes desta amostra, não permitindo compreender como é que as escolhas nos diálogos afetarão o desenvolvimento da história e se tanto o combate, como os puzzles terão mais preponderância na aventura.

Dance of Death: Du Lac & Fey tem lançamento marcado para o dia 5 de abril no PC.

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