Marco Gomes por - Apr 17, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 48

A fresco cheira ainda a pintura do coreto. Soluçando, a charanga debita solfejos encobertos pela gritaria dos catraios na apanhada. Ao longe, não muito, os pregões da vendedora de regueifas e o forró do carrossel onde potros descarnados rodopiam a triste sina.

Não estando as ideais condições técnicas reunidas, elemento de estilo que nos arraiais convém preservar, imperturbáveis seguem em parada os títulos que se jogam com ouvidos, orelhas de cartaz deste episódio quarenta e oito do Luzeiro.

Cadence (Made With Monsters Love, África do Sul)

PC (Windows, OS X) e Plataformas Móveis (iOS) – Data a confirmar, 2016

Tendo no currículo dois protótipos –Phor, The Ocean Doesn’t Want Me– e um miniatural título de terror publicado em 2012, Toward the Light, ganhou fôlego Peter Cardwell-Gardner, na companhia de Rodain Joubert, para um encargo de superior aspiração.

Exemplo de projeto que do insucesso na campanha pública de recolha de fundos angaria incentivos e solidifica ideias em vez de malograr a sorte, propõe ao mercado Cadence uma inusitada combinação de quebra-cabeças e experiência musical com substancial liberdade de abordagem.

Tendo por base nódulos que necessitam interligação para gerar fragmentos sonoros, múltiplos poderão ser os encadeamentos encontrados pelos jogadores para, partindo de um esquema influenciado por ferramentas de criação e edição musical, não só dar respostas aos vários desafios propostos como criar uma atmosfera melódica personalizada.

Chime Sharp (Ste Curran, Inglaterra)

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2016

Publicado originalmente em 2010 no serviço Xbox Live Arcade da Xbox 360 -com versões posteriores para computadores pessoais e PlayStation 3-, descreve-se Chime nas palavras do principal responsável pela obra enquanto colaborador do estúdio Zoë Mode, Ste Curran, como “metade sequenciador musical, metade Tetris”.

Numa grelha preestabelecida e esburacada teremos de encaixar blocos até o painel ficar completamente tapado. Cada elemento geométrico a introduzir configura a reprodução de um fragmento sonoro, que, com a progressão no nível, permitirá aos bochechos construir a melodia subjacente.

Sendo quase homem dos sete instrumentos enquanto escritor, radialista, consultor de mercado e criador de videojogos, não esconde Curran orgulho por Chime e pela pequena comunidade em si congregada, ao ponto de lhe dar uma sequela, Chime Sharp, disponível em acesso antecipado desde novembro de 2015.

Face ao embrião altera Sharp a estrutura visual -considerando Curran que a estética néon desusada está, mas, acrescentar-se-ia, motivado igualmente pelas comparações do original com a série Lumines-, introduz novos colaboradores musicais, logo, níveis acrescidos, e modos de jogo que possibilitam uma abordagem experimental ao esquema base de Chime.

Luzeiro do escondidinho

Double Kick Heroes (Headbang Club, França)

PC (Windows, OS X, Linux) – Inverno, 2016

Como arroba e mais um cento de tantos outros antes pelo Luzeiro passados, também os primeiros passos de Double Kick Heroes foram dados enquanto participação no Ludum Dare, concretamente, edição trinta e quatro.

Para o caso da obra o não deixar evidente, seus progenitores, o quarteto gaulês constituído pelos nomes de guerra BlackMagic, Gyhyom, Elmobo e Tavrox, devotos são de metal pesado, tendo mesmo Elmobo, na qualidade de produtor musical, colaborado com bandas como Gorod, Otargos e Loudblast.

Instalado num mundo pós-apocalíptico que beber vai ao labor de realizadores como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, transporta-nos Double Kick Heroes por áridas paisagens cultivadas de zombies onde, só com acerto rítmico capaz de despoletar letais rajadas do Gundillac -viatura que transporta a banda de heróis-, seus putrefactos intentos cairão por terra, ou no caso, asfalto.

Com mais de trinta metaleiras faixas imbutido, permitirá igualmente o jogo convocar para a carnificina sobre rodas nossa fonoteca, editar modinhas prediletas, experienciar temas pela comunidade providos e com ela partilhar reptos jogáveis.

