Quatro meses e dez dias depois regressa Luzeiro do Escondidinho ao vosso convívio. Com as saudades a apertar e títulos para dar a ver em processo de ininterrupta acumulação, por certo, motivos não lhe faltarão para um pujante retorno.

Prova disso mesmo constata-se no inédito tamanho do episódio, como que arrepanhando o tempo perdido, ao destacar uma vintena de propostas/apostas dos mais variados géneros, a maioria com passagem inédita pelo VideoGamer Portugal.

Astroneer (System Era, Estados Unidos da América)

PC (Windows) - Data a confirmar, 2016

Proveniente de um quarteto que inclui antigos colaboradores da Ubisoft, facilmente se aplicou a Astroneer o rótulo de fusão entre Minecraft e Kerbal Space Program. Corroborando ou renegando a comparação, segundo os próprios criadores, sustenta-se a obra em cinco fundamentais pilares, "descoberta, travessia, escavação, transporte e transformação".

Previsto para o primeiro terço do ano em acesso antecipado, teremos por missão deslindar as profundezas de um aglomerado espacial recentemente aberto à exploração dos mais destemidos, e de riqueza sequiosos, aventureiros espaciais. Para no ensejo nos ajudar teremos à disposição uma tecnologia que permitirá modelar o terreno dos vários planetas a visitar, possibilitando, por exemplo, abrir novos trilhos ou aplanar áreas para construção de estruturas de refinação mineral.

Blubber Busters (Thar Be Monsters , Estados Unidos da América)

PC (Windows) - Data a confirmar, 2016

Fruto do labor de mais um pequeno estúdio formado por gente com passagem por projetos da visibilidade de League of Legends, Darksiders II e Ori and the Blind Forest, assume-se Blubber Busters como um vigoroso título de ação, na vertente run n' gun, onde a grande altura promete brilhar a componente visual içada à unha.

A contextualizar a desalmada saraivada de projéteis encontra-se uma sinopse narrativa que conta a súbita, e inusitada, promoção de Rudy, um simples empregado de limpeza de uma plataforma veterinária orbital, a chefe-cirurgião encarregue do salvamento de um grupo de baleias enfermo de causa misteriosa.

Chronos (Gunfire Games, Estados Unidos da América)

PC (Windows) - Data a confirmar, 2016

Constituído por antigos membros da Vigil Games (série Darksiders), tem em Chronos o estúdio Gunfire Games seu primeiro projeto de grande fôlego.

Com suporte para tecnologia de Realidade Virtual (Oculus Rift), promete a obra combinar elementos de dois grandes géneros, aventura e role playing game, através de uma abordagem que apresenta como principal elemento diferenciador o envelhecimento progressivo do protagonista enquanto explora a labiríntica masmorra onde reside o segredo para salvar sua terra natal.

Cada etapa de crescimento dará à personagem virtudes e defeitos que o jogador bem terá de saber dosear para conseguir ultrapassar os obstáculos plantados no trajeto.

Child of Cooper (Might and Delight, Suécia)

PC (Windows, OS X) - Data a confirmar, 2016

Os criadores da série Shelter, Might and Delight, aventuram-se na Realidade Virtual com uma aventura sombria movida pelo curso narrativo através da ressurreição das memórias de uma criança, mesmo que estas se revelem e ecoem pelo mundo de jogo, inúmeras vezes, sem participação direta do jogador.

Na verdade, nenhuma linha de orientação será dada a quem se aventurar no enigmático universo de Child of Cooper, cabendo-lhes escolher a tipologia de interação com o cenário e personagens neles inscritos, ao ponto da interpretação do argumento se dar como processo subjetivo e univocamente individual.

Dark Train (Paperash Studio, República Checa)

PC (Windows, OS X, Linux) - Data a confirmar, 2016

De uma coisa se queixar não podeis neste episódio do Luzeiro, a rarefação de proposta originais ou que primam pela escassa ortodoxia. Através de um esquema de aventura narrativa -sem recurso a texto-, sustentado por elementos de exploração e ação, controlaremos um polvo mecânico encarregue de entregar, via ferroviária, uma encomenda de cliente desconhecido, ou seja, será Dark Train um mais a enfiar no saco.

