Pedro Martins por - Jan 14, 2019

De Mario a Coelharápio: O enorme alcance da diversão em Super Mario Bros. U Deluxe

Ao longo das várias plataformas que vai lançando, a Nintendo sabe que tem nas suas Propriedades Intelectuais pedras basilares. Tem sido assim ao longo do tempo, contudo, também não é menos verdade que o insucesso comercial da Nintendo Wii U não permitiu a alguns títulos exclusivos atingir o público que a casa nipónica estava à espera, pelo que não é grande surpresa ver algumas das obras outrora pertença do catálogo Wii U darem o salto para a coqueluche que é a Nintendo Switch.

Depois de títulos como Captain Toad e Mario Kart 8, na passada sexta-feira, 11 de janeiro, foi a vez de New Super Mario Bros. U ganhar uma nova casa – e adicionar Deluxe ao título. Entre as novidades estão rostos adicionados ao elenco, nomeadamente, a Toadette e o Coelharápio. Contudo, estas novas hipóteses na hora de escolher a personagem têm um impacto direto na jogabilidade da obra se essa for a vossa vontade.

Além das duas novidades, os jogadores podem também optar por Mario, Luigi e Toad – que pode ser amarelo ou azul. Uma vez que New Super Mario Bros. U Deluxe (Análise) conta com multijogador para até quatro jogadores em simultâneo, as novas personagens acabam por ser o aumentar do alcance do público-alvo e, consequentemente, do número de jogadores que pode retirar diversão do título – sem terem que fazer muito para partilhar as sessões de jogo.

Tanto a Toadette como o Coelharápio contam com habilidades únicas. Ou melhor, com a completa alteração do grau de dificuldade exigido. Quando apanha a supercoroa, a Toadette transforma-se na Peachette, o que lhe permite, por exemplo, dar um duplo salto e usar o seu vestido para planar durante um longo período de tempo. Sem grande surpresa, só isto tem o dom de facilitar consideravelmente a transposição de alguns obstáculos dispostos nos mais de cento e sessenta níveis (164) incluídos em New Super Mario Bros. U Deluxe.

O Coelharápio detém uma mudança ainda mais radical. Quem o selecionar, não sofre dano dos inimigos. Não é à toa que a sua descrição no menu de seleção de personagens é “Muito Fácil”. Ainda que muitos possam não apreciar todos estes facilitismos, o que é compreensível, estas novas personagens removem as barreiras que as sessões de multijogador local podiam impor: ninguém está dependente das habilidades do seu companheiro de aventuras e todos podem apreciar a obra sem ficarem inibidos por serem novatos na cena dos videojogos ou por não terem grande destreza no género de plataformas.

Uma vez que cada Nintendo Switch conta com dois Joy-Con incluídos, basta os mesmos não estarem acoplados à consola propriamente dita para que as sessões multijogador para dois jogadores sejam acessíveis. Na prática, o jogador mais hábil pode continuar a escolher Mario ou Luigi, enquanto que alguém casual pode juntar-se à diversão escolhendo uma das novas personagens. Assim, a Nintendo não está a retirar ao cânone do que é a jogabilidade dos seus títulos de plataformas 2D, mas sim a alargá-lo, a colocar no mercado uma obra mais inclusiva.

Uma parte significativa da minha estadia na nova versão de New Super Mario Bros. U foi passada precisamente na companhia de outro jogador de carne e osso. O design dos níveis associado a uma jogabilidade apurada presta-se a deixar todos os graus de experiência e destreza brilharem, até porque a expansão New Super Luigi U também está incluída, ou seja, a dificuldade mais exigente está aqui para quem já está mais habituado a estas andanças.

Há algo de relaxantante e contemplativo quando dois jogadores param para observar alguns detalhes gráficos. Por exemplo, na Selva Gelatinosa há um nível chamado Pântano Pintado que é um excelente ponto para se ter uma conversa sobre como o estilo gráfico parece ter sido inspirado nas obras de Van Gogh. Este tipo de multijogador local é a oportunidade para se ser vocal sobre o que de outra forma seriam pensamentos.

Claro que ocasionalmente, especialmente nos cenários que decorrem nas nuvens, haverá o muito provável perder de vidas graças a choques entre as personagens. Faz parte do encanto – claro que no momento os jogadores vão escapar às culpas, mas horas depois “faz parte do encanto”. A quente e antes do sorriso, são momentos dominados pelos esgares e pela tentativa de fulminar com o olhar. O mesmo pode ser aplicável à forma como ocasionalmente a ganância ou o descuido dos jogadores pode levar a uma distribuição pouco democrática dos Power-Ups. Acontece.

New Super Mario Bros. U Deluxe nunca foi um mau jogo. Acredito que não faz muito de novo para quem já o comprou na Nintendo Wii U, contudo, acredito também que não seja essa a intenção da Nintendo. Na Switch, graças às personagens, a diversão é para todos e já ninguém pode dizer que não quer jogar porque “não percebe nada de jogos”. Não é uma obra obrigatória como Super Mario Odyssey, mas a Nintendo mostra – ou relembra – que continua a estar nas posições cimeiras em duas frentes: no género de plataformas 2D e na forma como acredita que os seus títulos estão ao serviço da diversão para todos os públicos.

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