Marco Gomes por - Mar 27, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 45

Aparecidos despernados em episódios anteriores do Luzeiro, ganham por direito próprio os títulos de ação um dedicado a si em exclusivo.

A bem dizer, não existindo verdadeiramente um género de ação mas várias ramificações que em seu guarda-chuva acoitam, preocupação existiu de não esbijar o espectro, deixando para calendas outras, por exemplo, first person shooters e obras que grossas fatias de aventura, role playing game e/ou plataformas contenham.

Vamos lá pôr isto a andar que ao longe já se ouve a sineta do compasso pascal.

Brigador (Stellar Jockeys, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2016

Disponível em formato acesso antecipado desde outubro do transato ano, assumir-se-á o projeto de estreia do quarteto Stellar Jockeys (Hugh Monahan, Jack Monahan, Harry Hsiao, Dale Kim) como sonho molhado para amantes de mechas e quejandos veículos de combate futurista.

Através de perspetiva isométrica em ambientes totalmente destrutíveis, teremos de numa única noite aproveitar a morte de seu ditador e libertar Solo Nobre.

Juntando-se ao modo campanha em vinte predefinidas missões (número a ser ampliado na versão final da obra), estará outro de desenvolvimento livre com vagas de inimigos geradas aleatoriamente. Exercício ideal para colocar à prova o estilo de cada jogador baseado na farta escolha de veículos e equipamento bélico auxiliar.

Luzeiro do escondidinho

Go Go Electric Samurai (Hexagon Games, Canadá)

PC (Windows), PlayStation 4, Xbox One e Wii U – Quarto trimestre, 2016

Só superado no lote por RunGunJumpGun no que à feliz escolha do título diz respeito, alinha-se Go Go Electric Samurai como novo capítulo no percurso de Michael Todd, criador do bem-recebido Electronic Super Joy (2013).

Misto de título desportivo por equipas e shooter tridimensional sem remorsos apresenta uma plano de desenvolvimento assumidamente pouco alinhavado, aberto à experimentação contínua e sugestões da comunidade, não estranhando por isso a expetativa de primeiramente ser disponibilizado em formato acesso antecipado algures na Primavera.

Com visuais psicadélicos e condizente eletrónica sonoridade, pulsará o coração de Go Go Electric Samurai através da competição multijogador em rede, balanceada para coletivos de dois, três e quatro elementos.

A contraparte do “rápido e brutal” sistema de combate chegará com a implementação do mapa de habilidades, conferindo às refregas um acrescido veio estratégico ao permitir a escolha de movimentos básicos e especiais, que, por sua vez, alteram o papel de cada unidade no terreno de jogo e dinâmica de equipa.

Luzeiro do escondidinho

Greedy Guns (Tio Atum, Portugal)

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2016

O Bresson de 1979, Pickpocket, legou ao cinema uma de suas mais emblemáticas deixas quando o enjaulado Michel assim se dirigiu à amada: “Oh Jeanne, que estranho caminho tive que percorrer para chegar até ti”.

Às malvas atirando a epifania por troca com o bem-humorado sarcasmo, poder-se-ia o mesmo dizer aos Tio Atum (Afonso Cordeiro, Miguel Rafael e Miguel Cintra) sobre a chegada de Greedy Guns ao Luzeiro. Com estadia marcada antes mesmo da beta pública nos alvores de 2015, quis o destino que o alojamento fosse indefinidamente adiado. Sem outros entraves, abrem-se os aposentos de par em par neste domingo para um dos mais promissores títulos nacionais em desenvolvimento

Fundado em setembro de 2012, conta no currículo o estúdio lisboeta com um sexteto de bordados para dispositivos móveis (Super Bit Dash, Mine Maze, Madman Drop, Fruit Monkeys, Bloody Epic, Baseball Jam). A mudança na plataforma de referência simboliza ao mesmo tempo o altear da ambição e reajustamento na metodologia de trabalho.

Indo beber a Gunstar Heroes (1993) e séries incontornáveis como Metal Slug e Contra, promete Greedy Guns ser rija festarola para devotos do subgénero run and gun, tempo tendo ainda para à ala dura acrescentar elementos de exploração e incremento de habilidades à dupla de protagonistas, Kate T. e Bob K..