Através essencialmente de ardilosos visuais, tendo na base técnicas analógicas de construção em papel, prometida está pelo sexteto checo Paperash Studio uma jornada singular, marcada em larga fatia por uma atmosfera "negra opressiva".

Doko roko

Doko Roko (Okobu Games , Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X, Linux) - Outubro, 2017

Com uma janela de lançamento apontando o trimestre final de 2017, muito teremos ainda de penar para colocar as mãos no rogue-like bidimensional desenvolvido por Eric Mack.

Estreado na Videogamer Portugal através de um artigo noticioso datado de vinte e oito de julho do transato ano, terá Doko Roko como seus mais visíveis fatores identitários a estrutura vertical e ambiência do mundo de jogo, um combate movido à velocidade da luz e os argumentos que o sustentam, ou seja, um sem fim de poderosas espadas e transformações que darão ao enigmático protagonista, para além da alteração física, novos índices de manobrabilidade e eficácia em combate.

Donut county

Donut County (Ben Esposito, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X) e Plataformas Móveis (iOS) - Data a anunciar, 2016

Deixando de lado a empreitada na Giant Sparrow -The Unfinished Swan (2012) e What Remains of Edith Finch (2016)-, dedica Ben Esposito parte do tempo livre a criar inenarráveis propostas videojogáveis como Pale Machine, Sonic Dreams Collection e CRAP! No One Loves Me.

Caída a janela de lançamento apontada para 2015, regressa o menino no ano presente parodiando uma ideia para videojogo vertida no Twitter por Peter Molyneux, "Encarnando um buraco, mover-nos-emos pelo cenário fazendo com que determinados elementos sejam derrubados em alvos concretos num tempo preciso".

Assim, revela-se Donut County como uma deturpada consubstanciação de tal premissa, redundando numa experiência videojogável baseada em física onde o tamanho do orifício, à medida que engole as peças que edificam a paisagem, se vê gradualmente ampliado.

Eastshade

Eastshade (Danny Weinbaum , Estados Unidos da América)

PC (Windows) - Data a anunciar, 2016

O que distingue Eastshade de outros títulos de exploração em mundo aberto da vertente walking simulator? Basicamente, seu contexto. Na pele de um pintor naturalista deixar-nos-emos inebriar pela beleza da paisagem circundante dando azo à inspiração a céu aberto.

Na verdade, a proposta do quarteto liderado por Danny Weinbaum utiliza tal premissa como ponto de partida para uma aventura narrativa não linear, baseada em micro-histórias decorrentes da interação com os habitantes locais e do desvelar de segredos no passeio pelo campo.

Essence

Essence - The Resurrection (One Vision Games , Alemanha)

PC (Windows, OS X, Linux) - outubro, 2016

Essence morreu, viva Essence! Estranha a vida de certos projetos, depois de uma falhada campanha pública de angariação de fundos em outubro do ano passado, volta à carga o coletivo germânico One Vision Games com nova tentativa no Kickstarter.

A surreal aventura de exploração na primeira pessoa pretende cruzar de forma certeira a essência (trocadilho de pé quebrado) daqueles dois termos nos videojogos, dando, supostamente, do primeiro o sentido de descoberta e do segundo os quebra-cabeças e a aprendizagem de novas habilidades, aumentando estas as possibilidades, em número e tipologia, de interação com o mundo circundante.

Kakexun

KakeXun (Warp2, Japão)

PC (Windows) e Plataformas Móveis (iOS, Android) - Data a anunciar, 2016

Com a morte em fevereiro de 2013 não pode o experimentalista criador de videojogos japonês Kenji Eno legar ao mundo o projeto em que trabalhava, KakeXun. Como homenagem última ao autor de Enemy Zero e da série D decidiram três companheiros de estrada, Kazutoshi Iida, Naoya Sato,e Katsutoshi Eguchi, tomar as rédeas da empreitada e conduzi-la a bom porto, leia-se, terminar a produção com posterior edição no mercado.

