Minecraft é um fenómeno à escala mundial. Da obscuridade até ao estrelato sem qualquer ajuda de campanhas multimilionárias de marketing ou qualquer tipo de cobertura por parte da crítica especializada, Minecraft tornou-se um sucesso graças exclusivamente à comunidade que foi construindo e que serviu praticamente como Relações Públicas da produtora sueca Mojang, introduzindo e fazendo chegar a obra de construção de mundos e sobrevivência um pouco a todo o lado. Não foi preciso a produtora procurar os jogadores para movimentar cópias, foram os jogadores que detetaram algo especial no título e fizeram questão que ele chegasse ao maior número de pessoas possível.
Dito isto, a obra da produtora agora pertencente às fileiras da Microsoft não é para todos os jogadores. Existe uma barreira de entrada bastante alta e que afasta muitos do título ainda antes de começarem a retirar o máximo proveito de tudo aquilo que tem para oferecer. Sem tutoriais propriamente ditos, o jogador cai de paraquedas no mundo de Minecraft e é forçado, literalmente, a tentar sobreviver por conta própria. Aqui não encontrarão guias ou objetivos, apenas têm de sobreviver utilizando todos os recursos presentes no mundo que vos rodeia para construir edifícios e ferramentas que sirvam esse propósito.
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Dominada a componente de sobrevivência, é tempo de dar azo à imaginação e deixá-la fluir para criarem autênticas obras-primas arquitetónicas que poucos julgavam ser possíveis produzir a partir de uma obra que tem como base um mundo de jogo constituído quase na totalidade por blocos cúbicos. Desde a recriação digital de King's Landing da série Game of Thrones até à nave de Battlestar Galactica e à Minas Tirith de Lord of the Rings, Minecraft não coloca limites ao jogador, pelo que poderão perfeitamente criar tudo aquilo que o vosso cérebro for capaz de imaginar.
O problema surge quando jogadores como eu, de imaginação claramente limitada ou sem paciência para dedicar o tempo necessário à transformação em realidade das nossas mais ambiciosas ideias, tentam dar uma oportunidade ao título e se sentem completamente esmagados pela quantidade de informação que têm de processar em simultâneo apenas para aprender todo o tipo de construções que podem criar. Entrem sem qualquer conhecimento prévio na obra e o inverso sucederá, ou seja, ficarão perdidos sem saber o que fazer e como o fazer.
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É neste momento que Dragon Quest Builders surge para responder às nossas preces e nos salva, tal como acontece às personagens com que interagem na campanha do jogo, dando-nos o poder da criação que se julgava perdido. Desde o primeiro até ao último minuto, o título da Square Enix oferece uma sensação de propósito para as nossas ações e fá-lo da forma mais simples e eficaz possível, isto é, através de quests que indicam ao jogador aquilo que tem de fazer para continuar a progredir, ao mesmo tempo que lhe ensina de forma gradual a retirar o máximo proveito de todos os elementos que compõe a sua jogabilidade.
Apesar de terem sempre objetivos à espera de serem cumpridos e de ser necessário progredir na narrativa para ganharem acesso a novos materiais e diferentes receitas para construções, o spin-off da série RPG não vos impede de construírem o que bem entenderem com as ferramentas que tiverem à vossa disposição nesse momento. A liberdade e a possibilidade de deixarem a vossa imaginação dominar por completo o vosso tempo com o jogo continuam, como não poderia deixar de ser, bem presentes aqui, mas é a forma como a obra conjuga os dois elementos, a liberdade e os objetivos relacionados com a narrativa, que o torna tão eficaz e lhe permite ser um concorrente de Minecraft digno desse nome.
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Dragon Quest Builders mantém o jogador investido na experiência e motivado para jogar durante horas através da oferta constante de novos objetivos. É através destes objetivos que aprendemos a dominar o jogo e é devido a eles que o título nunca nos bombardeia com informação e o impacto do inevitável aumentar da dificuldade não é tão perturbador. Mas mais importante que isso, é através das tarefas para as personagens secundárias que a obra desperta o bichinho da construção em nós e vai lentamente ativando a nossa imaginação até chegarmos a um ponto em que nos entretemos só a melhorar cada vez mais a nossa base e sem nos preocuparmos com a progressão na narrativa.
Claro que o título foi construído para motivar o jogador a progredir pela campanha e isso é feito pelo facto de cada um dos seus capítulos representar desafios diferentes, cada um deles com o seu leque de materiais exclusivos e diferentes quantidades de elementos, com alguns a serem bastante frequentes num mundo e difíceis de encontrar noutro, e também a possibilidade construírem novas ferramentas, elementos decorativos e divisões para a base que simplesmente não eram possíveis nos mundos anteriores.
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Para além disso, apenas após a conclusão dos capítulos da campanha poderão utilizar esses mundos e os materiais neles incluídos no modo de jogo livre da obra. Uma vez que será muito provavelmente na Terra Incognita que vão soltar o Siza Vieira que há dentro de vocês, a decisão de o limitar consoante a conclusão dos capítulos é um método bastante inteligente de forçar os jogadores a passar pelo período de aprendizagem e a assimilarem toda a informação relativamente a possíveis construções que o título quer que vocês tenham na palma da mão. Minecraft quer que o aprendam a jogar sozinhos através da experimentação, o título da Square Enix faz questão de vos explicar praticamente tudo para que dessa forma se possam apaixonar o mais rapidamente possível por si.
Dragon Quest Builders é perfeito para quem compreende o apelo de uma experiência Minecraft, mas nunca conseguiu encontrar aquela sensação de progresso e satisfação tão importante para nos manter motivado na obra da Mojang. A campanha dá objetivos bastante concretos ao jogador e ensina-lhe tudo o que tem de aprender de forma gradual e acessível, mas é a maneira como esta obra vai criando em nós uma vontade para explorar e fugir às tarefas de forma a podermos deixar a nossa imaginação fluir para o mundo de jogo que a torna tão especial. Claro que a acessibilidade do título é ajudada pelo facto de não precisarem de ter constantemente uma página de Internet aberta com as todas as receitas presentes no jogo.

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