Acreditando que a obra não defraudará expetativas e que no final possamos todos dizê-lo, em família se fica com “Gosto de Ti (Realmente)” dos Corações de Atum.

Luzeiro do escondidinho

I Want to be Human (Sinclair Strange, Inglaterra)

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4 e Xbox One – abril, 2016

Deu a Rising Star Games uma mãozinha ao artista conhecido por Sinclair Strange para edição comercial de I Want to be Human. A entrada em cena da companhia, possibilitando a chegada da obra ao mercado de consolas, terá contribuído, por outro lado, para o resvalar da data de lançamento, inicialmente apontada para o quarto trimestre de 2014.

Com um percurso marcado pela indigência mediática desde que em 2012 se converteu Sinclair Strange ao desenvolvimento de videojogos, de estranhar não será que seus dezassete discípulos (gratuitamente disponíveis no portal Newgrounds) tenham surgido enquanto exercício recreativo ou participação em game jams.

Conta a história de I Want to be a Human que uma vampira adolescente se apaixona por um humano, amor desfeito quando o desgraçado é transformado em…barrete por malévolas forças que tentam conquistar o mundo. Vai daí, embarca a anti-heroína numa jornada de vingança pintada a vermelho sangue. Esperasse alguém daqui extrair um Lobo Antunes e dir-se-ia que tinha batido à porta do episódio errado.

Acompanhando a preceito o frenético ritmo de jogo em cinco universos, servem as malhas electropunk compostas por Jimmy Urine de cenário melódico à ação numa estrutura de plataformas onde a carnificina vira mórbido espalhafato ao desbloquear a protagonista novas habilidades

Luzeiro do escondidinho

Katana ZERO (Askiisoft, Japão)

PC (Windows) – Data a confirmar, 2016

Promete Katana ZERO corrigir um erro estrutural no universo dos videojogos. De cento e mais uma taleigada se faz a contagem de títulos em que pavoneia requinte a mais taciturna das classes obreiras no ramo da traulitada, ninjas, porém, os samurais confinados a arrochar sem apelo nem agravo ficaram, sendo-lhes restringido, vá se lá saber porquê, usar da arte com graciosidade.

Decidido a harmonizar estatísticas, em colaboração com a Adult Swim Games, está o estúdio de Tadakuni Amano -criadores de Tower of Heaven (2009), Pause Ahead (2013) e OverPowered (2014)- com uma proposta que dá ao herói de katana a merecida qualidade fotogénica. Primeiro estilo, só depois, contundência. Todavia, como no género uma sem a outra não passa, a nota dez na coreografia só se almeja com um movimento de sabre por inimigo tombado.

Para além das inatas habilidades do guerreiro, martelaram os criadores no argumento uma droga denominada Chronos que permite manipulação temporal, predicados mais que suficientes para chacina ao milímetro enquadrada na ação de plataformas e situada numa negra versão, embora iluminada a néon, dos anos oitenta.

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Nelo (Magic & Mirrors, Estados Unidos da América)

PC (Windows), PlayStation 4 e Xbox One – novembro, 2016

Ninguém a sério levará uma obra denominada Nelo, todavia, se não estiver escrito o destino e para ela for de robusto sucesso com direito a sequela, intitular-se-á esta, fazendo uso de créditos divinatórios, Nelo Silva & Cristiana.

Indo buscar influências a clássicos shooters a dois manípulos como Robotron 2084 (1982) e Geometry Wars (2003), promete o estúdio de Kevin Bryant e Michelle Morger baralhar e voltar a dar no subgénero.

Para além de um enquadramento tridimensional que tira partido da mais recente tecnologia gráfica, o que por si já demarca a proposta da maioria da concorrência, dois atributos da jogabilidade prometem ser-lhe imagem de marca, a possibilidade de alternar entre perspetiva superior e na terceira pessoa, assim como o contínuo acompanhamento do protagonista por quatro peças de armamento passíveis de configuração para vários estilos de jogo.

