Marco Gomes por - Aug 28, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 67

Partindo a dezanove de junho, episódio cinquenta e sete, chega por fim a procissão à capela tendo o trajeto consagrado à aventura e várias de suas dioceses englobado dez entregas com a que hoje se apresenta.

Assim, antes de serem despidas opas e dado poiso aos andores, suspirando de alívio o coiro, fecha-se o ciclo com a vertente de quebra-cabeças na esperança de surgir a chave de ouro em mais um fervoroso alinhamento.

No mexe, mexe do Luzeiro, quando a noite ainda é criança, fica em seu banquinho a aventura a ganhar fôlego para mais um pé de dança.

Luzeiro do escondidinho

A Cat’s Manor (Happiest Dark Corner, Arábia Saudita)

PC (Windows), Plataformas Móveis (iOS, Android), PlayStation 4, PlayStation Vita e Xbox One – Data a confirmar, 2016

Orgulhando-se o Luzeiro de ser um cruzeiro pelas várias regiões do globo, ancoramos desta vez na Península Arábica, mais concretamente na nação que lhe cobre a maioria do território, Arábia Saudita, para visitar o labor de Tariq Mukhttar com mãozinha na composição musical de Wlad Marhulets.

Descodificando o título, refere-se A Cat’s Manor à jornada de um gato acordado sem rasto de memória, e com uma mão misteriosamente agarrada à cauda dando-lhe vontade própria, na mansão de uma família de perturbador comportamento onde terá, ou, pelo menos tentará, pôr-se a milhas.

Porém, tanto melhor será o plano de fuga quanto maior for o acervo de lembranças recolhido, significando o progresso na empreitada expansão da área de jogo por cenários estilizados mesclando duas e três dimensões onde se privilegia a exploração e experimentação na resolução dos vários quebra-cabeças, fundamentalmente através da interação com os restantes ocupantes do espaço, que não apenas humanos, e combinação de itens entretanto achados.

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Don’t Disturb (Midnight Party, China)

PC (Windows, OS X, Linux) – Terceiro trimestre, 2016

Com planeada edição ocidental a cargo da britânica PQube, ainda assim, não foge a rendinha urdida pelo estúdio Midnight Party à sina da maioria dos registos de humildes meios asiáticos, revelando acentuado hermetismo na abordagem preliminar aos jogadores.

Tendo como personagem central um misterioso canídeo em busca do falecido dono, serve Don’t Disturb como expressão da “tímida e reservada” visão dos orientais face à morte e vida para além dela respeitando um dito presente no folclore asiático aquando da ocorrência de um funeral, não brinques, não cantes, mas acima de tudo, não perturbes.

O estilo visual bidimensional simulando o emprego de tinta-da-china e aguarela conduzirá, através de seus cenários, o fiel amigo até ao submundo tendo como objetivo derradeiro alcançar a Ponte do Desamparo, lugar onde crê encontrar a pessoa que persegue.

Para o conseguir várias serão as provações em forma de quebra-cabeças que terá de enfrentar, a maioria envolvendo investigação de determinados itens e conversa com habitantes do local – trocando lendas por cada tarefa completada -, saindo ao percurso decisões que condicionarão o desenlace do conto.

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Grave Danger (JB Gaming Inc., Estados Unidos da América)

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4, Xbox One e Wii U – outubro, 2016

Após Udder Panic (2015) tem o estúdio de Jeff Brooks (direção de projeto), Michael Kingery (arte) e Cody Anderson (programação) lançamento de sua próxima rendinha, Grave Danger, planeado nos computadores pessoais para o dia trinta e um de outubro, seguindo-se-lhe o mercado de consolas, PlayStation 4, Xbox One e Wii U, no início do próximo ano, concretamente a dezassete de janeiro.

Na esteira do clássico Blizzard Entertainment – na altura sob o nome Silicon & Synapse – The Lost Vikings (1992), ter-se-á de bom uso dar a uma equipa de três elementos, Dante, o cowboy , Elliot, o feiticeiro, e Malice, o ceifeiro da morte, para ultrapassar as várias secções de jogo e, por exclusão de partes, os quebra-cabeças nelas contidos, desenhados para atestar essencialmente o trabalho de grupo e precisão.

