Convém, a quem produz videojogos, seguir as tendências, estar onde está a massa de consumidores. Para produtoras intrinsecamente ligadas às consolas que fabricam, é sempre um risco apostar num local em que não têm controlo absoluto da plataforma. Pokémon GO foi lançado nas plataformas Android e iOS e teve um enorme sucesso comercial, transformando-se na rampa de lançamento para Pokémon Sun & Moon. E hoje sabemos que é um dos jogos da série da Game Freak mais vendidos em todo o mundo.

Terá sido esta a lógica adoptada a Fire Emblem Heroes? Talvez, não nos esqueçamos que Echoes estará mais tarde disponível, também para as consolas portáteis da Nintendo, e de Warriors, que será entregue para a Switch. Se funcionará ou não é muito complicado de o afirmar, equacionando todos os elementos que estarão em jogo para o sucesso ou insucesso de Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia e de Fire Emblem Warriors.

Imagens Artigo Fire Emblem Heroes

A casa de Quioto está a tratar as plataformas dos telemóveis geridas pelas Google e Apple como autênticas montras para os seus produtos principais. Contudo, os jogadores são inteligentes, não basta dar uma experiência fútil para que se desperte o interesse da audiência à qual querem chegar. É necessário entregar algo com substância, mesmo para aqueles que não vão transitar para a Nintendo 3DS ou para a Switch. E Fire Emblem Heroes é um jogo que engloba bem toda a experiência que tem oferecido ao longo dos anos, desde os tempos idos da NES. 

Obviamente, não é um trabalho tão completo e complexo como um dos jogos clássicos da série, ou como as últimas entregas Fire Emblem Fates. É o prazer do rigor tático que advém das diversas personagens e classes que se podem misturar no campo de batalha. É a constante adaptação à qual temos de nos submeter para sairmos vencedores de uma partida que não se dirige da forma como previmos pelas movimentações e jogadas inesperadas do adversário. Enfim, o que não falta são motivos para regressarmos a mais uma partida. 

Imagens Artigo Fire Emblem Heroes

Fire Emblem Heroes é um jogo com as fórmulas habituais dos jogos free-to-play. Tenham paciência e jogam gratuitamente, ou se não gostam de esperar para obterem a satisfação desejada ou querem avançar saltando algum período de tempo que vos é exigido, então paguem por alguma das microtransações existentes. Há diversão suficiente para todos e cabe a cada jogador avaliar a melhor forma de receber entretenimento. No meu caso, jogo a minha porção de Fire Emblem Heroes que a obra me concede e passo para Clash Royale para abrir os baús que coloquei há algumas horas em processo de abertura. E aquilo que o jogo me concede são bastantes partidas cerebrais com uma boa dose de desafio, nomeadamente nos níveis mais elevados.

Dito isto, Heroes é primeiro um jogo por si só com bons motivos para apelar aos jogadores que apreciam boa estratégia. Porém, se o que vos apela é a narrativa que se adapta conforme a sobrevivência das vossas personagens, não contem com isto, visto ter sido descartado para batalhas rápidas sem muitas preocupações em caso de derrota.

Imagens Artigo Fire Emblem Heroes

Será muito curioso ver se Fire Emblem Heroes dará algum impulso nas vendas de Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia, tal como aconteceu com Pokémon GO para Pokémon Sun e Pokémon Moon. E irá a Nintendo necessitar de tal processo para as suas licenças mais famosas como Zelda ou Mario? Poderá a companhia nipónica julgar o sucesso comercial ou o interesse dos jogadores através das receitas que geram jogos que entregam uma fatia da experiência? São questões que só vão ser respondidas pelo núcleo diretivo da casa de Quioto e, claro, pelos investidores que querem ver os seus lucros a crescer a longo prazo. Porque uma coisa é jogar Fates com mapas maiores e com a tensão por detrás das nossas decisões a fazer-se sentir bem, outra coisa é dedicar dez ou trinta minutos de Heroes para resolver uma dúzia de batalhas conforme as regras e as táticas bem pensadas. 

Sinceramente, nem que vejamos jogos para telemóvel mais concentrados naquilo que pretendem oferecer nas consolas, como as batalhas estratégicas de Fire Emblem Heroes, o colecionismo e o sentido de aventura de Pokémon GO ou o excelente design das plataformas de Super Mario Run, não nego a instalação deste tipo de títulos no meu Android. E esta é, francamente, a forma adequada de apresentar aquilo de que são capazes de fazer ao público que usa diariamente o seu dispositivo Google ou Apple.

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