por - Sep 4, 2018

Mais do que um adeus, Spider-Man: Silver Lining é um até já

Ditou a calendarização dos três capítulos do conteúdo adicional narrativo que a nossa despedida do mundo de Peter Parker criado pela Insomniac Games acontecesse praticamente em simultâneo com as festividades de despedida de 2018 antes da entrada no novo ano. Pelo menos no momento de escrita deste texto, não há qualquer indicação da chegada de mais episódios narrativos a uma das melhores obras destes últimos 12 meses, pelo que o final de A Cidade Que Nunca Dorme terá sido mesmo o final das aventuras do super-herói da Marvel neste título.

Como era expectável, Silver Lining é uma conclusão definitiva do arco narrativo iniciado em The Heist e continuado em Turf Wars, um arco narrativo que tem como fio condutor a família Maggia e, mais concretamente, Hammerhead. Ainda assim, como referi nos textos alusivos a esses capítulos, as atenções não se focaram, de forma inteligente, no antagonista que está longe de ter a profundidade necessária para suportar uma história na sua totalidade, mas sim nos anti-heróis, neste caso anti-heroínas, com que Spider-Man vai interagindo – Black Cat em The Heist, Yuri Watanabe em Turf Wars e Silver Sable em Silver Lining.

Não é por isso surpreendente que seja Silver Sable a estrela maior deste episódio ao ver as suas origens e motivações serem exploradas de uma forma que não tinha acontecido ao longo das suas aparições na campanha principal. A capacidade deste jogo para criar empatia entre os jogadores e as personagens que vão surgindo no ecrã é uma das maiores provas da qualidade da sua escrita e mais uma vez isso fica bem patente em Silver Lining. Ainda que o seu arranque pareça apagar um pouco o progresso feito na relação entre Peter e Sable durante a reta final da aventura original, esse ligeiro percalço é ultrapassado com sucesso com as sucessivas interações entre ambos.

Dito isto, tal como já tinha ficado evidente nos capítulos anteriores, mais do que uma adição ou conclusão bombástica à experiência Spider-Man na PlayStation 4, A Cidade Que Nunca Dorme prima acima de tudo pelas possibilidades que vai abrindo para a inevitável sequela que chegará no futuro. O fio narrativo de Yuri Watanabe é o exemplo mais óbvio disso mesmo, mas há muito mais para ser explorado. O treino de Miles Morales, a partida súbita de Mary Jane para Symkaria, terra natal de Silver Sable que se encontra no meio de uma guerra civil, aliadas às cenas pós-créditos da campanha principal dão-nos desde já um vislumbre daquilo que podemos esperar do próximo jogo.

Agora resta-nos apenas esperar. Esperar o tempo que a sequela certamente demorará a chegar ao mercado e esperar que a Insomniac Games seja capaz de igualar e quiçá superar mesmo a qualidade do seu primeiro esforço no universo da Marvel. Muitas das personagens já estão devidamente cimentadas, pelo que o principal desafio será agora criar uma narrativa capaz de voltar a surpreender pela positiva os jogadores, tomando as liberdades necessárias para subverter expectativas e evitando calcorrear terrenos já percorridos nas inúmeras histórias protagonizadas pelo Homem-Aranha contadas ao longo dos anos.

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