Marco Gomes por - Nov 19, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 74

Como terá notado quem assiduamente convive com o espaço, não se deu sem quota-parte de sobressaltos o processo de migração do Luzeiro para a nova casa do VideoGamer Portugal, ausente há duas semanas sem justificar razões e “fora de horas” na transata publicado. 

A bem dizer, do ponto de vista de escrita do artigo, marca este episódio setenta e quatro a mudança de malas e bagagens para os novos aposentos, com eles uma realidade condicionando a estrutura que a rubrica vinha apresentando ao, no mais crasso exemplo, abdicar do esquema de múltipla página, com repercussão no número de obras a convocar e/ou visibilidade atribuída. 

Assim, adaptando-se ao formato de leitura exclusivamente em cascata, alijou-se o corpo da peça à nomenclatura abaixo desfilada, ainda em versão cobaia, destacando três obras e sobre outras cinco dando lamiré, no caso em concreto, integrando a seita dos role playing game de inspiração nipónica.

Injuriado, olha para as chagas do lado, julgando que sendo suas as teria bem mais fundas e cruas.

Luzeiro 74

Battle Chasers: Nightwar (Airship Syndicate, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 e Xbox One – Verão, 2017

O luso-ascendente tido como um dos nomes referenciais da banda-desenhada comercial americana, Joe Madureira, encostou às boxes – ou fizeram-no encostar – a série Darksiders, mas, não o envolvimento com o meio aliando-se aos restantes fundadores do estúdio daquela encarregue, Vigil Games, para uma nova sociedade tendo como projeto de arranque a transladação para videojogo de um dos universos do autor na nona arte, Battle Chasers. 

De subtítulo Nightwar, prescinde da ação visceral da susodita franquia bebericando nos “grandes clássicos de consolas” do género role playing game, o que, levado à letra consubstancia farta deambulação por masmorras, recurso ao sistema de combate por turnos, baseado num sistema duplo de uso de mana, e cuidada desenvoltura narrativa, locomovendo-se essencialmente na exploração do ambiente circundante, com momentos-chave plasmados em sequências animadas a cargo do Powerhouse Animation Studios. 

Tendo por equipa três personagens escolhidas de um lote que a progressão alargará, far-se-ão seus preparativos para a jornada no único porto seguro de Lost Vale, a ressequida cidade de Harm’s Way, contemplando-se a cada herói uma habilidade exclusiva a manifestar nas masmorras – geradas aleatoriamente – que bem deverá ser aproveitada no garante da sobrevivência pelo local. Os pontos de folclore reclamados na descoberta de itens, núcleos geográficos de interesse e conteúdo secreto, para além de terem associados bochechos de informação sobre o mundo de jogo, permitirão destrancar melhorados movimentos a implementar em combate.

Luzeiro 74

Cosmic Star Heroine (Zeboyd Games, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 e PlayStation Vita – Previsão de lançamento não divulgada

Gorada que foi a janela de lançamento apontando para o Verão passado, prefere a dupla Robert Boyd (programação, escrita) e Bill Stiernberg (arte) não se comprometer, para já, com nova tentativa de o desvelar, assim obriga a implementação de novas ideias ao mais ambicioso projeto dos autores dos marginais títulos de culto Breath of Death VII (2011), Cthulhu Saves the World (2011), Penny Arcade’s On the Rain-Slick Precipice of Darkness 3 (2012) e Penny Arcade’s On the Rain-Slick Precipice of Darkness 4 (2013). 

Seguindo a linha dura de todos eles enquanto homenagem, não raras vezes satírica, ao género na era 16 bits, acompanha Cosmic Star Heroine, passado inicialmente pelo VideoGamer Portugal em artigo noticioso com quase dois anos, as aventuras da agente de topo governamental Alyssa L’Salle que, ao acidentalmente desnudar uma conspiração em larga escala, não só é do posto desbancada como à perna passa ter as mais nefárias organizações da galáxia.