A bem dizer, o Nelo do título não será herói único, pois, seu irmão mais novo, Jaymar -partilhando Aukal como nome de família-, direito terá a quota parte das secções jogáveis. O primeiro em luta contra a hostil fauna do planeta Plemniba, local onde se encontra como sobrevivente único de um acidente com seu vaivém de transporte, o segundo, julgando o irmão desaparecido em combate, numa cruzada vingativa contra os supostos responsáveis.

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Rise & Shine (Super Awesome Hyper Dimensional Mega Team, Espanha)

PC (Windows) e Xbox One – Verão, 2016

Em crescendo de importância na indústria, voltou com Rise & Shine a Adult Swim Games a catrapiscar e, seguidamente, recrutar para suas fileiras uma obra inserida na política de aproximação da editora, priorizando estúdios talentosos e pouco mediatizados.

Para se ter uma ideia, do alinhamento conhecido para o presente ano, curta em expetativa nenhuma obra fica, revelando, desde logo, o grande trabalho de prospeção de mercado, atentai: Ghost Song, Death’s Gambit, DESYNC, Small Radios Big Televisions, Rain World, WASTED.

E claro, Rise & Shine, a mais recente rendinha do quarteto espanhol -Enrique Corts, Mar Hérnandez, Adrián Ramis e Julio Ruiz- responsável por Pro Zombie Soccer (2010) e Supermagical (2012).

Seguindo o molde de Metal Slug, transporta-nos a obra para o planeta Gamearth, e todas as referências ao meio nele contidas, fazendo com que, à semelhança de, por exemplo, Guacamelee! (2013), se torne um de seus vetores identitários. Para além do grande rendimento no departamento artístico, o outro passará indiscutivelmente pelo inventivo arsenal e apetrechos que ao longo da jornada o permitirão exponenciar.

Luzeiro do escondidinho

Rive (Two Tribes, Holanda)

PC (Windows, OS X), PlayStation 4, Xbox One e Wii U – setembro, 2016

Ninguém poderá dizer que a vida é justa, pois, nenhum dia passa sem refutar a constatação. Que o diga o trio que dá corpo ao estúdio Two Tribes, Collin van Ginkel, Martijn Reuvers e Meinte van der Spiegel. Após quinze anos no ativo, anunciaram a dez do corrente mês que, ao não conseguirem adaptar-se às vertiginosas mudanças ocorridas no meio nos últimos anos, fecharão as portas em setembro.

Porém, os criadores da série Toki Tori prometem com seu final projeto, Rive, ir além de uma despedida digna, estando a obra bem cotada na bolsa de expetativas para títulos de ação com lançamento em 2016.

Misto de shooter a dois manípulos e plataformas, apresentará ao longo dos vários modos de jogo, incluindo um banquete para masoquistas na opção de vida única, um impressionante registo técnico ao manter estável a taxa de fotogramas perante um arraial de balázios e explosões a velocidade Usain Bolt.

A mais notória de suas particularidades jogáveis reside na possibilidade de corromper sistemas robóticos como torres canhão ou drones médicos para, momentaneamente, à nossa causa fornecerem préstimos.

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RunGunJumpGun (Thirty Three Games, Canadá)

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2016

Da loucura de Kasketball (2015), basquetebol em quatro rodas, passa o trio formado por Jordan Bloemen, Matt Satch e Logan Gilmour para uma proposta não menos insana, RunGunJumpGun.

Com dois botões apenas se faz o deleite dos apreciadores de plataformas de precisão, ou daí talvez não, visto que o respeito da obra pelos cânones do subgénero não medra face à subversão proporcionada pela componente de shooter em deslocamento lateral.

A solidão enquanto sobrevivente único de um sistema solar colapsado muito tempo não leva a quebrar, das ruínas da civilização, respondendo ao chamamento dos espasmos de energia libertados pelo canhão do protagonista, entidades nada amistosas conspiram para lhe fazer a folha, criando um desafio onde a sobrevivência se tem como única lei imperante.

Uma inconvencional mecânica de jogo chega para refrescar a estirpe, o canhão que serve de companhia tanto fornece impulso para ultrapassar obstáculos não orgânicos como poder de fogo para pulverizar os orgânicos, todavia, não simultaneamente. Muito não precisando de extrapolação para se intuir que o equilíbrio das duas funções é lenitivo único para nervos em franja.

