Marco Gomes por - Dec 3, 2016

Luzeiro do Escondidinho – Episódio 76

Para gizar as linhas com que este domingo se cose, nova fornada de registos sob ombreira das vertentes de planeamento no género Role Playing Game. Quando os oponentes soçobram por fim, neles vejo da peleja pretexto quando afinal comigo me desavim.  

Luzeiro 76

City of the Shroud (Abyssal Arts, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X) – verão, 2017

Deixando para trás o percurso na Capcom, decidiu Keaton White (produção, direção de projeto) convidar Ryan Becker (desenho de jogo, programação), Moira Katson (escrita), Jon Slabaugh (programação), Grant Barber (estrutura online) e Chris Naim (composição musical, desenho de som) para um novo desafio tendo como empreitada de arranque City of the Shroud.

Sob a fachada de Role Playing Game tático influenciado pela escola nipónica do subgénero esconde o projeto duas características inusuais, um sistema de combate em tempo real sustentado no encadeamento de movimentos ofensivos adaptados ao estilo de cada jogador e a definição do curso narrativo, numa estória em quatro capítulos acerca de um território à beira da guerra civil, tendo por base o impacto das ações e escolhas da comunidade no segmento anterior.

Luzeiro 76

Long Gone Days (BURA, Chile) 

PC (Windows, OS X) – Primeiro trimestre, 2018

O trio constituído por Camila Gormaz (arte), Pablo Videla (escrita, desenho de jogo) e Nikki Lombardo (programação) oferece-nos a menos ortodoxa peça do conjunto ao fundir Role Playing Game por turnos de influência japonesa com novela visual para contar a estória de Rourke, um atirador furtivo que, após descobrir a verdade sobre as operações em que se tinha envolvido, abandona as forças militares alheio às gravosas incidências da decisão.

A jornada de deserção a uma inescapável guerra levá-lo-á a aferrolhar um nutrido naipe de companheiros dispostos a seu lado pelejar em altercações bélicas ligadas exclusivamente à componente narrativa, prescindindo de encontros aleatórios e forçada subida de parâmetros nas personagens, mas também de seus dotes fora dos combates como o de tradutor que permite codificar linguagem não nativa. Fazendo jus a sua mais destacada proficiência, secções existirão onde o protagonista terá de procurar e abater à distância alvos no modo de visão na primeira pessoa através de mira ótica.

Luzeiro 76

Witch House (Wombat + Frog, Austrália) 

PC (Windows, OS X, Linux) – Data a confirmar, 2017

Outras relevantes valências não ostentasse a rendinha de Frank Wong e o sui generis enquadramento lhe valeria já chamada à rubrica ao cruzar tática por turnos com o ambiente noir dos mistérios abrigados em Mistakonic River, localidade ficcional inscrita na obra de H.P. Lovecraft como pertencendo à região de New England (Estados Unidos da América).

Transcorrido nos idos vinte do século passado, coloca Witch House aos comandos uma equipa especializada em crimes sobrenaturais, selecionada, treinada e armada para se adaptar a um estilo de jogo coadunado com o gosto do freguês, representando cada caso uma experiência única através de geração aleatória do terreno, itens e inimigos a encontrar.

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Arcadian Atlas (Twin Otter Studios, Estados Unidos da América) 

PC (Windows, OS X, Linux) e Plataformas Móveis (iOS) – fevereiro, 2018

Bem mais representada que na entrega anterior, conhece a vertente de influência nipónica do Role Playing Game tático com o labor de Becca Bair (direção artística, desenho de jogo), Taylor Bair (escrita, direção sequências cinemáticas), Patrick Brand (programação) e Moritz Katz (composição musical, desenho de som) a mais fidedigna achega do conjunto. Seguindo o romance de Vashti e Des nas terras flageladas de Arcadia por constantes lutas de poder com áridas consequências para o povo, apega-se o sistema de combate da obra à clássica grelha isométrica por turnos onde o ponto de colocação de unidades no terreno confere variáveis às faculdades inatas, ou, adquiridas num esquema de profissões prometido original e balanceado. 

Luzeiro 76

Archmage Rises (Defiance Game Studio, Canadá) 

PC (Windows, OS X) – Segundo trimestre, 2017

Grande embrulhada é o título ideado por Thomas Henshell. Pelo próprio descrito como fusão entre The Elder Scrolls V: Skyrim  (2011) e FTL: Fater Than Light (2012), dificilmente de forma aligeirada descrever-se-á Archmage Rises. Transladando para formato digital a liberdade encontrada nos Role Playing Game de tabuleiro, em si várias serão as peculiaridades como curtos – duas a quatro horas – ciclos de jogo, associados à vida da personagem central e consequências de suas escolhas, geração aleatória de universo envolvendo simulação política, económica, militar e recurso a um sistema de religião apregoado como inédito.

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Dark Quest 2: Castle of Doom (Brain Seal Entertainment, Inglaterra) 

PC (Windows, OS X) – Primeiro trimestre, 2017

Depois de Master of Belial (2010) e Dark Quest (2013) regressa o estúdio liderado por Argi Baltzi para a sequela deste último, que, por sua vez, altamente influenciado se assumia no jogo de tabuleiro HeroQuest. Assumindo controlo de três heróis em isométricos cenários com o intuito de derribar miniões de um malévolo feiticeiro, devemos utilizar eficazmente as habilidades únicas de cada personagem, não só para enfrentar os desafios que as masmorras lhes deparam, em processo despoletado no rolar de dados, como, criar sinergias para potenciar características de cada unidade enquanto, por outro lado, se tentam delas abafar óbices.

Luzeiro 76

Epic Tavern (Hyperkinetic Studios, Estados Unidos da América) 

PC (Windows) – Primeiro trimestre, 2017

Abordagens periféricas ao imaginário contido nos Role Playing Game têm vindo a proliferar, ao lote juntando-se o registo do estúdio fundado por Rich Bisso, Tomo Moriwaki e Dave Padilla através de invulgar amálgama de gestão e simulação social em que, na pele de taverneiro, tentaremos conquistar recompensas por intermédio dos clientes habituais do tasco. Assim, as dinâmicas relacionais e ambiente proporcionado pelo espaço, para além das escolhas inerentes a cada demanda, permitirão criar em escala miniatural o desdobramento do mundo de Beor, sucedendo-se narrativas, número de aventureiros tidos por amigos e oportunidades de ampliar e refinar o negócio.

Luzeiro 76

Expeditions: Viking (Logic Artists, Dinamarca) 

PC (Windows) – Primeiro trimestre, 2017

Como as promessas nascem para se cumprir, assim sucede com a do episódio anterior aqui se convocando o segundo registo que combina Role Playing Game, estratégia e culturas nórdicas de antanho, mais concretamente, a nova obra do estúdio fundado por Ali Emek, Jonas Waever e Juan Ortega, responsável por Conquistador (2012),  Expeditions: Conquistador (2013) e Clandestine (2015). Expeditions: Viking agracia-nos com o cargo de cabeça de clã encarregue daquele guindar em reputação e respeito segundo um de dois critérios expansionistas, guerra ou comércio, não descurando vias diplomáticas e implicações que as tomadas de decisão adquirem junto de apaniguados e fações rivais.

Luzeiro 76

Segue a marcha em direção ao coreto, desta feita, dando à fanfarra uma melodia nunca antes pelo Luzeiro tocada, a dos adictos em masmorras, vulgo Dungeon Crawlers. Até lá, bons jogos. 

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