À carga nostálgica que carrega, expressa em pormenores como sequências de animação reminiscentes de títulos Sega Mega-CD ou NEC Turbo Duo, outra lhe servirá de contraparte na contemporânea adaptação dum sistema de combate por turnos baseado no pendor tático e certeiro encadeamento de ações, destacando combinações de movimentos envolvendo várias personagens, que prescinde do corte paralelo do ecrã de arena, implementação de um sistema de gravação de jogo sem óbices ou uma trilha sonora comportando mais de cem horas de música a cargo de HyperDuck SoundWorks, responsáveis pelo apartado em, a título de exemplo, Dust:An Elysian Tail (2012), Trash TV (2015) ou Oblitus (2015).

Luzeiro 74

Shiness: The Lightning Kingdom (Enigami, França) 

PC (Windows, OS X), PlayStation 4 e Xbox One – 8 de dezembro, 2016

Com os proventos esperados de ter um grande grupo editorial como o Focus Home Interative a assegurar toda a parte chata, leia-se logística, do lançamento de Shiness: The Lightning Kingdom, passado antes pelo VideoGamer Portugal em artigos noticiosos de agosto e dezembro de 2015, tudo já não falta para a segunda semana do mês próximo ver finalmente nos escaparates o role playing game sonhado por Hazem Hawah (produção, composição musical) e Samir Rebib (ideia original, direção artística), cabeças de um projeto que com o tempo acumulou dezenas de colaboradores.

Com a fragmentação do planeta Mahera, de mal a pior parece traçado o destino do universo. Após perder as estribeiras da barcaça voadora em que sobrevoava as Ilhas Celestiais dando azo a aparatosa aterragem, vê-se subitamente o herói de serviço, Chado, emparedado na beligerância entre reinos poderosos, longe de imaginar que, graças à ajuda dos companheiros de viagem e capacidade de enxergar um espírito mágico invisível aos demais, não só à contenda poderá pôr cobro como aportar esperança ao futuro de toda a vida naqueles lugares.

As cinco personagens jogáveis, ao protagonista juntando-se Poky, Kayenne, Rosalya e Askel, dão corpo ao manifesto num sistema de combate inspirado nos tradicionais títulos de luta em arena fixa onde não faltam movimentos naqueles consagrados como combinações de golpes, bloqueios ou esquivas, para além de investidas mágicas. A experiência ganha nas batalhas, permitindo ampliar a gama de recursos ao desbloquear ataques físicos e esotéricos, complementar-se-á na ajuntada pela realização de demandas alternativas, responsáveis igualmente pelo acréscimo de reputação de Chado no mundo de jogo, colocando-o mais perto de cumprir a sina de unir as fações desavindas.

Luzeiro 74

Ikenfell (Chevy Ray Johnston, Canadá) 

PC (Windows, OS X) – junho, 2018

Ainda com muito caminho de desenvolvimento a percorrer, dando já o benefício da dúvida à janela de lançamento aventada aquando da campanha pública de financiamento no Kickstarter, assume-se Ikenfell como o mais destemido projeto de Chevy Ray Johnston, após uma dúzia de rendinhas bordada em formato móvel, browser ou, simplesmente, de cariz experimental, contando aqui com contributo de Hunter Russell (animação) e Aivi & Surasshu (composição melódica, desenho de som), dupla responsável pela partitura da série animada Steven Universe.

Tendo como cenário uma escola de magia e bruxaria para adolescentes, acolhendo em sua vasta área inúmeros mistérios, passagens secretas, divisões ignotas e intrigantes criaturas, acompanha a narrativa as averiguações de Maritte no encalço do paradeiro da irmã Safina que por lá desapereceu. Inspirado por títulos como Robotrek (1994), Earthbound (1995), Paper Mario (2000) e Mario & Luigi: Superstar Saga (2003) ostentará Ikenfell como elemento mor identitário, para além do inusual enquadramento, um sistema de batalha por turnos sustentado em duelos de magia onde essencial será a cadência de ativação dos movimentos.

Luzeiro 74

Knuckle Sandwich (Andrew Brophy, Austrália) 

PC (Windows, OS X) – Previsão de lançamento não divulgada

Meia dezena de anos mais e deverá a conjuntura apresentar-se significativamente alterada, por agora, o padrão de autores como Andrew Brophy, ganhando fôlego no ensejo de exercícios aparentemente despojados, tem peso considerável na formulação do destino do meio. Seu primeiro labor à séria, pelo menos na informação recolhida, será um role playing game que usa do esoterismo de Undertale (2015) para contar a estória de um jovem decidido a investigar uma série de desaparecimentos envolvendo a proliferação de cultos como forma de afogar mágoas pela condição de assalariado numa casa de pasto.   