O segredo do sucesso para conduzir as personagens a bom porto residirá na compreensão das habilidades únicas de cada elemento e sua correta alternância, devendo-se ter o cuidado de não deixar nenhuma afastada em áreas de potencial perigo. Assim, permitirá Dante ultrapassar secções verticais através de escalada, Elliot saltar em pleno ar com recurso a elevação mágica e Malice flutuar horizontalmente sobre pequenas brechas.

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Keen (Cat Nigiri, Brasil)

PC (Windows, OS X, Linux) e PlayStation 4 – Primeiro trimestre, 2017

Depois de quatro rendinhas para mercado móvel, Dream Swim (2013), Dino Zone (2013), Popeman (2014) e Kitty Kitchen (2015), investirá a proposta vindoura do estúdio encabeçado por Caio Lopez e Nando Guimaraes, Keen, nos computadores pessoais e consolas.

Devido às leis da aldeia onde a cada habitante se atribui uma função específica de caráter sucessório, ainda em bebé o de guardião foi consignado a Kim, contudo, reinando há séculos a paz e tranquilidade no pequeno povoado, de fachada seria o cargo a ostentar pela frequentemente mal-humorada moça até um dia receber o pedido de ajuda da treinadora, e avó, alertando para o eminente ataque de uma nefanda corporação com aspirações de pela força dominar o mundo.

Pegando no desdobramento por masmorras dos primordiais títulos da chancela The Legend of Zelda promete Keen uma fresca estrutura jogável fundindo estratégia por turnos com ação arcada através de um fluido esquema de controlo baseado em hiperativas deslocações, em linha vertical e horizontal, da personagem e confronto com oponentes tendo por premissa planeamento e precisão.

A investigação de cada sala destapará itens secretos, garantindo a progressão pelas várias áreas e recolha de Pedras Elemento atafulhar valências em Kim com novas engenhocas e habilidades onde se inclui telequinesia, teletransporte ou plantação de armadilhas.

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Maize (Finish Line Games, Canadá)

PC (Windows) – Outono, 2016

Depois da pouca memorável remasterização a um pouco memorável título original, Cel Damage HD (2014), segue na linha de produção do estúdio fundado por Daniel Posner e Rich Hilmer um exercício que ganhará pontos no segmento das aventuras na primeira pessoa pela combinação de esquálida ortodoxia e humor, atestados desde logo na personagem central, uma sentimentalista espiga de milho nascida da má interpretação feita por uma dupla de cientistas a uma nota informativa redigida pelo governo americano.

Assegurando os autores ser a premissa para criação do protagonista o facto menos ridículo a encontrar na obra, assumidamente inspirada no trabalho dos Monty Python e “nos mais cómicos episódios da série X-Files”, desde logo, montada está a barraca para um registo que englobará exploração e resolução de quebra-cabeças contextuais numa quinta, provavelmente a que serve de cenário ao único vídeo oficial, e num subterrâneo centro de investigação, lugares tão bons como outros quaisquer para travar amizade com um leque de criaturas nunca abaixo do estapafúrdio.

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Observatorium (Capsule Three, Escócia)

PC (Windows) – Data a confirmar, 2016

Não representando a maioria dos casos, mal feito fora, atesta contudo Observatorium os ínvios caminhos em que desemboca por vezes a investigação da rubrica. Sem eles muito do encanto do espaço, para quem o inspirar, se transmalharia nos arrabaldes de mais do mesmo.

Procurando Clive Lawrence , Jonathan McEnroe e Peter Satera conceber experiências de cunho especial, têm a perfeita noção de que seu primeiro bordado em humildes andrajos dar-se-á como “delicado, profundo e desassossegado jogo” seguindo a venturosa jornada mar adentro de um menino de nove anos, Kit, em busca de respostas para o estranho sinal recebido no rádio portátil.

Percecionado em vista área, entrega ao petiz cada nível a missão de dominar a sinergia entre estrelas e peixes fosforescentes que nele habitam, tendo para o efeito, com auxílio de um barco a remos, desenhar constelações a partir do reflexo luminoso dos astros na água, pescando, pelo meio, criaturas marinhas que deambulem no sopé da barcaça.

Ultrapassar com sucesso os desafios conduzirá ao encontro de antenas espalhadas pelo universo de jogo, o que por sua vez possibilita a descodificação de fragmentos do enigmático sinal vindo do espaço, mas também, surgindo de forma natural com a progressão, a interceção de várias bandas na telefonia desbloqueando melhoramentos às valências da personagem, correspondência ou memórias pessoais.