Somewhere

Se a tentativa de descrição da obra já por si redundava num exercício enigmático, resolução de problemas matemáticos em ambientes tridimensionais com recurso a esforço coletivo, o último vídeo publicado para KakeXun baralha e volta a dar, mandando às urtigas as três dimensões e colidindo, pelo menos na componente técnica e na linha estética, com o esboço multimédia original. A aguardar o desfecho com curiosidade.

Memoranda (Bit Byterz, Irão)

PC (Windows, OS X, Linux) - Data a anunciar, 2016

Sugestionado pela obra do escritor japonês Haruki Murakami, assume-se o labor do quarteto iraniano constituído por Sahand Saedi (desenho de jogo), Maliheh Rahrovan (arte), Omid Saadat (programação) e Vahid Ghaderi (música) como uma aventura de apontar e clicar na linha clássica do género.

The artful escape of francis vendetti

Ao longo de inúmeros quebra-cabeças, distribuídos por quarenta cenas, acompanharemos a jovem protagonista no processo involuntário e gradual de esquecimento sobre o nome próprio, partilhando com a restante prole de personagens, de um universo indefinido inspirado na arquitetura europeia, o sentimento de perda face a algo ou alguém.

Mind-mecca

Mind-Mecca (Synthetic Memories, França)

PC (Windows, OS X) - Segundo trimestre, 2016

O duo gaulês que dá o peito às balas sob a designação Synthetic Memories, Jean-Sebastien Niel e Harold Désert-Legendre, define o título de estreia "como uma experiência de apontar e clicar combinando reflexão e contemplação".

Na prática, através de cenários de austera linha monocromática e fundo sonoro "orgânico-mecânico", teremos de explorar as várias divisões de um aparente cárcere, resolvendo os quebra-cabeças lógicos de forma a alcançar um lugar onde, intrigante sentença dos autores, "a paciência é a mais clarividente das virtudes".

One way trip

One Way Trip (Michael e Christine Frauenhofer, Estados Unidos da América)

PlayStation 4 e PlayStation Vita - Data a anunciar, 2016

No meio de tanta ave rara, alguma teria que o ser mais que as outras. A palma leva-a o novo projeto dos criadores de Demon Chic (2013).

Caído que foi 2015 como expetável ano de lançamento, o único título do lote, por agora, confirmado para o mercado de consolas apresenta-se como uma bizarra viagem tendo como ponto de partida narrativo um ataque químico em larga escala que, ao envenenar pontos de abastecimento de água, deixa parte significa de uma nação, incluindo a personagem central e seu irmão Barry, com apenas seis horas de vida sob um estado de alucinação permanente.

Riot

Riot: Civil Unrest (IV Productions, Itália)

PC (Windows, OS X, Linux) e Plataformas Móveis (iOS, Android) - abril, 2016

Com pelo menos três anos de desenvolvimento, enquanto simulador de motins, há muito que se ouve falar do incomum projeto de Ivan Venturi, todavia, 2016 parece ser o ano em que a balbúrdia sairá à rua através da fresca alusão a quatro movimentos de protesto popular, Primavera Árabe (Egito), Keratea (Grécia), Indignados (Espanha) e NoTAV (Itália).

Podendo escolher os dois lados da fação, polícia e amotinados, teremos neste último caso de dar indicações aos líderes dos motins, agitadores e jornalistas, incitar à violência das massas ou planear retiradas estratégicas e atacar a autoridade com tudo digno de provocar contundência que à mão apareça.