Entre suas pouco ortodoxas mecânicas encontra-se a ininterrupta mutabilidade do conjunto de personagens que nos combates defende as cores do jogador, um sistema de batalhas por turnos baseado em precisão temporal, ativação de especiais por intermédio de minijogos, ramificações narrativas com inúmeros desenlaces e, pelo menos, seis sequências de créditos finais.

Luzeiro 74

Mediocre Monster (Opal Squad, Estados Unidos da América) 

PC (Windows) – abril, 2017

Estava ainda nos cueiros Mediocre Monster quando em agosto de 2015 passou em artigo noticioso pelo VideoGamer Portugal, tendo desde então o projeto de Gino Reyes, Jeric Herrera e Rock Merjudio conquistado sucesso no Kickstarter e ganho expetativa no crescente mercado dos role playing game de satírica índole, muito por culpa da atribuição ao jogador do papel de Gob, um enfezado goblin de tutorial pago para servir de saco de pancada aos lustrosos heróis que ao caminho lhe saem.

Mais precisamente, o que lhe pede a entidade patronal, The Bestiary, companhia líder em encontros aleatórios com monstros, é não só perder o combate para os paladinos, mas, fazê-lo em jeito masoquista, despoletando ao adversário um golpe terminal, para além de o manter satisfeito pelo alcance de objetivos predefinidos como obtenção de itens raros, ausência de dano sofrido ou enchimento da barra de movimentos especiais. A promoção na carreira permitirá auferir salários bonificados, viajar para localizações exóticas ou fazer mudanças cromáticas de pele, isto enquanto se contribui para o rejuvenescimento da aldeia dos vilões, caída em desgraça com a debandada de população para géneros mais populares.

Luzeiro 74

Nadia Was Here (Jajaben Games, Holanda) 

PC (Windows) – Primeiro trimestre, 2017

Tem como percurso Joep Aben uma dezena de rendinhas sem expressão, perfilando-se Nadia Was Here para cortar a fita a seus títulos de distribuição comercial. Cruzando a influência do género role playing game nas eras 8 e 16 bits com novas ideias e mecânicas, trar-nos-á a estória de Amytah, um mundo constrito a um século de infinda repetição temporal e os valorosos trabalhos do trio de protagonistas, Hogan, o velho guerreiro, Nadia, a ladra, e Tereshan, o mago, para quebrar o círculo de acontecimentos. 

Contrariamente a muitos seus congéneres, comporta-se o desenvolvimento jogável pelo elevado patamar de controlo autoral, refutando combates aleatórios, ou qualquer possibilidade de amplificação artificial nas estatísticas, tendo sempre como válido todo o equipamento devido às propriedades únicas intrínsecas, aprendizagem de habilidades feita exclusivamente em contexto de combate, ostentando superior nível tático ao evidenciar virtudes e óbices das personagens, característica fulcral ao emparelhamento com os adversários, e por conseguinte, reguladora do destino das contendas.

Luzeiro 74

Picontier (SKIPMORE, Japão) 

PC (Windows, OS X, Linux), Nintendo 3DS e PlayStation 4 – Previsão de lançamento não divulgada

O estúdio japonês SKIPMORE, especializado na produção de videojogos para formato móvel, mas, provavelmente mais reconhecido no ocidente por levar a série Fairune à Nintendo 3DS, expandirá a área de abrangência de seu próximo projeto acrescentando-lhe como plataformas de destino igualmente o computador pessoal e PlayStation 4.

Fundindo elementos de role playing game e simulador de vida campesina, na senda da série Harvest Moon, permitirá, segundo livre arbítrio dos jogadores, plantação de alimentos, confeção de bens utilitários, pesca ou prospeção de minério, não descurando a veia de aventura com a existência de masmorras e ferozes monstros que nelas vagueiam.

Luzeiro 74

Para acalentar o espírito de quantos Sun Tzu por aí hajam, encarregar-se-á o domingo próximo de dar lustro à ala tático-estratégica do role playing game. Até lá, bons jogos.

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