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One Dreamer (Gareth Ffoulkes, Austrália)

PC (Windows, OS X, Linux) – novembro, 2016

Apesar do sítio oficial escarrapachar os logotipos PlayStation 4 e PlayStation Vita, como seus objetivos financeiros não foram assegurados aquando da campanha pública de recolha de fundos no Kickstarter, o mais certo é estarem tais versões descartadas, ou, na melhor das hipóteses, não contempladas na fase inicial de produção de One Dreamer.

Obra desenvolvida por Gareth Ffoulkes com contributo de Bem Quinn na composição musical, fornece um sui generis enquadramento para a personagem central, Frank, enquanto aspirante a criador de videojogos de humildes meios em busca de inspiração, o que lhe valerá a entrada no bifurcado mundo da consciência através de um sonho preservando sua lucidez, contudo, quanto nele mais se adensa menos ténue permanecerá o vínculo com a realidade.

Inspirado em Catherine (2011) e The Last of Us (2013), também da dicotomia entre realidade palpável e onírica respira a estrutura jogável fornecendo ao protagonista quando desperto mecânicas de exploração e investigação de cenários com resolução de quebra-cabeças através de rotinas diárias como aceder ao computador para avançar no projeto, consultar sítios de rede ou responder a correio eletrónico, aumentando, paradoxalmente, a cadência rítmica quando adormecido através de secções de plataformas, ação furtiva ou envolvendo sequências cinemáticas interativas.

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Pavilion (Visiontrick Media, Suécia)

PC (Windows, OS X, Linux), PlayStation 4 e PlayStation Vita – Data a confirmar, 2016

Pior do que os anciãos que à chuva, frio e vento se aglomeram às cinco da matina para tentar garantir consulta num centro de saúde, há um ror de tempo que para entrar no Luzeiro se encontrava Pavilion, tendo finalmente um episódio à altura dos anseios.

Criado pela dupla Rickard Westman e Henrik Flink, aos quais se juntou o nosso compatriota Rui Guerreiro e com ele o anúncio do segundo projeto made in Visiontrick Media, MARE – estranhamente, ou não, visto um dos pais da obra ser o autor luso, semelhante a Vane (passado pelo vigésimo episódio) -, divide-se Pavilion em dois capítulos, devendo a segunda parte chegar em 2017, através de um intrigante mundo plantado no vazio pela ausência de tutoriais e contextualização introdutória.

Ou seja, a virgindade de conhecimento afetará tanto a personagem controlada quanto o jogador, desenrolando-se os mecanismos de compreensão sobre aquele plano surreal nascido do cruzamento da realidade com fantasia segundo paulatina e equidistante dimensão de exploração, experimentação e observação contextual, motivo para os autores atribuírem a perspetiva de quarta pessoa à aventura de quebra-cabeças.

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The Edgelands (Marshlight Software, Inglaterra)

PC (Windows) – Primeiro trimestre, 2017

Em produção com o auxílio do Fundbetter, fundo promovido pelos pais do universo Fallen London, Failbetter Games, assume-se The Edgelands como título iniciático de Andre Bosman, pelo menos, sob a ombreira Marshlight Software.

O mais comezinho dos acontecimentos, procura de um gato tresmalhado, levará a misteriosa jovem protagonista a, sem se dar conta, apartar do lar situado num esquecido centro rural para se aventurar numa paisagem crepuscular a paredes meias com a dimensão sobrenatural cruzando referências folclóricas reais e imaginadas.

A aventura de cariz atmosférico sustentar-se-á, para além do alfobre de localizações e entidades de onírica tonalidade, em quebra-cabeças de múltipla solução, a grande maioria encaixando-se no perfil de escolhas textuais e interação com cenários, mas também na trilha sonora eletrónica composta por Bosman, reagindo e adaptando-se de forma orgânica às ações empreendidas pela personagem.

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The Gardens Between (The Voxels Agents, Austrália)

Plataformas Móveis (iOS) – Previsão de lançamento não divulgada

Conhecido anteriormente como The Time Project, resulta The Gardens Between das acaloradas trocas de ideias entre a dupla criadora de Puzzle Retreat (2013), Henrik Pettersson (direção artística) e Sam Wong (programação), aos quais se lhes juntaram Brooke Maggs (escrita, produção), Jonathan Swanson (arte), Jackson Wood (programação), Josh Bradbury (animação) e Tim Shiel (composição musical).