Scale

Scale (Cube Heart Games, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X, Linux) - Data a anunciar, 2016

Por certo, um dos critérios no financiamento de campanhas públicas de recolha de fundos é estar habilitado com paciência de Jó. Veja-se o caso de Scale, aparecido no Kickstarter em outubro de 2013 com lançamento previsto para final do ano seguinte e, pese as constantes atualizações sobre o processo de desenvolvimento, ainda nem janela de lançamento existe para a previsível chegada ao mercado em 2016.

Tal dado, provavelmente, atesta da ambição com que Steve Swinck quer orlar o projeto, revestindo o quebra-cabeças em mundo aberto baseado na manipulação da escala (daí o nome) dos cenários e elementos neles constantes de argumentos para se assumir como uma das mais airosas propostas a bafejar a tecnologia de Realidade Virtual no futuro próximo.

Somewhere (Studio Oleomingus, Índia)

PC (Windows, OS X, Linux) - Data a anunciar, 2016

O duo que forma o estúdio Oleomingus, Kevin Vargas e Dhruv Jani, assume-se como contadores de histórias e, fruto disso, com Somewhere planeia uma intrincada investida ao género da aventura de exploração movida pelo argumento.

Ambientada numa versão alternativa da Índia colonizada, permitirá a obra assumir cada uma das personagens que acompanham o fundo narrativo, sendo cada entidade não só o rastilho para uma nova história como, de forma ainda mais intrigante, fragmento da imaginação de uma das restantes.

The Artful Escape of Francis Vendetti (Beethoven & Dinosaur, Austrália)

PC (Windows, OS X) - março, 2016

Tendo como influência estética o universo imagético associado ao roque psicadélico, dá The Artful Escape of Francis Vendetti à personagem inscrita no título uma jornada multidimensional como forma de inspiração para o seu primeiro concerto ao vivo.

Dito isto, revela-se o título de estreia do quarteto formado por Johnny Galvatron, Josh Abrahams, Justin Blackwell e Sean Slevin como uma refrescante abordagem à aventura de ação e plataformas.

The King's Bird (Serenity Forge, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X) - Data a anunciar, 2016

Enquanto por aqui não aparece, pelo menos, um episódio dedicado à ala dura do género plataformas (algo que a mim mesmo prometi fazer), fica a deixa para um dos mais graciosos exemplos da estirpe a acompanhar nos tempos próximos, The King's Bird.

Alimentando a moda, poderá o jogador esperar um exemplo mais de "plataformas de precisão", embora, segundo os criadores, patenteando um nível de dificuldade mais brando que a norma, onde deveremos reclamar a liberdade de um reino enclausurado por misteriosa decisão de seu ditatorial soberano.

Wanderer (Red Cloack Games, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X, Linux) - setembro, 2016

Tal como Doko Roko também a presença de Wanderer nesta lista é justificada pela inexistência de um vídeo que melhor ilustrasse a obra aquando da sua aparição na VideoGamer Portugal através de artigo noticioso.

Nascido da parceria entre Cris Ripamonti (conceito, arte, desenho de jogo, argumento) e Serge Lages (programação, desenho de jogo), esperem de Wanderer uma aventura de plataformas com elementos resgatados ao género role playing game onde, no papel de Rook, lutaremos pela sobrevivência entre as ruínas de um moribundo planeta Terra.

Winterflame: The Other Side (Artoncode, Indonésia)

PC (Windows, OS X, Linux) - março, 2016

Depois dos livros, banda desenhada, jogo de cartas e tabuleiro, apresta-se o fantasioso universo de Vandaria para entrar no terreno dos videojogos com Winterflame: The Other Side.

A cargo do estúdio indonésio Artoncode, viajaremos pelas pernas de Lev ao longo cinquenta níveis onde os poderes contidos na misteriosa manopla da personagem muito úteis serão para enfrentar os desafios desta aventura de quebra-cabeças bidimensional.

Trar-nos-á o episódio próximo um piscar de olho aos primórdios da rubrica. Para mais e melhores esclarecimentos, nada como passarem pelo Luzeiro ao domingo de manhã, ou, quando o vagar vos trouxer por estas paragens. Até lá, bons jogos.