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Strenght of the Sword Ultimate (Ivent, Bulgária)

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4, PlayStation Vita, Xbox One e Wii U – Data a confirmar, 2016

Não querendo ser tendencioso, confesso que possuo nutrida curiosidade relativamente à versão PlayStation Vita de Strenght of the Sword Ultimate. Das três uma, é cancelada, tem um desempenho técnico abaixo do intragável ou assume papel de arauto tecnológico na plataforma.

A encarnação musculada de Strenght of the Sword 3 (2013) traz de volta essa grande dupla cómica búlgara -para não crentes, percam-se de riso no registo que marca a bem-sucedida passagem da obra pelo Kickstarter– Georgi Rakidov (programação) e Lyubomir Iliev (arte), obstinada em restituir aos brawlers tridimensionais a sumida glória, mesmo que, através de uma fórmula demarcada das raízes ao mesclar-se com características de títulos de combate um contra um.

A audição cuidada da pequena mas fervorosa comunidade que sustentou o título original desembocará numa experiência redesenhada com extensão da campanha individual, aumento das possibilidades de customização, implementação de modo cooperativo, de embates entre jogadores e, na sequência deste, o denominado Dark Mode.

Luzeiro do escondidinho

Super Daryl Deluxe (Dan & Gary Games, Estados Unidos da América)

PC (Windows) – Quarto trimestre, 2017

Dificilmente existindo intitulação de estúdio mais taxativa que a do presente caso, dela extraímos, sem neurónios a dar badagaio, sua composição díptica por elementos de nome Dan (Plate), arte, e Gary (Porter), programação.

Tendo arrecadado várias distinções, incluindo primeiro lugar no segmento videojogos da Microsoft Image Cup, o título de estreia da dupla veste as calças à boca-de-sino do protagonista Daryl Whitelaw, ingressado recentemente num estabelecimento de ensino que serve de fachada a um macabro projeto de investigação científico.

Os vários universos que coexistem temporalmente sob o teto do edifício são pretexto para, não só arejar vistas, mas alargar o espectro de socialização para além do corpo escolar com, por exemplo, personagens históricas. Contudo, em larga medida tal relevante será para uma das parcelas da obra, a de role playing game, quando de tabefes e biqueirada se trata não defraudará os devotos de um bom e velho brawler em deslocação lateral.

Dezenas de habilidades marciais poderão ser adquiridas, e subir de nível com ganho de experiência, sendo possível costumizar o sistema de rixa equipando quatro delas. Com a realização de demandas alternativas avantajadas serão as regalias para Daryl, desde o mais básico dos recursos, dinheiro para almoço, a novas peças de armamento e fatiotas em crescendo de ridículo.

Luzeiro do escondidinho

The Church in the Darkness (Paranoid Productions, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 e Xbox One – Primeiro trimestre, 2017

Com mais de vinte anos de experiência na indústria tendo como ponto alto a direção artística e argumento da série The Suffering, promete Richard Rouse III com seu último projeto revigorar o género de ação através de um enquadramento narrativo que, não sendo baseado em factos ocorridos, utiliza a realidade como suporte para criação de ficção.

Sentindo-se perseguidos pelo governo americano por liderarem um projeto comunitário visto exteriormente como seita, conduzem Isaac e Rebecca Walker seus seguidores para o coração de um selva sul-americana, lugar onde creem poder construir uma utopia socialista, a começar pelo nome, Freedom Town.

Preocupado com a presença do sobrinho em tal realidade, viaja o retirado agente policial Vic para o local, embora, sabendo de antemão que não sendo elementos exteriores ao coletivo bem-vindos, nele terá obrigatoriamente de forçar entrada.

Os métodos para o alcançar ao critério do jogador ficarão, todavia, optando por abordar o título de infiltração em perspetiva superior de forma espampanante ou furtiva, abater-se-á sobre sua consciência o peso das opções tomadas.

Luzeiro do escondidinho

Regressam na próxima semana os roguelike, com eles o expetável tropel de avarias em lugares esconsos e bafientos. Até lá, bons jogos.

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