Luzeiro do escondidinho

LOUD on Planet X (Pop Sandbox, Canadá)

PC (Windows), PlayStation 4, PlayStation Vita e Plataformas Móveis (iOS, Android) – abril, 2016

Com lançamento agendado para depois de amanhã, 19 de abril, no PC e PlayStation 4, e três dias após no mercado móvel, marca Loud on Planet X a estreia enquanto projeto de assinatura autónoma do interdisciplinar estúdio canadiano liderado por Alex Jansen, Pop Sandbox.

Contando nas fileiras com responsáveis por Sound Shapes (2012), não foge Loud on Planet X ao género daquele enquanto exercício arcada musical, todavia, apresenta uma distinta base jogável ao unir o esquema de séries como Guitar Hero a uma minimalista variante dos tower defense, redundando num Plants vs. Zombies em bailarico de Verão.

Os trinta níveis que preenchem a campanha principal verão sedentos alienígenas serem corridos de palco mais depressa que Marco Paulo na Feira de São Mateus, trocando a intifada de tomates excessivamente maduros pelo avassalador poder de músicos pertencentes a projetos como Tegan and Sara, Lights, Metric, METZ, Purity Ring ou Monomyth.

Luzeiro do escondidinho

[NUREN] The New Renaissance (CSP Industries, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2016

Mais cedo do que tarde inevitável será um episódio do Luzeiro dedicado a filhos e enteados da Realidade Virtual, enquanto tal não chega vão os representantes da nova moda dispersando pelos de temática a géneros associada, como é o caso de [Nuren] The New Renaissance.

Tendo uma inusitada dupla como coração do projeto, a cantora Jessie Seely, assumindo, para além do contributo vocal, o desenho de personagens e coautoria nas letras, e o compositor Jake Kaufman, pai da banda sonora de, entres outros jogos, Shantae: Risky’s Revenge (2010), Shantae and the Pirate’s Curse (2014) e Shovel Knight (2014), que aos créditos soma modelação tridimensional e a metade restante na incumbência de letrista, verdade é que sua proposta foge aos cânones do que se subentenderá convencionalmente por videojogo.

Partindo de influências díspares como os filmes Fantasia (1940), TRON (1982), Ghost in the Shell (1995) e Animatrix (2003), o espetáculo musical “The Wall” dos Pink Floyd e o clássico SEGA Space Channel 5 (1999), revela-se [Nuren] como um musical que debita narrativa através da sequência de videoclipes, cabendo cada segmento a um diferente núcleo de artistas visuais convidados.

O óbvio apelo do título irá para a imersão proporcionada pela tecnologia de Realidade Virtual -tendo Oculus Rift como uma única opção de compatibilidade para já confirmada-, podendo os jogadores inteirar-se de todo o ambiente que envolve cada retalho da narrativa musical em quadros diversos como cidades futuristas, laboratórios de autómatos ou tórridos desertos.

Luzeiro do escondidinho

Stifled (Gattai Games, Singapura)

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 e Xbox One – Data a confirmar, 2016

Apontado como sucessor espiritual de Lurking, vencedor em 2014 do IGF China para melhor jogo elaborado em contexto académico, promete o sexteto de Singapura constituído por Justin Ng, Bryan Teo, Wesley Yeo, Dexter Chng, Chen Wei Ren e Andre Pong pegar nas bases daquele para elevar a fasquia no ainda subpovoado segmento dos títulos de terror baseados em som.

Quebrar o negro total que preenche por defeito o ecrã de jogo será conseguido através da chamada “ecolocalização”, ou seja, para além dos produzidos pela personagem controlada, o debitar de sons com recurso a microfone pelo jogador, artifícios auxiliares que utilize ou mesmo na envolvência não manipulada, traduz-se no alumiar do campo visual, mesmo que em curto espetro, oferecendo referências de movimentação no mapa de jogo.

Porém, como bela não há sem senão, acabam os mesmos por denunciar posição a ferozes bestas que na escuridão ruminam, fazendo da experiência um exercício de sobrevivência que relembra o que andamos uma vida ideia a aprender e finamos sem o almejar, por cada vez que a boca se abre, em duas outras maiores seriam os proventos por tê-la cerrada.

