Desde o início de Breath of the Wild que fica uma dúvida no ar: "o que terá acontecido a Zelda e Link para estarem na situação em que se encontram?". Hyrule Warriors: Age of Calamity poderá responder a esta pergunta pendente enquanto Breath of the Wild 2 não chega ao mercado. Hyrule Warriors é um dos melhores jogos musou da Omega Force, por isso Age of Calamity poderá ser algo especial e promissor, só pelo simples facto de podermos vir a jogar com um dos vários champions de Hyrule - os lendários guerreiros que controlaram as Divine Beasts.

Quando comecei a jogar o novo jogo da colaboração entre a Nintendo e a Omega Force, sabia que teria de o comparar a dois jogos: Hyrule Warriors e The Legend of Zelda: Breath of the Wild, visto ser uma mistura destes dois grandes títulos. A movimentação de Link está diferente e de acordo com o que um jogo mais orientado para a ação deve ser. Quando corre, Link de Age of Calamity é muito mais rápido do que o seu homólogo no RPG de ação, contudo, é no combate que se notam as maiores semelhanças e aquilo que herda de Breath of the Wild.

Mas como é sabido, um jogo musou não se foca numa única personagem. A série The Legend of Zelda pode concentrar todas as atenções no seu herói Link, porém, um jogo ao estilo musou deve entregar um conjunto de personagens que servem para dar variedade ao combate. E é precisamente aí que pode estar um dos trunfos de Age of Calamity, visto que Breath of the Wild tem um conjunto de personagens muito interessantes com as quais não podemos jogar, nomeadamente, os champions de Hyrule já mencionados.

Até onde me foi permitido jogar para partilhar a minha experiência neste texto, pude jogar com Link, Zelda, Impa e a Princesa de Zora's Domain, Mipha. Link luta tal e qual como se espera de um cavaleiro medieval, mas com uns golpes bem mais ágeis que lhe dão um caráter de combate muito mais dinâmico e fluido. É por ter esta familiaridade, com o próprio herói e com a sua forma de lutar, que foi a personagem com quem mais gostei de jogar.

É com o herói da série The Legend of Zelda que descobrimos como é que foram introduzidos os poderes das runes da Sheikah Slate em Age of Calamity. Pessoalmente, são estes poderes que acho a parte mais curiosa, até porque Zelda só os utiliza para combater. Normalmente, a utilização da Sheikah Slate está ligada ao confronto de inimigos mais fortes como os Moblin. Alguns destes têm diferentes tipos de ataques e nós usamos os poderes para travá-los e podermos ripostar.

Por exemplo, posso erguer um bloco de gelo para atacar num ponto mais elevado, lançar bombas para quebrar escudos ou explodir barris de pólvora, bloquear um inimigo que faça um ataque giratório e ainda usar um íman para golpear adversários com objetos metálicos. Enfim, há toda uma variedade de ações, ofensivas e defensivas, providenciados pela Sheikah Slate, que vão para além do que podemos fazer com os ataques principais.

Jogar Age of Calamity, nos termos mais tradicionais de um título da série musou, é uma experiência bem construída. Porém, como estas não são as minhas alegações finais sobre o novo exclusivo Nintendo Switch, poderei ainda encontrar algo que me faça torcer o nariz. Por exemplo, tenho algumas reticências quanto ao controlo das Divine Beasts - a enorme máquina que requer um champion de Hyrule para ser conduzida. Ainda no segundo capítulo conduzi o Vah Ruta (a máquina que parece um elefante) e senti-me demasiado poderoso, por muito que esta Divine Beast tenha um variado leque de ataques bem maior do que se esperaria para uma estrutura mecânica daquelas dimensões.

Não sei, mas imagino que conduzir as outras três criaturas mecânicas possa ser o mesmo contra-senso do núcleo da experiência musou. O pressionar de um único botão dizima dezena de inimigos, pelo menos com a Vah Ruta, enquanto no campo de batalha, em lutas corpo-a-corpo, temos de carregar continuamente nos botões do comando para nos manter vivos no calor da batalha e divertidos enquanto efectuamos um bailado sem fim de ataques ininterruptos.

Quem jogou Breath of the Wild vai poder conhecer em Age of Calamity eventos passados que os levaram até ao que Calamity Ganon fez em Hyrule. É, por isso, uma narrativa com um sentimento de tristeza que paira no ar, sendo genuinamente gratificante conhecer um pretérito do qual sabemos no que vai resultar. As personagens continuam a ser muito interessantes e, apesar de não ter visitado muitos dos locais emblemáticos de Breath of the Wild, posso já adiantar que o Zora’s Domain é um destino muito peculiar de revisitar, sobretudo para conhecer as peronagens com as quais já travamos amizade.

Algo que vai caracterizar e dá personalidade a Hyrule Warriors: Age of Calamity são as batalhas mais complicadas de enfrentar, as denominadas boss fights. Um dos inimigos mais perigosos de Breath of the Wild tem presença garantida em Age of Calamity: vai haver um Guardian que vai encerrar o primeiro capítulo, numa tentativa de vos travar a progressão. Obviamente que um inimigo com um ataque tão forte com o disparo de raio laser, que nos poderia dar algumas dores de cabeça. Contudo, este inimigo só serve para nos incentivar a explorar o mapa e para que façamos a troca pontual de personagem. A destruição do Guardian acabará, eventualmente, por chegar através de terceiros e não pela nossa habilidade de combater.

Já um Lynel é um inimigo bem mais interessante de combater porque, para além de o enfrentarmos diretamente, ainda damos uso às habilidades fornecidas pelas runes da Sheikah Slate. Estes são inimigos poderosíssimos que, à mínima distração, nos conseguem colocar em alerta com os seus golpes, visto que à segunda vez que nos acertar em cheio teremos de recarregar o ponto de salvamento que foi recentemente guardado.

Assim, depois das primeiras sessões com Age of Calamity, que duraram cerca de três horas, posso afirmar com toda a certeza que há aqui material muito bom e que, no seu cômputo geral, Age of Calamity parece ser uma boa adaptação de Breath of the Wild ao género musou, Obviamente que ainda ficaram muitas interrogações quanto a eventuais outros detalhes da jogabilidade e, sobretudo, quanto ao divertimento que os champions vão poder proporcionar com a sua forma de jogar. Foram boas horas a jogar Age of Calamity que advogam um produto final certamente recomendável.

Hyrule Warriors: Age of Calamity será publicado em exclusivo na Nintendo Switch dia 20 de novembro.

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