Após nove protótipos regidos pela mesma ideia central, movimentação através de uma linha temporal, encontrou aí o estúdio base para a aventura “meditativa” de quebra-cabeças, formulados essencialmente na descodificação visual, onde terá o jogador auxiliar dois companheiros no encalço de uma misteriosa fonte de luz.

Pensado em exclusivo para plataformas móveis, e seus tácteis ecrãs, servirão os dedos para fazer recuar ou avançar o tempo contido em cada enigma, aportando assim um bochecho mais à relação, e jornada de crescimento pessoal, da obstinada Arina e seu, maduro para a idade, jovem amigo Frendt através de um confronto com o passado e seus momentos a descartar ou nunca abrir mão.

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The Sexy Brutale (Cavalier Game Studio, Inglaterra)

PC (Windows), PlayStation 4 e Xbox One – Primeiro trimestre, 2017

Chega a ser impressionante o comportamento canibal do espaço mediático, quando Jim Griffiths, Charles Griffiths e Tom Lansdale mostraram com intuito de obter opinião o projeto em que trabalhavam a responsáveis do Tequila Works, estúdio espanhol responsável por Rime, enamoraram-se estes por The Sexy Brutale ao ponto de proporem seu codesenvolvimento.

Até aqui tudo muito lindo, não fora dar-se o caso do anúncio recente da obra – com o primeiro registo audiovisual oficial a revelar-se na Gamescom 2016 – levar grande parte da comunicação social ligada ao meio a suprimir ou miniaturizar o elo mais frágil da parelha quando, na qualidade de autores da ideia original e base técnica para a consubstanciar, mereceriam outra projeção, prova de que nem a deontologia escapa ao atordoamento provocado pelo barulho das luzes.

The Sexy Brutale, nome da mansão inglesa onde se desenrolam os acontecimentos, prossegue com a moda recente de transpor para videojogo o conceito do filme O Feitiço do Tempo (1993) – mesmo com elevada probabilidade de o não ter como original acaba, pela visibilidade, por ser a referência sempre aludida pelos estúdios -, repetindo ininterruptamente o mesmo dia e com ele a maldição que grassa os hóspedes do local conduzindo-os a mortes trágicas.

Na pele do feiticeiro Lafcadio Boone teremos por missão interromper o ciclo evitando cada um dos falecimentos a partir de um esquema de quebra-cabeças que obrigará à reconstituição dos fatídicos momentos e posterior método de tentativa e erro para os desbaratar, por exemplo, perante um assassínio ocorrido com arma de fogo, tentaremos escondê-la, mas, ao ser encontrada e novamente disparada, poderá a estratégia passar por carregá-la com munições não letais.

Luzeiro do escondidinho

World to the West (Rain Games, Noruega)

Plataformas por anunciar – Previsão de lançamento não divulgada

Após aos bochechos editar versões de Teslagrad (2013) nas mais variadas plataformas decidiu o estúdio – nascido de uma comunidade criativa – com liderança de Peter Wingaard expandir daquele o universo começando na transição das duas para as três dimensões verificada em World to the West.

Protagonizado por um quarteto de heróis oriundo de diferentes nações com personalidades e lote único de habilidades, Lumina, a herdeira de Tesla, o órfão Knaus, a telepata Miss Teri e o fortalhaço de frondosa bigodaça, Lord Clonington, viajará a trupe por um universo de “corrompidas colónias e esquecidas civilizações”, correspondendo na prática a um sortido conjunto de paisagens e condições atmosféricas, de selvas inexpugnadas a tundras de bater o dente.

Fazendo jus à condição de aventura de ação e quebra-cabeças prometida está suave transição entre secções de dar luta à carola e as de arrochar no proletariado do mal, assim seja a abordagem a seguir já que a obra permitirá evitar adversários ou mesmo convencê-los a deixar os torpes caminhos da vilanagem.

Com o regresso de várias caras conhecidas como enquadramento aos acontecimentos do título original, pautar-se-á a fauna de variadas personagens a encontrar por agendas próprias, ora beneméritas para com nossa causa, ora numa de com ela embirrarem.

Luzeiro do escondidinho

Na semana próxima por aqui teremos o ajuste de contas com a colheita dos meses de julho e agosto. Até lá, bons jogos.

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