Luzeiro do escondidinho

The Metronomicon (Puuba, Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X) – Data a confirmar, 2016

O criador de Concursion (2014) e The Weaponographist (2015), Danny Garfield, volta a trocar de género para a próxima empreitada através de uma hilariante combinação de jogo de ritmo e role playing game que responde pelo nome de The Metronomicon.

Controlando uma equipa de quatro heróis, de um total de oito disponíveis, teremos à disposição para desfeitear os esbirros do mal o tradicional sortido de habilidades especiais e feitiços, dependendo da classe, associado ao imaginário medieval fantástico em versão Febre de Sábado à Noite, todavia, sua efetividade será garantida no mecanismo rítmico despoletado por cada movimento.

Ao longo da campanha principal, a ser complementada por um modo de jogo livre, arena e demandas alternativas com tabela de classificação em rede, o elenco de personagens a controlar melhorará estatísticas, aprenderá novos recursos ofensivos e defensivos e terá direito a peças de equipamento com gradual nível de fiabilidade.

A banda sonora fica a cargo de artistas da estampa de Jimmy Urine -que, curiosamente, empresta dotes a outro título passado recentemente pelo Luzeiro, I Want to be Human-, Shiny Toy Guns, YACHT, Perturbator, J-Punch ou Dj CUTMAN.

Luzeiro do escondidinho

Three Monkeys (Incus Games, Inglaterra)

PC (Windows) – Data a confirmar, 2016

Desplante seria um episódio a tal temática dedicado sem um exemplo de áudio-videojogo, o eleito para levantar o estandarte, Three Monkeys, destaque já tinha recolhido no VideoGamer Portugal em artigo noticioso datado de setembro de 2013.

Após insucesso na campanha pública de recolha de fundos no Kickstarter, ocorrida em março do transato ano, o estúdio de Stephen Willey, Jamin Smith, James Biddulph e Rob Allen resolveu voltar ao estirador para redesenhar algumas das premissas que sustentam o intrépido esforço de criar um role playing game de fantasia recorrendo unicamente a sons.

Transcorrido no universo de Byzantia, outrora mundo repleto de vida e cor subitamente refém do medo quando do céu uma maldição aparta o sol consumindo as terras de breu total. Com a população confinada a suas localidades por temer aventurar-se no mundo exterior, conhecido como Abismo, caberá a Tobar, exímio espadachim e arqueiro nado invisual, munir-se de coragem, e da companhia de Yoska, para inverter o fadário.

Tirando partido de áudio binaural na criação de efeitos sonoros tridimensionais, por eles seremos conduzidos através de amplas áreas simulando esquemas de jogo em mundo aberto -invertendo a tendência da generalidade dos áudio-videojogos presentes no mercado- onde, entre atividades outras, poderemos caçar animais selvagens, lutar contra as aberrações que no Abismo encontram lar ou resolver quebra-cabeças.

Luzeiro do escondidinho

Thumper (Drool, Estados Unidos da América)

PC (Windows) e PlayStation 4 – Data a confirmar, 2016

Curioso slogan (com dupla função de cariz identificativo) que Brian Gibson e Marc Flury, antigos colaboradores do estúdio Harmonix, escolheram para Thumper, “Um jogo de violência rítmica”.

Através de visuais psicadélicos, que, porventura, mor alucinantes revelar-se-ão na compatibilidade com o dispositivo de Realidade Virtual PlayStation, teremos de conduzir em vertigem locomoção uma barata espacial -seja lá isso o que for- recorrendo unicamente a controlo analógico e um botão para eliminar obstáculos, método basilar para acumular pontuação.

Com cada incidência no avante trajeto da criatura a ter implicações na banda sonora composta por Gibson, demais nunca serão os movimentos aprendendidos ao longo do trajeto, até porque, mais do que em qualquer outra circunstância, encarecidamente deles necessitaremos no confronto com os vários chefes finais.

Luzeiro do escondidinho

Com representantes disseminados por episódios de diversa índole, chega no próximo domingo de manhã a vez das plataformas de ação a si um terem dedicado em exclusivo. Até lá, bons jogos.

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